Você já parou para pensar que o cheiro de pão quentinho que invade as manhãs paulistanas é, na verdade, um perfume que atravessa séculos?
Atualmente, o Brasil possui mais de 70 mil padarias, mas poucas guardam o prestígio de terem surgido ainda no século 19.
Neste sentido, a Gazeta separou um guia exclusivo para você descobrir os segredos das fornadas mais tradicionais da Capital, onde a receita é herança de família.
Padaria Santa Tereza (1872)
Fundada há mais de 150 anos, a Santa Tereza ostenta o título de padaria mais antiga de São Paulo e também do Brasil.
Localizada no Centro Histórico, ela já estava de pé 41 anos antes do início da construção da Catedral da Sé — inclusive, do primeiro andar da padaria, você consegue ver a famosa igreja.
O grande segredo da casa é a sua tradicional coxa creme, um ícone que atravessa gerações e continua sendo o pedido mais famoso.
Embora tenha surgido na rua que lhe deu o nome, a padaria mudou-se para a Praça João Mendes em 1947, mantendo intacto o seu prestígio.
Italianinha e 14 de Julho
O bairro do Bixiga é o berço de duas gigantes que nasceram no final do século 19 pelas mãos da família Franciulli. A Italianinha (1896) preserva o mesmo forno desde sua fundação, onde os padeiros ainda assam filões com a “massa mãe” trazida diretamente da Itália.
Portanto, se você busca autenticidade, o pão italiano redondo e o antepasto de berinjela são paradas obrigatórias neste pequeno e charmoso empório.
Ao mesmo tempo, a 14 de Julho (1897) destaca-se por seu ambiente rústico e por produzir o Cannoli que os paulistanas elegeram como o número um da cidade.
Curiosamente, seu fundador, Rafaele Franciulli, veio ao Brasil para abrir uma oficina mecânica, mas o tremendo sucesso de seus pães mudou o destino da família.
A São Domingos (1913)
A Padaria São Domingos é protagonista de uma das histórias mais curiosas do urbanismo paulistano e da resistência de seus clientes. Diz a lenda que, durante a construção do Minhocão, a pressão popular foi tão grande que os engenheiros precisaram desviar a via expressa em uma curva para preservar o prédio.
Além disso, até hoje a casa mantém um forno ativo desde a inauguração e foca em fermentação natural, livre de produtos químicos.
Dessa forma, não saia de lá sem provar a rosca de linguiça ou a sfogliatella, itens que hoje abastecem os restaurantes mais refinados da cidade.
As padarias Ana Néri, Carillo e Lisboa
No Cambuci, a Ana Néri (1903) é o orgulho local, mantendo um salão típico e receitas que não mudam há mais de um século, como o biscoito “mentirinha”.
Por outro lado, na Mooca, a Padaria Carillo (1912) é o reduto dos irmãos Guilherme e Gabriel, que assam pães no fogão a lenha diante dos olhos dos clientes.
O grande destaque da Carillo é o tortano (pão recheado com calabresa), uma verdadeira instituição da zona leste paulistana.
Já no Tatuapé, a Padaria Lisboa (1913) combina um ambiente moderno com a tradição da quarta geração da família, sendo referência em pão sovado.
Padaria Basilicata (1914)
Por fim, a Basilicata encerra nossa lista de centenárias com um toque de modernidade, pois expandiu sua operação para restaurante e empório.
Fundada por Felipe Ponzio, a casa trouxe a receita do legítimo pão italiano do sul da Itália, que hoje diversos restaurantes famosos da capital servem em suas mesas.
Com isso, seu forno de pedra alimentado a lenha garante a crocância única dos pães que exalam um perfume acolhedor por toda a Rua Treze de Maio.








