Na hora de arrumar a mala para uma viagem de trabalho com parada na Oktoberfest, em Munique, José Luiz Franzotti não pensou duas vezes. Em vez da roupa típica bávara, separou a camisa verde e amarela do Mirassol.
O economista e empresário, que dirige há quase 50 anos a fabricante de bebidas Poty, saiu do interior paulista direto para a maior festa da cerveja do mundo. A única fantasia que levou foi o uniforme do time do coração, a 450 quilômetros da capital paulista.
A cena, que parecia banal, virou ponto de virada naquela noite. A cada brasileiro que cruzava o caminho de Franzotti na Oktoberfest, vinha junto um pedido de foto, um comentário sobre o clube e uma pergunta curiosa sobre o patrocinador estampado no peito.
Do interior ao faturamento bilionário
A história que nasceu no campo e ganhou força nas arquibancadas agora aparece também no balanço da empresa. Em 2025, a Poty rompeu a barreira de 1 bilhão de reais em receita e alcançou cerca de 1,1 bilhão em faturamento, impulsionada pela exposição no futebol.
A visibilidade não veio por acaso. A Poty mantém o patrocínio máster do Mirassol há 18 anos, em um mercado em que grandes clubes trocam de marcas a cada nova oferta. A parceria começou quando o time ainda brigava por espaço em divisões menores e seguiu firme até a chegada à Série A.
Com a campanha histórica no Brasileirão, o Mirassol furou o eixo Rio-São Paulo tradicional e virou um dos times mais comentados da temporada. Em 2025, o clube garantiu vaga na Libertadores e chamou a atenção de transmissões de TV, redes sociais e novos patrocinadores.
Enquanto casas de apostas passaram a dominar o espaço mais nobre das camisas de quase todos os clubes da Série A, o Mirassol decidiu manter a lealdade à Poty. Mesmo recebendo propostas mais altas, o time não trocou o patrocinador principal.
Como o futebol virou a vitrine perfeita
A combinação de história local, identidade regional forte e bom momento em campo criou o cenário ideal para a Poty. A marca saiu dos supermercados do interior direto para as grandes transmissões de futebol, com aparições constantes em jogos, entrevistas e posts sobre o time.
Segundo reportagem publicada pela revista Exame, a maior parte do faturamento da Poty ainda vem das marcas próprias, mas o esporte se tornou o principal canal para fortalecer esse portfólio e construir valor de longo prazo.
Franzotti começou apoiando o Mirassol por uma relação pessoal, ligada ao território e aos parceiros da região. Com o tempo, entendeu que o futebol conversava com valores que a empresa queria reforçar: família, saúde, convivência e momentos de celebração.
- Parceria máster com o Mirassol desde 2007.
- Time sensação do Brasileirão de 2025, com vaga na Libertadores.
- Receita estimada em cerca de 1,1 bilhão de reais em 2025.
- Exposição crescente em TV, redes sociais e noticiário esportivo.
O clube improvável e a marca que não saiu da camisa
No último Brasileirão, apenas dois times da Série A não tinham uma casa de apostas como patrocinadora máster: Mirassol e Red Bull Bragantino. O clube do interior optou por seguir na contramão do mercado e preservar a parceria com a empresa local de refrigerantes.
A decisão reforçou a narrativa de “time diferente” e aproximou ainda mais torcedores da marca. Em um campeonato marcado por cifras milionárias, a história do Mirassol e da Poty ganhou espaço justamente por unir lealdade, crescimento e um toque de romantismo no futebol.
Da camisa usada por Franzotti em uma noite de festa na Alemanha à vaga na Libertadores, a jornada virou exemplo de como um patrocínio de longa data pode se transformar em estratégia de marca poderosa. Para a Poty, o gol de placa veio tanto dentro das quatro linhas quanto no caixa da empresa.


