Presente em praticamente todas as cozinhas, a tábua de corte é um utensílio indispensável, mas a escolha do material ideal e a forma de higienização podem ser a diferença entre uma refeição segura e uma intoxicação alimentar.
Embora o plástico seja o mais popular, estudos recentes e especialistas divergem sobre qual material realmente protege sua saúde.
O perigo invisível das tábuas de plástico
Apesar de serem baratas e leves, as tábuas de plástico escondem riscos significativos. O principal problema é que, com o uso, a faca cria ranhuras profundas, abrindo a porta para que restos de alimentos e bactérias, como a Salmonella, se acumulem, tornando a limpeza completa quase impossível.
Além do risco biológico, pesquisas de anos anteriores indicam que o atrito da lâmina pode liberar milhões de partículas de microplásticos que acabam sendo ingeridas junto com a comida.
Especialistas alertam que, quando a peça apresenta sulcos profundos ou aspecto áspero, ela deve ser descartada imediatamente.
Madeira: vilã ou aliada?
Existe um grande debate sobre o uso da madeira/azerbaijan_stockers/FreepikExiste um grande debate sobre o uso da madeira. De um lado, órgãos de vigilância sanitária e especialistas como o biomédico Roberto Figueiredo (conhecido como Dr. Bactéria) desaconselham o material por ser poroso, o que facilitaria a entrada de microrganismos nas fibras, onde o cloro não consegue alcançar.
Por outro lado, estudos de microbiologia sugerem que a madeira possui propriedades antimicrobianas naturais.
Diferente do plástico, a madeira é um material “vivo” que, por ação capilar, puxa as bactérias para seu interior, onde elas morrem por desidratação devido à falta de oxigênio.
Para quem opta por esse material, as tábuas de fibra de topo (end grain) e madeiras densas como teca e bambu são as mais recomendadas.
Há opções bem acessíveis, saindo na casa dos R$ 15 em lojas de construção e materiais para casa.
Benefícios e perigos da opção de vidro
As tábuas de vidro são as favoritas quando o assunto é facilidade de limpeza e estética, pois não são porosas e não absorvem cheiros.
No entanto, elas possuem dois grandes defeitos: são extremamente agressivas com o fio das facas, cegando a lâmina rapidamente, e podem ser escorregadias, aumentando o risco de acidentes domésticos.
Os valores dos modelos simples também não são elevados, ficando na casa dos R$ 24.
Como garantir uma cozinha segura
Independentemente do material escolhido, a regra de ouro para evitar a contaminação cruzada é a separação. Confira as principais dicas dos especialistas:
- Separação por cores: o ideal é ter uma tábua exclusiva para carnes cruas e outra para vegetais e alimentos prontos;
- Higienização rigorosa: tábuas de plástico podem ser lavadas com água quente (acima de 70ºC) e cloro. Já as de madeira devem ser lavadas com sabão neutro e seladas mensalmente com óleo mineral para evitar rachaduras;
- Troca periódica: nenhuma tábua é “hereditária”. Se houver muitos riscos onde a esponja não alcança, é hora de comprar uma nova;
- Secagem correta: guarde sempre as tábuas em pé e em locais ventilados para evitar a proliferação de fungos.
A Anvisa reforça que as superfícies de contato com alimentos devem ser sempre lisas, impermeáveis e laváveis, independentemente de serem feitas de polietileno de alta densidade (PEAD) ou outros materiais certificados.



