Se alguém próximo já comentou que você fala enquanto dorme, saiba que isso é mais comum do que parece.
Um estudo publicado na revista Sleep Medicine aponta que cerca de dois terços das pessoas vão apresentar esse comportamento ao menos uma vez na vida.
O que é falar dormindo?
Esse fenômeno é conhecido como somniloquia, um tipo de parassonia, distúrbios que envolvem comportamentos involuntários durante o sono.
De acordo com o médico especialista em sono da Mayo Clinic, Dr. Kannan Ramar, ainda não há uma explicação definitiva sobre por que isso acontece.
A cientista do sono Rebecca Robbins, do Brigham and Women’s Hospital e instrutora da Harvard Medical School, explica que os episódios podem variar bastante.
Algumas pessoas falam por poucos segundos, de forma esporádica. Outras apresentam manifestações mais longas e frequentes ao longo da noite.
Por que isso acontece?
Entre os fatores associados estão predisposição genética, consumo elevado de álcool e níveis altos de estresse.
A ansiedade também pode favorecer esses episódios, já que o cérebro continua processando emoções e acontecimentos do dia mesmo durante o descanso.
As falas podem ir de palavras desconexas a frases completas e, na maioria das vezes, são inofensivas.
Pesquisas com mais de 230 indivíduos indicaram que a palavra mais pronunciada durante o sono foi “não”. Outro estudo, publicado na revista Sleep, mostrou que quase 10% das pessoas chegam a xingar enquanto dormem.
Conversas com “pessoas imaginárias”?
Há ainda registros curiosos de diálogos completos durante o sono, com pausas como se a pessoa estivesse esperando uma resposta antes de continuar falando.
Isso sugere que o cérebro adormecido permanece ativo em determinado nível, organizando pensamentos e simulando interações.
Apesar disso, quem fala dormindo raramente se lembra do que disse ao acordar e normalmente depende de outra pessoa para relatar o ocorrido.
É possível evitar a fala noturna?
Na maioria dos casos, a fala durante o sono não está ligada a problemas físicos ou mentais graves. Algumas mudanças simples de hábito podem ajudar a reduzir os episódios:
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Diminuir o consumo de álcool
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Evitar cafeína no período da tarde
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Manter horários regulares para dormir e acordar
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Dormir horas suficientes
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Buscar formas de controlar o estresse
Se os episódios forem frequentes ou estiverem prejudicando o descanso de quem dorme ao lado, a recomendação é procurar um especialista em sono.
Em alguns casos, exames e monitoramento noturno podem ajudar a avaliar melhor a situação.
Na maior parte das vezes, porém, falar dormindo é apenas uma curiosidade do funcionamento do cérebro enquanto descansamos.



