Reino Unido encontra ‘tesouro’ a 2 km sob vulcão ativo no Caribe que pode guardar metais críticos

Cientistas identificaram uma possível “sopa de metais” sob o Soufrière Hills, em Montserrat, onde fluidos extremamente quentes podem concentrar minerais críticos

Reservatório está entre 1,8 e 2,5 km de profundidade e aponta potencial de vulcões nesse setor crítico da mineração moderna (Foto: Gunthram / Wikimedia Commons)

Reservatório está entre 1,8 e 2,5 km de profundidade e aponta potencial de vulcões nesse setor crítico da mineração moderna (Foto: Gunthram / Wikimedia Commons)

A cerca de dois quilômetros abaixo de um vulcão ativo no Caribe, pesquisadores encontraram sinais de algo que dificilmente seria percebido na superfície: um reservatório de fluido quente e salgado que pode carregar grandes concentrações de metais críticos.

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Pesquisadores da Universidade de Oxford e instituições parceiras descrevem o interior do vulcão Soufrière Hills, em Montserrat, como uma “sopa de metais” subterrânea. Essa região pode concentrar elementos essenciais na corrida tecnológica que está tomando o século XXI.

Tesouro sob o vulcão

A pesquisa publicada em agosto de 2026, na Geophysical Research Letters, analisou ondas sísmicas produzidas por terremotos vulcânicos. A maneira como essas ondas atravessam diferentes materiais permite construir uma espécie de tomografia do interior da Terra.

Após análise, os pesquisadores encontraram uma anomalia entre aproximadamente 1,8 e 2,5 quilômetros abaixo do Soufrière Hills. Ela se estende lateralmente por cerca de um quilômetro ou mais em algumas direções.

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Os dados indicam que a estrutura provavelmente não é simplesmente uma bolsa de magma. O comportamento das rochas e a relação entre as velocidades sísmicas apontam para um reservatório saturado por fluidos, interpretado como uma lente de salmoura magmática.

Sopa de metais

É justamente daí que veio a comparação utilizada pela Universidade de Oxford. A instituição descreveu essas regiões como uma “metal soup”, ou sopa de metais, escondida alguns quilômetros abaixo dos vulcões.

Elementos como cobre, lítio, ouro e outros metais podem circular em sistemas vulcânicos. Muitos deles ganharam importância econômica porque estão presentes em equipamentos eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética e integram a atual corrida pelos minerais estratégicos.

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Há pistas de que fluidos vindos das partes profundas do Soufrière Hills realmente alcançam regiões mais rasas. Amostras obtidas anteriormente em poços geotérmicos apresentaram arsênio em concentração cerca de 600 vezes superior à água do mar e boro em níveis aproximadamente três vezes maiores.

Calor extremo

Montserrat já havia perfurado dois poços geotérmicos em 2013. O MON-1 chegou a aproximadamente 2,3 quilômetros de profundidade e registrou 230°C, enquanto o MON-2 alcançou 2,87 quilômetros, onde foram medidas temperaturas próximas de 260°C.

Os dois encontraram fluidos capazes, em princípio, de sustentar cerca de 2 megawatts de geração geotérmica por poço. Um terceiro poço chegou a 1,5 quilômetro, mas sofreu problemas durante a perfuração e foi abandonado.

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A possibilidade estudada agora é ainda mais ambiciosa: usar sistemas geotérmicos não apenas para gerar eletricidade, mas também para recuperar metais dissolvidos nos fluidos subterrâneos, reduzindo a necessidade de grandes minas convencionais.

O projeto ReSET, liderado pelo professor Jon Blundy, da Universidade de Oxford, investiga justamente a combinação entre energia geotérmica e recursos minerais em Montserrat. As pesquisas de campo começaram em 2024 e seguem previstas até o fim de 2026.

Vulcão ainda vigiado

Existe uma complicação difícil de ignorar. O Soufrière Hills continua sendo um vulcão ativo e potencialmente perigoso. A fase eruptiva iniciada em julho de 1995, que destruiu grande parte da ilha, teve sua última grande atividade de crescimento de domo em fevereiro de 2010.

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O nível oficial de perigo atualmente é 1, mas parte da região permanece fechada, incluindo Plymouth. O observatório alerta que fluxos piroclásticos ainda podem ocorrer sem aviso dentro das áreas de exclusão.

Por isso, antes de qualquer tentativa de exploração, será necessário descobrir quanto metal realmente existe na salmoura, como alcançá-la com segurança e se seria possível retirar esses recursos sem aumentar os riscos ambientais ou vulcânicos.