Conforme o modelo híbrido ganhou força, os funcionários passaram a ir até o escritório para tomar café e bater-papo com o time e depois seguir o expediente de casa. A prática conhecida como “coffee badging”, está longe de ser apenas um modismo.
Alguns enxergam como descompromisso, outros, uma maneira estratégica de manter vínculos com a empresa sem perder a produtividade.
Produtividade e autonomia
O “coffee badging” representa uma adaptação à nova lógica do trabalho. “Se tudo pode ser feito remotamente e, ainda assim, as pessoas escolherem ir até o escritório, é porque a interação social importa”, afirma a psicóloga Milena Brentan a revista Exame.
A cultura organizacional se fortalece nas conversas informais, nos encontros espontâneos e nos momentos que não estão na pauta da reunião. “Tanto que muitas empresas 100% remotas organizam encontros presenciais semestrais ou anuais para manter a conexão”, afirma Brentan.
Além disso, o fenômeno indica algo mais profundo: a busca por produtividade e autonomia. “Tem agenda que pede concentração, silêncio, privacidade — s isso nem sempre o escritório oferece. O coffee badging não é sobre fugir do trabalho, é sobre adaptar a rotina ao que faz mais sentido”.
Como a imagem profissional é afetada?
Isso vai depender da cultura da empresa. Em lugares onde a presença física é bastante enraizada, a percepção pode ser de falta de engajamento. Já em ambientes mais maduros, a prática pode ser vista como gestão inteligente do tempo.
Especialista em carreira e neurociência, Andreia Deis, afirma que a forma como o comportamento é recebido depende diretamente da cultura organizacional e de liderança imediata.
“Se o líder valoriza ‘bater o ponto’ como sinônimo de produtividade, a prática será mal vista. Mas se há foco em entregas, ‘coffee baging’ pode até reforçar a imagem de um funcionário autônomo e bem resolvido”, explicou a especialista para a revista Exame.
Ambiente atrativo para os funcionários
O fenômeno ainda divide opiniões. Algumas empresas que já abraçaram o modelo híbrido com mais naturalidade, a prática pode ser vista com bons olhos.
“É uma forma de manter conexão com o time, sem abrir mão da produtividade individual”, diz. Por outro lado, em culturas mais tradicionais, pode gerar ruídos sobre o comprometimento do funcionário.
As duas fontes afirmam que om ponto central não é controlar a presença dos funcionários, mas criar uma experiência que torne o ambiente de trabalho atrativo o suficiente para que os funcionários queiram estar por perto.
**Texto com informações da revista Exame.
