Você encararia? Como será dirigir no túnel mais fundo do planeta a centenas de metros abaixo do mar

Obra ficará a quase 392 metros abaixo do nível do mar e terá pressão equivalente a até 40 atmosferas

Estruturas como essa costumam despertar fobias como a claustrofobia e a talassofobia, medos de lugares enclausurados e do fundo do oceano, respectivamente

Estruturas como essa costumam despertar fobias como a claustrofobia e a talassofobia, medos de lugares enclausurados e do fundo do oceano, respectivamente | Freepik

Imagine dirigir em um lugar isolado, só você e o carro, cercados por ferro e concreto, com o oceano pressionando por todos os lados. Parece filme de terror, mas é o Projeto Rogfast, túnel norueguês apontado como o mais profundo do mundo.

Continua após a publicidade

A estrutura será construída a quase 400 metros abaixo do nível do mar, escavada sob o leito do oceano. A pressão no ponto mais fundo pode chegar a cerca de 40 vezes a pressão atmosférica do dia a dia.

Segurança em primeiro lugar

Como a passagem será feita por motoristas em carros de passeio, a segurança é o foco do projeto. A obra prevê duas galerias paralelas e independentes, para reduzir riscos em caso de falhas ou incidentes.

Para reforçar a integridade da estrutura, engenheiros usam mapeamento a laser de alta precisão. A técnica ajuda a fixar segmentos de contenção na rocha, que funcionam como barreira contra a água salgada ao redor.

Continua após a publicidade

Quando estiver em operação, o túnel deve ter câmeras e sensores para monitoramento contínuo. A ideia é detectar rapidamente acidentes, veículos parados e sinais de vazamento, com resposta em tempo real.

Em caso de emergência, haverá passagens de ligação a cada 250 metros, permitindo rota de fuga para o túnel ao lado. É uma solução comum em obras longas, pensada para acelerar resgate e evacuação.

A ventilação também entra no pacote. O sistema prevê conexão com um poço de ventilação na ilha de Kvitsøy, com ventiladores para renovação regular do ar e controle de fumaça em situações críticas.

Continua após a publicidade

Projeto de dimensões colossais

Além da profundidade, o Rogfast chama atenção pelo comprimento. A estrutura deve ter mais de 27 km, atravessando as rochas do Boknafjord e encurtando trajetos que hoje dependem de balsas.

O Rogfast faz parte do plano norueguês conhecido como “E39 sem balsas”, que busca trocar travessias marítimas por pontes e túneis. No Brasil, obras submersas também entram no debate, como a construção do Túnel Santos-Guarujá, que promete reduzir o tempo de travessia na Baixada Santista.

Na própria Noruega, a engenharia já convive com túneis sob o mar, como o túnel submarino do Cabo Norte, usado para ligar o continente à ilha de Magerøya, no caminho até o famoso Cabo Norte.