Lei antiflanelinha completa 8 anos em SP sem nunca ter sido aplicada

Norma prevê punições para cobrança irregular de estacionamento, mas não saiu do papel desde que foi sancionada

Lei sancionada em 2018 proíbe coação por flanelinhas, mas nunca foi aplicada em São Paulo.

Lei sancionada em 2018 proíbe coação por flanelinhas, mas nunca foi aplicada em São Paulo. | Reprodução/CMPA

Sancionada há oito anos na cidade de São Paulo, a lei ‘antiflanelinha’ que prevê punições para a cobrança irregular por vagas nas ruas nunca foi efetivamente aplicada. Na prática, a falta de fiscalização e de autuações mantém a norma fora da rotina da cidade.

Após oito anos da sanção em São Paulo, a lei municipal que proíbe coação ou ameaça por flanelinhas não foi regulamentada, e a prefeitura não aplicou nenhuma multa. A legislação prevê punição administrativa, mas segue sem efetividade.

A Prefeitura de São Paulo não aplicou, sequer uma vez, a lei municipal que proíbe a atuação dos chamados “flanelinhas”, guardadores e lavadores autônomos de veículos mesmo oito anos após sua sanção. 

O que a lei diz

Segundo artigo da Lei Municipal nº 16.816/2018, é vedado a quem exerce atividade de guardador ou lavador de veículo “ameaçar ou coagir, de qualquer forma, o motorista a contratar os seus serviços ou dar remuneração” e “sugerir qualquer espécie de preço tabelado ou que não fique à livre escolha do motorista”. 

Teoricamente, flanelinhas que coagem motoristas ou criam preços “sugeridos” poderiam ser multados em R$ 1.500 conforme a lei, mas isso depende de uma regulamentação do poder executivo que nunca foi editada.

Situação na prática

Sem a regulamentação, a prefeitura não dispõe de mecanismos para aplicar a lei. Não há registro de multas impostas com base na norma desde a sua sanção.

Consultas via Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que não existe uma base de dados de penalizações criada para esse fim, porque a legislação ainda aguarda decreto regulamentador.

No cotidiano da cidade, a atuação de flanelinhas permanece visível em muitas regiões. Mesmo onde há fiscalização eventual, a falta de aplicação da lei municipal limita a atuação do poder público para coibir práticas abusivas, como a cobrança por vagas na via pública.

Em reportagens anteriores, havia registro de operação contra flanelinhas que cobram por vagas, mas sem multar ou aplicar a penalidade prevista na lei.

Porque a lei não é aplicada?

A legislação depende de regulamentação por decreto para detalhar como será a fiscalização, qual órgão será responsável e o procedimento para aplicação das multas.

Apesar de ter sido sancionada por prefeitos sucessivos desde 2018, nenhum decreto foi publicado para operacionalizar a lei. 

Sem esse instrumento, agentes públicos não têm uma base normativa clara para multar ou autuar guardadores de carros que atuam de forma irregular ou coercitiva.

Debate e propostas

Além da lei municipal, há iniciativas legislativas em outras cidades. Por exemplo, há um projeto que pode dar fim a flanelinhas em Santos, mostrando que o tema está em discussão em outras esferas municipais.

Em âmbito federal, o Projeto de Lei 239/25 propõe tipificar como extorsão a cobrança que envolve coação e ameaças, prevendo pena de dois a oito anos de reclusão e multa. 

Críticos argumentam que sem regulamentação e fiscalização efetivas, a lei de São Paulo se torna letra morta, mantendo motoristas vulneráveis a abordagens que, embora vedadas, continuam ocorrendo nas ruas. 

O que motoristas precisam saber

  • Estacionar em via pública sem pagar “gorjeta” aos flanelinhas é um direito do motorista;
  • Qualquer coação ou ameaça pode configurar crime, mesmo sem aplicação da lei municipal específica;
  • Registros policiais podem ser feitos em situações de constrangimento ou extorsão.

Perguntas Frequentes

1- O que diz a lei antiflanelinha de São Paulo?

Proíbe flanelinhas de coagir motoristas a aceitar serviços ou sugerir preços, mas depende de regulamentação para aplicação. 

2- Ela já foi aplicada alguma vez?

Não. Em oito anos desde a sanção, não há registro de aplicação ou multas baseadas na lei. 

3- Por que a lei não funciona?

Porque a prefeitura nunca regulamentou a lei com decreto que permita operacionalizar a fiscalização e as multas.