Os ditados populares são famosos por serem pequenas frases de efeito que teoricamente exalam sabedoria e atravessam gerações, trazendo conselhos e reflexões sobre a vida.
Frases como “água mole, em pedra dura, tanto bate até que fura”, “filho de peixe, peixinho é” e “onde há fumaça, há fogo” são algumas dessas expressões que ecoam em nosso cotidiano.
Porém, muitas das vezes, em nossa confiança nas tradições orais, deixamos de lado o entendimento científico que pode fundamentar esses provérbios.
Para desvendar o sentido por trás de algumas dessas frases icônicas, A Gazeta se baseou nas informações do site UOL, que conversou com especialistas para explorar as conexões entre a sabedoria popular e os princípios da ciência. Confira:
1. “Água mole, em pedra dura, tanto bate até que fura”
Esse ditado faz uma clara referência ao poder da insistência e da paciência. Ele é facilmente explicado pela ciência, de acordo com José Eduardo Mautone Barros, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais):
“Água é um solvente universal e pode dissolver boa parte dos materiais, inclusive os minerais.”
Para este processo acontecer, é preciso de uma série de fatores. Como o tempo decorrido e a pressão exercida pela água.
Na natureza, um exemplo claro é a formação de cavernas, como a maior do estado de São Paulo, que pode demorar milhões de anos, conforme o Serviço Nacional de Parques dos EUA.
“[Dependendo da alta velocidade], a água pode, além de dissolver, quebrar materiais ou pedras por impacto”, completou o especialista.
2. “Filho de peixe, peixinho é”
O ditado é muito utilizado para explicar algo já conhecido, o fato de que os filhos são parecidos com seus pais e familiares.
A geneticista responsável pelo Laboratório de Evolução Humana e Molecular da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Maria Cátira Bortolini, comentou sobre o provérbio que muitas pessoas usam para se referir à semelhança de aparência.
“Acho que o ditado vem dessa observação empírica, que hoje sabemos estar relacionada à informação que é passada pelo DNA”, afirmou.
“Antes de Mendel [o pai da genética, que viveu no século 19], acreditava-se que isso era resultado de uma mistura de sangue. Daí vem a expressão ‘puxou o sangue do pai'”, completou.
3. “Onde há fumaça, há fogo”
Dos criadores do “eu te avisei”, essa expressão sugere que sempre existem sinais de alerta antes de situações de risco.
No entanto, a ciência oferece uma perspectiva um pouco diferente sobre esse ditado. Embora ele se refira à fumaça gerada por queima ou combustão, existem outras definições e interpretações.
A fumaça associada ao fogo se caracteriza por uma coluna que se expande e se eleva. A parte mais ampla, visível à distância, é composta principalmente por vapor de água.
Já a porção escura, próxima às chamas, é formada por partículas como fuligem, cuja composição varia conforme o material queimado. Portanto, embora o fogo realmente produza fumaça, podemos também considerar a fumaça como um conceito mais amplo.
4. “É melhor prevenir do que remediar”
Esse ditado famoso tem tudo a ver com eficiência e faz sentido para a saúde e para a economia.
“Se a medicina prevenir o câncer em uma pessoa, evita uma doença que talvez nem consigamos remediar no futuro e que pode causar a morte. E isso vale tanto para o indivíduo como para o coletivo”, explicou Juarez Cunha, pesquisador e médico do Hospital das Clínicas de Porto Alegre.
Um dos exemplos mais clássicos dessa lógica são as vacinas, pois quando imunizam o paciente, elas previnem a doença no futuro e, portanto, poupam a pessoa de remediar os sintomas depois.
5. “Quem ama o feio, bonito lhe parece”
Finalizando a lista, esse provérbio divertido remete à atração romântica, mas também faz parte de uma série de comportamentos que podem ser explicados pela ciência.
“Há uma série de hormônios que atuam no nosso sistema nervoso central e modulam os comportamentos sociais”, explicou a geneticista Maria Cátira Bortolini.
Na prática, há substâncias no nosso corpo que influenciam como agimos e como tratamos determinados membros de nossos grupos. Alguns exemplos de neuro-hormônios são: endorfina, dopamina e oxitocina.
Porém, é importante relembrar que a influência dos genes pode moldar o nosso comportamento, mas não é o único fator.

