Estudo revela diferença de até 10ºc entre bairros do rio por causa das áreas verdes

Bairros com mais vegetação registram temperaturas menores e índices de umidade mais elevados

Regiões mais urbanizadas do rio chegam a 41ºc

Regiões mais urbanizadas do rio chegam a 41ºc | (Foto: Pexels)

Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade Veiga de Almeida (UVA) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro reforçou o papel fundamental das áreas verdes na regulação da temperatura nas grandes cidades.

O estudo analisou como a Floresta da Tijuca influencia o microclima do Rio de Janeiro e identificou diferenças térmicas que podem chegar a 10° C entre regiões arborizadas e bairros mais urbanizados.

Diferença de até 10° C entre bairros

A pesquisa avaliou quatro pontos estratégicos da cidade: Alto da Boa Vista, Tijuca (Praça Sáens Peña), São Cristóvão e Irajá.

Os dados mostram um contraste significativo:

  • Alto da Boa Vista: temperaturas médias entre 25°C e 30°C
  • São Cristóvão e Irajá: picos entre 40°C e 41°C

No Alto da Boa Vista, área com forte presença de vegetação e próxima à floresta, as temperaturas médias variaram entre 25°C e 30°C.

Já em bairros mais afastados da cobertura verde, como São Cristóvão e Irajá, os termômetros registraram picos entre 40°C e 41°C.

Esses números evidenciam como a presença de áreas naturais pode reduzir significativamente o calor em ambientes urbanos.

Umidade do ar também muda

A umidade relativa do ar apresentou comportamento inverso ao da temperatura. Enquanto no Alto da Boa Vista os índices oscilaram entre 60% e 100%, em Irajá e na Praça Saens Peña as mínimas ficaram entre 30% e 40%.

Esse cenário reforça a importância da vegetação para manter a umidade atmosférica e garantir maior conforto térmico à população.

Urbanização intensifica ilhas de calor

O levantamento confirma que a substituição de áreas verdes por prédios, vias asfaltadas e estruturas de concreto favorece o fenômeno das ilhas de calor.

Entre os principais fatores observados:

  • Verticalização acelerada
  • Intenso tráfego de veículos
  • Redução da cobertura vegetal

Proximidade com áreas costeiras, como a Baía de Guanabara (no caso de São Cristóvão), que também influencia a dinâmica climática.

A Praça Saens Peña apareceu entre os pontos com temperaturas mais elevadas e menores índices de umidade.

Preservação é peça-chave

Segundo o professor Cleyton Martins, da UVA, que conduziu o estudo ao lado de Graciela Arbilla, da UFRJ, os dados reforçam a necessidade de:

  • Preservar áreas verdes consolidadas
  • Expandir a arborização urbana
  • Investir em políticas públicas ambientais
  • Planejar o crescimento urbano de forma sustentável

O estudo utilizou séries históricas de estações meteorológicas instaladas nos bairros analisados, considerando:

  • Médias de temperatura
  • Valores máximos e mínimos
  • Índices de umidade

Quanto menor a presença de áreas verdes, maior o calor e menor o conforto térmico. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, preservar o verde não é apenas questão ambiental, é também qualidade de vida.