Nem o vácuo do espaço mata: por que o tardígrado intriga a ciência

Microscópico e quase indestrutível, o tardígrado resiste a condições extremas que seriam fatais para quase qualquer outro animal

Os tardígrados podem ser considerados o Chuck Norris do mundo real

Os tardígrados podem ser considerados o Chuck Norris do mundo real | YouTube

Uma barata sobreviveria a uma bomba nuclear? Provavelmente não. Ainda assim, elas carregam a fama de serem quase imortais. Essa reputação, no entanto, deveria pertencer a outro animal: os tardígrados.

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Os tardígrados, conhecidos popularmente como “ursos-d’água”, são considerados os animais mais resistentes já estudados pela ciência. Microscópicos e multicelulares, eles conseguem sobreviver a condições extremas que seriam fatais para quase qualquer outra forma de vida na Terra.

De volta aos holofotes

O interesse por esses organismos voltou após o acidente da sonda israelense Beresheet, em 2019. A nave carregava milhares de tardígrados e se chocou contra a Lua, levantando a hipótese de que esses animais poderiam ter resistido ao impacto e às condições do espaço.

Experimentos científicos reforçam essa possibilidade. Em 2007, tardígrados foram enviados à órbita da Terra e expostos ao vácuo espacial e à radiação solar intensa. Ao retornarem, muitos sobreviveram, tornando-se os únicos animais conhecidos capazes de resistir diretamente ao ambiente do espaço.

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Mas como eles fazem isso?

A principal explicação para essa resistência extrema está na criptobiose, um estado em que o tardígrado reduz seu metabolismo a quase zero. Nesse modo, o animal perde quase toda a água do corpo, encolhe e entra em uma espécie de hibernação profunda, sem envelhecer ou realizar funções vitais.

Existem diferentes tipos de criptobiose, ativados por estresses como desidratação, frio extremo, falta de oxigênio, mudanças na salinidade e presença de toxinas. Essa capacidade permite que o tardígrado sobreviva a temperaturas próximas do zero absoluto, altas doses de radiação e longos períodos sem água.

Mesmo fora da criptobiose, esses animais apresentam mecanismos avançados de proteção celular. Pesquisas identificaram proteínas capazes de proteger o DNA contra danos causados pela radiação, além de sistemas altamente eficientes de reparo genético, muito superiores aos observados em humanos.

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Essas características tornam os tardígrados objetos valiosos de estudo científico. Pesquisadores investigam aplicações práticas de seus mecanismos de sobrevivência, como a preservação de vacinas, tecidos e órgãos sem refrigeração, além de possíveis avanços no tratamento de doenças e na exploração espacial.

Além do impacto tecnológico, os tardígrados também têm papel ecológico importante. São considerados bioindicadores ambientais e espécies pioneiras, capazes de colonizar ambientes inóspitos e indicar a qualidade de ecossistemas aquáticos e terrestres.