Por que viajar a Marte ainda demora tanto, mesmo com tanta tecnologia?

Entre órbitas, combustível e janelas de lançamento, chegar ao planeta vermelho depende de muito mais do que apontar uma nave para o céu

O planeta vermelho parece próximo no imaginário popular, mas sua órbita em movimento transforma cada missão em um cálculo de precisão

O planeta vermelho parece próximo no imaginário popular, mas sua órbita em movimento transforma cada missão em um cálculo de precisão | Wikimedia Commons/NASA/JPL/Corby Waste

Ir a Marte parece, à primeira vista, uma questão de potência. Bastaria construir um foguete maior, abastecer a nave e mirar no planeta vermelho. Só que o espaço não funciona como uma estrada em linha reta.

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A viagem a Marte demora tanto porque a Terra e o planeta vermelho estão sempre em movimento. Enquanto a nave avança, os dois mundos seguem suas órbitas ao redor do Sol, criando um desafio de tempo, velocidade e combustível.

Por isso, uma missão marciana depende de algo quase invisível para quem olha o céu: a janela de lançamento. É nesse intervalo que a posição dos planetas permite uma rota mais eficiente e menos custosa.

Marte não fica parado

A distância entre Terra e Marte muda o tempo todo. Em alguns momentos, os planetas ficam relativamente próximos. Em outros, estão em lados muito diferentes do Sistema Solar, separados por uma distância muito maior.

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Além disso, uma nave não viaja como um avião. Ela precisa entrar em uma trajetória calculada para encontrar Marte no futuro, quando o planeta estiver em outro ponto da órbita. Na prática, a missão mira onde Marte estará, não onde ele está.

Segundo a NASA, uma rota relativamente direta até Marte costuma levar entre sete e dez meses. A sonda Mars Reconnaissance Orbiter, por exemplo, levou cerca de sete meses e meio para chegar ao planeta vermelho.

Combustível pesa na conta

A demora também tem relação com economia de combustível. Quanto mais rápida for a viagem, maior tende a ser a energia necessária para acelerar, corrigir a rota e desacelerar perto de Marte.

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Uma missão não pode levar combustível sem limite, porque cada quilo extra aumenta o custo e a complexidade do lançamento. Por isso, engenheiros buscam trajetórias que equilibrem tempo, segurança e viabilidade.

O problema fica ainda maior em missões tripuladas. Além de chegar, a nave precisa proteger astronautas da radiação, levar alimentos, água, equipamentos e sistemas de suporte à vida durante meses.

Missões tripuladas tornam a conta mais difícil, porque a nave precisa levar proteção contra radiação, comida, água e suporte à vida (Foto: Pexels)

A volta também complica

Chegar a Marte é apenas metade da história. Para voltar, a missão precisa esperar uma nova configuração favorável entre os planetas. Caso contrário, a viagem de retorno exigiria mais energia ou se tornaria arriscada demais.

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É por isso que missões convencionais ao planeta vermelho podem durar anos quando incluem ida, permanência na superfície e retorno. A espera em Marte não é turismo espacial, mas uma exigência da mecânica orbital.

Nesse cenário, ganhou repercussão o estudo do físico brasileiro Marcelo de Oliveira Souza. A pesquisa propõe uma rota para Marte baseada em dados orbitais de asteroides e aponta caminhos que poderiam reduzir a missão para algo entre 153 e 226 dias.

O atalho ainda é teórico

A proposta chamou atenção porque sugere uma forma diferente de enxergar os trajetos entre planetas. Em vez de pensar apenas em rotas tradicionais, o estudo busca “corredores geométricos” capazes de encurtar a viagem.

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O próprio pesquisador, porém, trata a ideia com cautela. “Claro que para efetivar uma viagem, é preciso ter todo o ajuste da velocidade do foguete, para saber se alcança o que eu propus, tem a questão do que pode ser levado, a carga útil… fiz a proposta teórica”, diz em entrevista para a CNN Brasil