Para a geração Z, a velhice começa bem antes do que se imagina. Uma pesquisa realizada no Reino Unido indica que jovens entre 18 e 29 anos acreditam que alguém se torna velho aos 62 anos, muito antes da percepção de gerações anteriores.
O estudo, que entrevistou 4 mil pessoas de diferentes faixas etárias, também revela como a geração Z vê o declínio cognitivo, a adaptação à tecnologia e até o estilo pessoal ao longo da vida, destacando uma visão crítica sobre envelhecer.
A pesquisa Age Without Limits, promovida pelo Centre for Ageing Better, alerta para os efeitos do etarismo e como mensagens negativas sobre a idade influenciam desde cedo a forma como a sociedade encara o envelhecimento.
Pesquisa ouviu 4 mil pessoas entre as gerações Z, millennials, X e boomers (Foto: Freepik)Como a geração Z define envelhecer
A geração Z considera que o declínio cognitivo começa aos 62 anos, enquanto a dificuldade em lidar com tecnologia surge aos 59. Para eles, estar na moda deixa de fazer sentido aos 56, revelando uma percepção precoce sobre a idade.
Mais de 25% dos jovens não esperam estar saudáveis quando envelhecerem. Um em cada quatro acredita que terá poucos amigos e familiares por perto, e metade não se vê com boa aparência na velhice. Esses números mostram o peso do etarismo na construção de expectativas sobre o futuro.
Segundo Katherine Crawshaw, colíder da campanha, “ser bombardeado com mensagens etaristas ao longo da vida, com crianças de até 10 anos querendo comprar maquiagem antienvelhecimento, dá às pessoas uma visão excessivamente pessimista do que é envelhecer”, disse ao UOL.
Ciência por trás do envelhecimento
Estudos publicados na Nature Communications em 2025 indicam que a vida humana é marcada por cinco estágios: infância, adolescência, vida adulta, envelhecimento precoce e tardio. Cada fase traz mudanças físicas e cognitivas que moldam o desenvolvimento do indivíduo.
Exames cerebrais de quase 4 mil pessoas mostraram que o cérebro leva quase três décadas para se consolidar na forma adulta. Por volta dos 30 anos, inteligência e personalidade atingem maior estabilidade, preparando o corpo e a mente para o envelhecimento gradual.
A partir dos 66 anos, os pesquisadores identificam o início do declínio cognitivo, com regiões cerebrais se tornando mais compartimentalizadas. Apesar disso, a estabilidade na personalidade sugere que a idade não define limitações absolutas, mas influencia processos naturais do corpo.
Impacto do etarismo na sociedade
O estudo evidencia que preconceitos sobre idade moldam percepções de jovens e adultos. Mensagens culturais e comerciais reforçam ideias de que envelhecer é negativo, afetando autoestima e saúde mental desde cedo.
A campanha Age Without Limits alerta para a necessidade de reverter essas crenças. Promover um envelhecimento positivo e combater o etarismo permite que cada fase da vida seja valorizada, sem pressões sociais desnecessárias.
Para a geração Z, entender que a idade não limita capacidades é essencial. A visão sobre o envelhecimento pode evoluir, e perceber que a velhice não precisa ser sinônimo de declínio total é um passo para mudar o olhar da sociedade.




