Nova análise científica levanta dúvidas sobre os reais efeitos do gengibre e da cúrcuma na saúde

Gengibre e cúrcuma dão sabor e aroma aos pratos, mas a ciência ainda investiga seus reais benefícios

Estudos indicam efeitos promissores, porém faltam dados sobre dosagem ideal e segurança no longo prazo

Estudos indicam efeitos promissores, porém faltam dados sobre dosagem ideal e segurança no longo prazo | Freepik

Abrir o armário de temperos pode ser o começo de uma viagem sensorial. Especiarias mudam aroma, equilibram acidez e acrescentam notas terrosas, picantes ou florais. 

Ricas em compostos aromáticos, essas iguarias ajudam a proteger a planta contra fungos, bactérias e predadores. 

Curiosamente, várias delas agradam ao paladar humano e passaram a fazer parte de diferentes tradições alimentares.

Possíveis efeitos no organismo

Além do uso gastronômico, espalhou-se a ideia de que especiarias trazem benefícios à saúde. Por isso, nos últimos anos, pesquisadores têm tentado entender até que ponto essas propriedades são reais ou foram ampliadas sem base sólida.

Entre as mais populares estão gengibre e cúrcuma. Ambas são raízes asiáticas presentes em receitas e bebidas. Hoje também aparecem com frequência em sucos, chás e infusões.

O que a ciência sabe sobre o gengibre

O gengibre, originário do sul da Ásia, é usado há séculos como ingrediente culinário e remédio tradicional para dor, náusea e vômito. Seu aroma vem de compostos como zingibereno, linalol e geraniol.

Uma meta-análise de 2020 publicada na National Library of Medicine, conduzida por pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, reuniu mais de 100 estudos sobre os possíveis benefícios do gengibre.

Segundo a pesquisa, a raiz pode ajudar em náuseas, melhorar a função gastrointestinal, reduzir dor e inflamação e influenciar marcadores ligados a síndromes metabólicas e ao câncer colorretal.

Ainda assim, os resultados têm limitações importantes. As quantidades usadas nos estudos variam de poucos miligramas a vários gramas, o que dificulta estabelecer uma dose ideal.

Além disso, muitos ensaios envolveram grupos reduzidos e, em alguns casos, não incluíram grupo de controle. Por isso, pesquisadores defendem estudos maiores e com metodologia mais rigorosa para confirmar os efeitos observados.

Cúrcuma também está sob análise

Já a cúrcuma, conhecida como açafrão-da-índia, é consumida fresca ou em pó e dá cor e sabor terroso aos pratos. Seus principais compostos incluem turmerona, ar-turmerona e curcumina.

Pesquisas associam o consumo à melhora do perfil lipídico em adultos com doenças metabólicas. O ingrediente também é usado em novas pesquisas para o tratamento do Parkison.

Também há interesse em possíveis efeitos cardiovasculares e neuroprotetores. Ainda assim, como ocorre com o gengibre, as evidências quanto a quantidade benéfica são limitadas.

Ainda vale a pena consumir?

Para quem deseja sair da rotina na cozinha, a resposta é sim. Explorar novos temperos amplia as possibilidades, transforma preparos simples e evita que as refeições caiam na mesmice.

Além disso, muitos estão disponíveis no próprio jardim de casa, o que facilita o consumo de muitos brasileiros.

Quando a intenção é medicinal, porém, o cuidado precisa ser maior. Ainda não há consenso sobre dose segura nem sobre o tempo ideal de consumo. 

Pesquisas em nutrição são longas e cheias de variáveis. Até que surjam evidências mais robustas, vale priorizar o uso culinário e manter a moderação.