No português falado no Brasil, um mesmo animal pode receber diferentes nomes coletivos, dependendo da região e do contexto. Essa variação mostra como a língua se adapta ao uso cotidiano e às tradições locais.
Com o burro, isso não é diferente. A diversidade de termos reflete a história do idioma e a forma como palavras circulam entre gerações, ganhando novos significados ao longo do tempo.
Esse tipo de variação também aparece em outros temas da língua portuguesa, como mostra uma reportagem da Gazeta sobre palavras que não têm plural.
A seguir, entenda de onde vem a palavra “burro” e quais são seus coletivos, segundo o Guia do Estudante.
A origem do nome burro
Na Roma Antiga, o animal era conhecido como asinum burrum, expressão usada para indicar um asno de coloração avermelhada. O termo fazia referência direta à aparência do animal.
Com o tempo, o adjetivo burrum passou a ser usado de forma isolada, até substituir o nome original.
No português, o registro da palavra “burro” aparece a partir do século 12. Desde então, ela entrou de vez no vocabulário e passou a nomear o animal de forma ampla.
Como surgiu a associação negativa
A relação entre o burro e a ideia de teimosia ou pouca inteligência remonta à Grécia Antiga, por volta de 600 a.C. Histórias com animais humanizados eram comuns para transmitir lições morais.
Uma das mais conhecidas é a fábula de Esopo em que o burro se disfarça de leão para assustar as pessoas. O plano falha quando a raposa percebe o truque e expõe o personagem.
Esses relatos circularam oralmente até serem registrados por autores como Fedro, no século 1, e Jean de La Fontaine, no século 17, o que ajudou a fixar essa imagem simbólica.
No século 2, expressões como asinina cogitatio, que significa “raciocínio de burro”, aparecem na obra “O Asno de Ouro”, de Lucius Apuleius, que narra a história de um homem transformado no animal.
Os coletivos usados para burro
Para indicar um grupo de burros, a língua portuguesa oferece várias opções, mas quase todo mundo as escreve errado, assim como diversas outras palavras.
Entre as versões corretas mais citadas nos dicionários estão récua, burricada, burrada e burrama.
Como “asno” e “jumento” também são usados para o mesmo animal, surgem coletivos como asnada, asnaria e jumentada. Todos se referem ao conjunto desses animais.
Também podem ser usados coletivos mais amplos, como manada, tropa ou comboio, comuns para animais de carga. Nesse caso, é preciso indicar o animal, como em “tropa de burros”, para evitar confusão.


