“Estados Unidos do Brazil”: por que o bolsonarismo força aproximações com os EUA?

Identificação ideológica, combate ao comunismo e estratégias de comunicação ajudam a explicar a aproximação entre setores da direita brasileira e os Estados Unidos; especialistas apontam tensões entre o alinhamento político e a defesa da soberania nacional

Flávio Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal a entregar documentos de viagem (Foto: Senado Federal)

A oposição ao comunismo é outro elemento que ajuda a explicar a aproximação entre setores do bolsonarismo e o trumpismo./ Foto: Senado Federal

A recente carta divulgada por Flávio Bolsonaro, que sofreu alterações depois de sua primeira versão, gerou conversas, memes e debates nas redes. O senador se autointitulou “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e posteriormente “líder do Brasil” em um documento que chamava o país de “Estados Unidos do Brazil”, com z mesmo.

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Este nome foi o oficial do Brasil de 15 de novembro de 1889 (após a Proclamação da República) até 1968, quando foi substituído pela denominação atual, República Federativa do Brasil. Essa postura, chamada de golpista, inclusive por aliados, de contestar o resultado legítimo das eleições presidenciais de 2026, atacar as instituições democráticas e chamar o país pelo nome norte americano escancara um paradoxo que a família Bolsonaro cultiva há anos: o falso patriotismo que na verdade idolatra os Estados Unidos.

Qual a relação do bolsonarismo com os EUA?

A aproximação entre o bolsonarismo e os Estados Unidos, especialmente durante a presidência de Donald Trump, vai além das relações diplomáticas entre os dois países. A identificação envolve valores conservadores, símbolos patrióticos, estratégias de comunicação e uma visão compartilhada por setores da direita sobre o papel do Estado, a liberdade individual e o combate à esquerda.

Mas por que lideranças e apoiadores que defendem a soberania nacional e o patriotismo brasileiro demonstram tanta afinidade com um movimento político estrangeiro? Para especialistas ouvidos pela Gazeta de São Paulo, a resposta passa pela história da direita brasileira, pela influência cultural norte-americana e pela construção de uma identidade política que ultrapassa fronteiras.

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O fenômeno não significa que toda a direita brasileira compartilhe dessa identificação, nem que a relação entre Brasil e Estados Unidos se resuma ao bolsonarismo. A aproximação entre Jair Bolsonaro e Trump, porém, tornou mais visível a conexão entre movimentos conservadores de diferentes países e suas estratégias de mobilização.

Segundo Magno Karl, cientista político e diretor executivo do Livres, organização dedicada à defesa de ideias liberais, a aproximação combina afinidade ideológica e cálculo político. Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Políticas Públicas e doutorando em Ciência Política pela Universidade de Erfurt, na Alemanha, Karl também foi pesquisador do Instituto Cato, nos Estados Unidos, e coordenador político de bancada na Câmara dos Deputados.

“É a afinidade ideológica e cálculo estratégico reforçando um ao outro”, afirma.

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Na avaliação do cientista político, o discurso de enfrentamento à esquerda e às elites políticas aproxima os dois movimentos. A relação com Trump também pode oferecer reconhecimento internacional a lideranças brasileiras e funcionar como instrumento de disputa dentro da própria direita. Isso não significa, entretanto, que a proximidade necessariamente resulte em ganhos eleitorais fora do grupo de apoiadores que já compartilha dessa visão.

A relação entre a direita brasileira e os Estados Unidos começou antes de Bolsonaro

A identificação de setores da direita brasileira com os Estados Unidos não surgiu com Jair Bolsonaro nem com Donald Trump. Suas raízes remontam, entre outros fatores, à Guerra Fria, período em que Estados Unidos e União Soviética disputavam influência política, econômica e militar em diferentes regiões do mundo.

No Brasil, o anticomunismo tornou-se um elemento importante do discurso de setores militares, empresariais, religiosos e conservadores. Os Estados Unidos passaram a ser associados por esses grupos ao capitalismo, à força militar e à defesa de determinada ordem social.

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O professor Luciano Gomes dos Santos, docente de Ciências Sociais do Centro Universitário Arnaldo, em Belo Horizonte, explica que a aproximação atual retoma elementos dessa tradição, embora tenha adquirido novas características. Doutor em Teoria do Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), doutor em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), mestre em Teologia e licenciado em Ciências Sociais, Santos pesquisa questões relacionadas à sociedade, à política e à formação de valores.

“A aproximação entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, portanto, não representa uma ruptura com o passado, mas uma atualização dessa tradição”, afirma o professor.

Um dos marcos históricos desse relacionamento foi a crise política de 1964, quando o governo norte-americano apoiou opositores do então presidente João Goulart e preparou a Operação Brother Sam, que previa apoio logístico e militar aos grupos que se opunham ao governo brasileiro.

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Nas décadas seguintes, a identificação de setores conservadores com os Estados Unidos também passou a incorporar pautas relacionadas ao liberalismo econômico, ao conservadorismo religioso e à oposição a transformações culturais progressistas.

Na leitura de Santos, o que mudou nas últimas décadas foi a capacidade de articulação entre lideranças e públicos de diferentes países. A internet e as redes sociais passaram a facilitar a circulação de discursos, símbolos e estratégias políticas, aproximando movimentos que compartilham determinadas pautas, mesmo quando atuam em contextos nacionais distintos.

Isso não significa que todos os setores da direita brasileira tenham a mesma relação com os Estados Unidos. Há diferenças entre grupos liberais, conservadores, nacionalistas e movimentos de direita radical, assim como existem divergências entre os interesses diplomáticos dos dois países.

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Por que os Estados Unidos são vistos como referência por parte do bolsonarismo?

Para compreender essa identificação, é necessário considerar não apenas os interesses políticos, mas também o imaginário cultural associado aos Estados Unidos.

Filmes, músicas, produtos, modelos de consumo e referências de comportamento ajudaram a consolidar a imagem norte-americana como símbolo de prosperidade, autonomia e liberdade. Essa influência cultural, conhecida como soft power, ocorre quando um país exerce influência por meio de sua cultura, de seus valores e da atração que desperta em outras sociedades, e não apenas pela força econômica ou militar.

Vinícius Melo, cientista social, professor e pesquisador de cultura digital e análise política, avalia que essa imagem permanece presente no imaginário de parte da população brasileira. Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Alfenas e mestrando em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC (UFABC), Melo pesquisa as relações entre comunicação e tecnologia, incluindo os efeitos da inteligência artificial nas interações humanas, e integra a equipe de conteúdo e comunicação do Livres.

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“Os Estados Unidos representam até hoje um modelo de nação que simplesmente ‘deu certo’”, afirma Melo.

Segundo o pesquisador, a imagem de um país forte, autônomo e capaz de oferecer qualidade de vida ajuda a explicar por que referências norte-americanas são incorporadas por grupos brasileiros. Essa percepção, entretanto, não corresponde necessariamente a uma compreensão abrangente da sociedade dos Estados Unidos, que também enfrenta desigualdades, conflitos políticos e divergências sobre direitos e liberdades.

Melo destaca que a influência cultural norte-americana ajudou a naturalizar determinados padrões de vida e comportamento. Nesse contexto, o chamado sonho americano pode ser percebido por parte do público como um modelo desejável, sem que sejam necessariamente consideradas alternativas de organização econômica e social.

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A identificação com Trump acrescenta uma dimensão política a esse imaginário. Para determinados apoiadores de Bolsonaro, o presidente norte-americano representa uma liderança que defende valores tradicionais, critica adversários progressistas e utiliza símbolos patrióticos em seu discurso.

Santos observa que o slogan de Trump, Make America Great Again, que pode ser traduzido como “Fazer a América voltar a ser grande”, expressa uma narrativa de recuperação da grandeza nacional. Essa mensagem encontrou ressonância entre grupos brasileiros que também acreditam ser necessário recuperar valores tradicionais e combater o que consideram ameaças à identidade nacional.

O professor ressalta, porém, que a admiração é seletiva: ela se concentra em determinados símbolos e valores atribuídos aos Estados Unidos, e não necessariamente em toda a complexidade da sociedade norte-americana.

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O papel do anticomunismo e da identidade política

A oposição ao comunismo é outro elemento que ajuda a explicar a aproximação entre setores do bolsonarismo e o trumpismo. Embora o contexto internacional tenha mudado desde a Guerra Fria, o anticomunismo continua sendo mobilizado em discursos políticos contemporâneos, frequentemente associado à oposição à esquerda, ao progressismo e a determinadas transformações culturais.

Para Melo, esse discurso também funciona como mecanismo de identificação coletiva. Ao estabelecer um adversário comum, movimentos políticos podem reforçar o sentimento de pertencimento entre seus apoiadores e construir uma narrativa que conecta disputas nacionais a uma batalha ideológica internacional.

O pesquisador afirma que a aproximação entre os movimentos passa pela oposição ao que seus integrantes identificam como progressismo, wokismo ou transformações culturais contrárias aos seus valores. Essas expressões são utilizadas por diferentes grupos da direita para criticar pautas ligadas à diversidade, à identidade e às mudanças sociais.

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Na avaliação de Melo, a conexão entre trumpismo e bolsonarismo não depende apenas da concordância com propostas econômicas ou políticas específicas. Ela também envolve uma identificação afetiva, construída a partir da percepção de que os dois movimentos enfrentam adversários semelhantes.

O mecanismo pode ser compreendido pela maneira como identidades políticas são formadas. Quando um grupo se reconhece por valores compartilhados e pela oposição a determinados adversários, acontecimentos ocorridos em outro país podem passar a ser interpretados como parte de uma disputa que também envolve sua própria realidade.

Essa conexão, entretanto, não significa que as duas sociedades sejam iguais ou que todos os apoiadores de Trump e Bolsonaro compartilhem as mesmas motivações. A aproximação precisa ser analisada considerando as diferenças históricas, institucionais e culturais de cada país.

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As plataformas digitais desempenham um papel importante na circulação de discursos políticos e na construção de comunidades que ultrapassam fronteiras nacionais. Vídeos, publicações, transmissões e manifestações de lideranças estrangeiras podem ser compartilhados por influenciadores, políticos e apoiadores brasileiros, fazendo com que determinados acontecimentos nos Estados Unidos sejam incorporados ao debate político nacional.

Olavo de Carvalho começou a linguagem que identificamos hoje como estratégia bolsonarista

Melo destaca que a aproximação entre o bolsonarismo e a chamada nova direita brasileira também tem antecedentes intelectuais. Ele aponta o escritor e influenciador Olavo de Carvalho, que viveu durante muitos anos nos Estados Unidos, como uma das figuras que contribuíram para conectar Bolsonaro ao ambiente político e cultural norte-americano.

Segundo o pesquisador, Carvalho ajudou a difundir uma linguagem política que permanece presente em setores bolsonaristas e reacionários. Essa linguagem combina oposição ao comunismo, críticas a instituições e rejeição a determinadas correntes culturais progressistas.

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O pesquisador também chama a atenção para uma diferença entre o discurso público e a prática política. Embora Trump e Bolsonaro tenham utilizado mensagens relacionadas à liberdade e à oposição às elites, Melo observa que ambos também recorreram ao poder do Estado para implementar medidas alinhadas aos próprios interesses políticos.

A contradição ajuda a explicar por que o discurso não deve ser analisado isoladamente. Para compreender um movimento, é necessário observar tanto as ideias que ele apresenta aos apoiadores quanto as decisões que toma quando ocupa posições de poder.

Karl, por sua vez, destaca que a aproximação entre movimentos conservadores de diferentes países também ocorre em espaços organizados de articulação internacional, como a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que reúne lideranças, ativistas e representantes de organizações de direita.

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“Entre bolsonarismo e trumpismo, aparecem a centralidade da liderança e um discurso que opõe o povo a elites consideradas responsáveis por retirar dele o controle das decisões”, afirma.

Na análise do cientista político, essa narrativa pode se tornar problemática quando uma liderança passa a reivindicar exclusividade na representação do povo, tratando os adversários como participantes ilegítimos da disputa democrática.

Karl ressalta que o conservadorismo democrático pressupõe a possibilidade de alternância no poder e o respeito aos direitos de grupos com posições políticas diferentes. Por isso, a proximidade ideológica entre movimentos precisa ser analisada também pela forma como cada um se comporta diante das instituições democráticas.

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As tarifas de Trump contra o Brasil expuseram os limites da aliança

Um episódio que ajuda a compreender essa tensão ocorreu em julho de 2025, quando Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Na justificativa apresentada pelo governo norte-americano, a situação judicial de Jair Bolsonaro e questões relacionadas à liberdade de expressão e à atuação de instituições brasileiras apareceram entre os argumentos para a medida.

O caso demonstrou que a proximidade ideológica entre lideranças não impede o surgimento de conflitos econômicos e diplomáticos. As tarifas afetaram o relacionamento comercial entre os países e levantaram preocupações sobre os efeitos para exportadores brasileiros e trabalhadores ligados aos setores atingidos.

Karl destaca que os interesses de um governo estrangeiro não são necessariamente os mesmos de seus aliados políticos em outros países. “Trump negocia a partir de interesses americanos, que podem entrar em choque com os de setores brasileiros, mesmo quando há afinidade política”, afirma.

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Para o cientista político, esse episódio evidencia o risco de vincular a relação entre dois países à trajetória política de determinadas lideranças. Quando as relações diplomáticas são conduzidas com base principalmente na proximidade pessoal ou ideológica, mudanças de governo ou divergências de interesse podem reduzir a margem de negociação.

O episódio também permite separar o eventual benefício político que uma liderança brasileira pode obter da proximidade com Trump dos custos que medidas comerciais norte-americanas podem impor a empresas e trabalhadores brasileiros.

A política externa, nesse sentido, envolve interesses mais amplos do que a identificação entre partidos ou líderes. Mesmo governos ideologicamente próximos podem divergir sobre comércio, tarifas, investimentos, segurança e prioridades diplomáticas.

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A aproximação com Trump ainda mobiliza a direita brasileira?

A identificação com Trump continua sendo um elemento relevante para setores do bolsonarismo, mas seu significado político depende das circunstâncias e dos resultados associados a essa relação.

Melo avalia que a associação já funcionou como estratégia de mobilização, mas aponta sinais de desgaste relacionados aos custos econômicos e às tensões em torno da soberania brasileira. Em sua análise, a percepção de que interesses pessoais ou partidários podem se sobrepor aos interesses nacionais tende a criar dificuldades para a sustentação dessa identificação.

O pesquisador também considera que movimentos políticos muito dependentes de uma liderança individual enfrentam desafios quando a figura central deixa de oferecer resultados concretos aos apoiadores. Nesse cenário, a construção de novas referências políticas e a capacidade de apresentar respostas para problemas cotidianos podem influenciar a continuidade da mobilização.

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Karl faz uma distinção importante: a aproximação com Trump pode reforçar a identidade de um grupo sem necessariamente ampliar seu apoio entre pessoas que não compartilham dos mesmos valores. O reconhecimento internacional pode ter peso para os apoiadores mais identificados com o movimento, mas seus efeitos eleitorais precisam ser demonstrados, e não presumidos.

O cientista político também ressalta que a direita brasileira não é homogênea. Existem correntes liberais, conservadoras e nacionalistas que podem concordar em determinadas pautas e divergir sobre a relação com os Estados Unidos, o papel do Estado e a política externa.

Santos, por sua vez, destaca que a circulação internacional de símbolos e discursos não elimina as particularidades brasileiras. A sociedade nacional possui uma trajetória própria, marcada por desigualdades, disputas políticas e diferentes interpretações sobre liberdade, religião, patriotismo e democracia.

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A aproximação entre bolsonarismo e trumpismo, portanto, pode ser compreendida como parte de uma articulação política internacional, mas não como uma relação capaz de explicar sozinha todas as posições da direita brasileira.

O que essa relação revela sobre a política brasileira?

A conexão entre setores do bolsonarismo e os Estados Unidos mostra como as identidades políticas contemporâneas podem ser construídas para além das fronteiras nacionais. Símbolos, valores, discursos e estratégias de comunicação circulam internacionalmente e passam a integrar disputas políticas locais.

A história ajuda a explicar por que os Estados Unidos ocupam esse lugar no imaginário de parte da direita brasileira. A influência cultural norte-americana, o anticomunismo e a aproximação entre lideranças conservadoras criaram uma base para a identificação que ganhou novas dimensões com Trump e Bolsonaro.

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Ao mesmo tempo, a relação revela os limites do alinhamento ideológico. Afinidade entre líderes não garante que os interesses econômicos e diplomáticos de seus países sejam sempre coincidentes, como demonstraram as tarifas anunciadas pelo governo norte-americano em 2025.

Para Karl, a política externa brasileira precisa ser avaliada pelos resultados que oferece ao país, e não apenas pela proximidade entre lideranças. Isso envolve preservar a capacidade de negociação, manter relações institucionais e reconhecer que aliados ideológicos podem adotar medidas contrárias aos interesses brasileiros.