Pela primeira vez, um pterossauro filtrador foi encontrado na região tropical. A descoberta foi feita a partir de fósseis brasileiros, na Bacia do Araripe, no nordeste do Brasil, um dos sítios paleontológicos mais ricos do País datados do período Cretáceo.
A nova espécie descoberta se chama Bakiribu Waridza, que significa boca de pente na língua kariri.
Ele vivia cerca de 110 milhões de anos atrás, no Cretáceo, e foi identificado a partir de dentes e fragmentos de mandíbula encontrados nos sedimentos da Formação Romualdo, parte do Grupo Santana da Bacia do Araripe, uma sequência geológica famosa por fósseis bem preservados.
O que é o Bakiribu Waridza
O réptil encontrado é um pterossauro voador, parente próximo dos dinossauros, lembrando ambos são oniparos, são que viveram na mesma época e foi um dos primeiros vertebrados a conquistar o voo.
Ao invés de caçar grandes presas, por ser do grupo dos filtradores, o pterossauro usava seus dentes finos e bem juntinhos para filtrar pequenos organismos aquáticos.
Esses dentes funcionavam como uma peneira para capturar pequenos crustáceos e outros invertebrados marinhos enquanto voava ou nadava próximo à superfície.
Os pesquisadores estimam que Bakiribu Waridza tinha entre 110 a 142 dentes finos por lado da mandíbula, muito próximos uns dos outros, com base nos fragmentos encontrados fossilizados. Que é mais uma descoberta de arqueólogos.
Como o fóssil foi achado
Os fósseis permaneciam guardados há décadas em um museu sem identificação científica até que pesquisadores do Grupo Santana começaram a analisá-los a partir de um regurgitálito, ou seja, um vômito fossilizado que um predador expeliu após comer o animal.
Dentro dessa massa fossilizada foram encontrados dois indivíduos de Bakiribu junto com restos de quatro peixes.
Pela forma como estavam preservados, acredita-se que um grande predador os engoliu inteiros e depois os devolveu pela boca. Esse predador poderia ter sido um espinossaurídeo, um grande dinossauro carnívoro, ou até mesmo um pterossauro maior do que o próprio Bakiribu.
Até então, esse tipo de pterossauro só era conhecido em áreas de clima mais frio, fora dos trópicos. A identificação de Bakiribu Waridza torna-se a primeira confirmação de um pterossauro filtrador em uma região tropical, ampliando o conhecimento sobre a distribuição desses animais no passado.
O achado oferece uma visão rara das relações entre predadores e presas na Bacia do Araripe e ajuda a preencher lacunas na árvore evolutiva dos pterossauros filtradores, reforçando a importância científica dessa região rica em fósseis.


