Uma tendência chamada “sleepmaxxing” está viralizando nas redes sociais com promessas de noites de sono perfeitas. De fitas adesivas na boca a métodos bizarros e arriscados, especialistas alertam que a moda pode ser perigosa e até fatal.
O sleepmaxxing consiste em usar truques e produtos para supostamente melhorar a qualidade do sono. Máscaras para os olhos, fitas adesivas na boca e cobertores pesados estão entre as práticas divulgadas por influenciadores no TikTok e X.
Métodos perigosos e fatais
Algumas técnicas extrapolam o bom senso, como pendurar-se pelo pescoço com cordas ou cintos. Um vídeo no X, com mais de 11 milhões de visualizações, afirma que o método combate insônia. No entanto, já houve relato de morte na China ligada à prática.
Especialistas rebatem a moda
Para Timothy Caulfield, especialista da Universidade de Alberta, essas técnicas são “ridículas, potencialmente prejudiciais e sem evidências”. Ele alerta que as redes sociais podem normalizar ideias perigosas com grande velocidade.
Um dos truques mais populares é colar a boca para dormir, alegando benefícios como melhora da respiração nasal e redução do ronco. Mas estudo da Universidade George Washington concluiu que não há comprovação científica e que a prática pode ser arriscada.
Efeitos colaterais para quem já tem problemas
Kathryn Pinkham, especialista britânica em insônia, afirma que essas dicas podem ser prejudiciais para quem sofre com distúrbios do sono. “Quanto mais tentamos controlar o sono com truques, mais estressados ficamos — e mais difícil é dormir.”
Segundo Eric Zhou, da Escola Médica de Harvard, o sleepmaxxing pode contribuir para a ortosonia — ansiedade causada pela busca do “sono perfeito”. Ele lembra que até quem dorme bem varia de noite para noite, e que a perfeição é inalcançável.
Mais estética que saúde
Grande parte das postagens prioriza aparência física, associando-se ao “looksmaxxing”. Influenciadores aproveitam a tendência para vender produtos como fitas para a boca, pós para bebidas e gomas com melatonina, proibida sem receita em alguns países.
Especialistas alertam que muitos usuários podem sentir melhorias apenas pelo efeito placebo. A Academia Americana de Medicina do Sono não recomenda melatonina para tratar insônia em adultos devido à eficácia inconsistente.
Pinkham reforça: “Muitas dessas dicas vêm de não especialistas e não são baseadas em evidências clínicas. Para quem tem problemas reais de sono, o conselho acaba acrescentando pressão, não solução”.
