Tomar multivitamínicos diariamente não ajuda a viver mais e pode até elevar o risco de morte precoce, segundo um estudo americano com quase 400 mil adultos.
A pesquisa, publicada na Jama Network, revelou que usuários desses suplementos tiveram mortalidade 4% maior nos primeiros anos de acompanhamento.
O mercado global de multivitamínicos movimenta bilhões, mas a ciência questiona seus benefícios. “O uso para melhorar a longevidade não é apoiado”, afirmam os autores.
Como o estudo foi realizado
Pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer dos EUA analisaram dados de três grandes estudos iniciados nos anos 1990. Participaram 390,1 mil adultos saudáveis, monitorados por mais de 20 anos.
O objetivo era verificar se os suplementos reduziam o risco de morte. Resultado: não houve benefício, e usuários tiveram leve aumento na mortalidade.
Riscos escondidos nos suplementos
Além de não prolongarem a vida, multivitamínicos podem causar danos. O ferro, por exemplo, em excesso, eleva riscos de diabetes e demência.
“Suplementos de betacaroteno aumentam chances de câncer de pulmão”, alerta o estudo. Em contraste, obter nutrientes direto dos alimentos traz proteção natural.
Quando vitaminas são úteis
“Vitaminas ajudam em casos específicos”, explica o Dr. Neal Barnard, coautor do estudo. Vitamina C evitou escorbuto em marinheiros, e zinco retarda degeneração macular.
Para quem tem deficiências, como veganos (vitamina B12) ou moradores de países com pouco sol (vitamina D), suplementos são válidos. Mas não substituem uma dieta balanceada.
O que fazer no lugar de multivitamínicos
“Comam alimentos saudáveis”, recomenda Barnard. Frutas, verduras e grãos oferecem nutrientes, fibras e antioxidantes sem riscos de sobrecarga.
“Suplementos prometem demais e entregam de menos”, completa. A chave está no prato, não no comprimido. Priorize variedade e moderação para viver bem e por mais tempo.
