Com dívida bilionária do Corinthians na mira, Lula propõe ‘Desenrola’ para socorrer clubes

Em crise por salários irreais e má gestão, futebol brasileiro pode ganhar linha de renegociação na Caixa; presidente questiona patrocínios de 'bets' e sites adultos

O presidente quer que a Caixa ajude os times de futebol a parcelar suas dívidas, que cresceram por causa de administrações ruins e contratos com empresas polêmicas /Ricardo Stuckert/PR

O socorro financeiro ao futebol brasileiro entrou no radar do Governo Federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer que a Caixa Econômica Federal desenhe um programa de refinanciamento nos moldes do Desenrola para permitir que os clubes de futebol do país renegociem suas dívidas.

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A proposta surge em meio ao estrangulamento do caixa dos times, atribuído pelo mandatário a sucessivos erros de administração e folhas salariais fora da realidade nacional.

As declarações, dadas em entrevista à Record, acenderam o alerta sobre a sustentabilidade do esporte no país. Segundo o presidente, a busca desesperada por receita fez o futebol abrir espaço para fontes de financiamento controversas, incluindo plataformas de apostas esportivas e sites de conteúdo adulto.

Na avaliação de Lula, a dependência desse tipo de patrocínio compromete a imagem de um esporte voltado prioritariamente às famílias e ao público infantil.

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O ‘nó’ das contas alvinegras

Para expor a dimensão da crise financeira no setor, o chefe do Executivo usou o exemplo do próprio clube do coração: o Corinthians. Lula demonstrou perplexidade com o crescimento contínuo do passivo alvinegro, mesmo após o repasse de valores bilionários ao longo dos últimos anos.

Ao comentar o momento do time de coração, o presidente desabafou com bom humor sobre o fraco desempenho dentro de campo: “A gente está numa situação difícil, eu fico com muita tristeza quando não chuta para o gol. Pelo amor de Deus, Corinthians, chuta para o gol”.

Transparência e risco de intervenção

A conta apresentada pelo presidente revela o gargalo do clube paulista: a dívida inicial de R$ 400 milhões saltou para um saldo devedor ainda pendente de R$ 600 milhões, apesar de a instituição já ter quitado R$ 1,075 bilhão.

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Sem margem no orçamento para contratar reforços de peso, a desorganização administrativa se reflete diretamente na falta de competitividade da equipe. Diante do quadro crítico, Lula sinalizou que não se opõe a uma eventual intervenção judicial na gestão corinthiana, caso a medida seja necessária para reorganizar as finanças e estancar as perdas.