Um dos pássaros mais raros e com maior risco em extinção do Brasil foi descoberto há menos de 30 anos: em dezembro de 1996. O Soldadinho-do-araripe é caracterizado pela plumagem branca e crista vermelha do macho com detalhes em preto, dando um visual tricolor ao animal.
A descoberta ocorreu pelos biólogos Artur Galileu e Weber Girão, conforme publicado na revista científica Ararajuba (hoje Revista Brasileira de Ornitologia).
Sob o nome científico de Antilophia bokermanni, a ave é uma das mais belas do mundo e vive apenas em uma estreita faixa de floresta úmida nas encostas da Chapada do Araripe. Sua área de ocorrência é de apenas cerca de 30 km².
Curiosidades da espécie
A espécie passou anos “escondida” na Chapada do Araripe, no sul do Ceará. Criticamente endêmica, não existem exemplares da ave em nenhum outro lugar do planeta Terra, a não ser em uma estreita faixa de floresta úmida nas encostas da Chapada do Araripe.
O pássaro, que tem um canto muito bonito, vive na beira de rios e em locais que a água brota da chapada, servindo assim como um “indicador ambiental”. Caso a ave esteja perto daquelas águas, significa que a água está limpa e a floresta está saudável. Se ele some, é sinal de que a água está secando.
- Expectativa de vida: estima-se que vivam entre 8 e 12 anos, a depender do habitat e das condições de vida;
- Tamanho: mede, em média, 15 centímetros. Para você ter uma ideia, isso é quase o tamanho de uma caneta esferográfica comum;
- Peso: Pesa cerca de 20 gramas. É extremamente leve — o equivalente a quatro moedas de 50 centavos.
Diferenças do macho e da fêmea
Também conhecido apenas como “Soldadinho” pela crista vermelha frontal do macho, que lembra o penacho de um capacete militar antigo, o macho tem o corpo branco, com asas e cauda preta e a cabeça vermelha, sendo as cores que lembram times tradicionais como o São Paulo FC ou o Santa Cruz.
Já a fêmea, possui o corpo verde-oliva, com as asas e cauda da mesma cor, e o “capacete” é quase ou totalmente inexistente.
Diferente de algumas aves em que o casal cuida do ninho, no caso do Soldadinho-do-araripe, a fêmea faz todo o trabalho. Ela constrói o ninho (em formato de taça, geralmente sobre a água), choca os ovos e alimenta os filhotes sozinha. O macho gasta sua energia defendendo o território e exibindo sua plumagem impecável.
A cor branca das penas do macho é mantida por ele passar boa parte do dia se limpando e evitando áreas com muita lama, já que sua visibilidade para as fêmeas depende do brilho de suas penas.
Projetos de conservação da espécie
Alguns projetos, como o Oásis Araripe, têm monitorado esta população de perto. Embora ainda esteja na categoria de “Criticamente em Perigo”, os esforços de reflorestamento das nascentes têm dado esperança aos biólogos de que a espécie consiga sair do altíssimo risco de extinção nos próximos anos.
Uma das principais envolvidos na proteção da espécie é a ONG Aquasis (Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos)
Outra medida foi a criação do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS), em 2019, para proteger o habitat da espécie.
Insetos tão queridos e bonitos, os vaga-lumes também são outra espécie ameaçada de extinção, este ainda sem um abrigo de proteção em território nacional.





