Casal compra pântano para evitar obras e, anos depois, a área vira refúgio com 275 cegonhas nos EUA

Terreno foi comprado para impedir a urbanização e acabou se tornando habitat para centenas de aves. 

Mudança histórica altera o cenário e gera repercussão entre especialistas e autoridades. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Em vez de permitir que um pântano fosse ocupado por novas construções, um casal decidiu comprar a área e preservar o ambiente. Anos depois, o terreno próximo a Tallahassee, na Flórida, se transformou em um refúgio de vida selvagem com centenas de aves.

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A história envolve o biólogo aposentado Jim Stevenson e a fotógrafa de natureza Tara Tanaka. Em 2007, os dois compraram um pântano de ciprestes de cerca de 18 hectares que ficava ao lado da propriedade onde moravam. A intenção era impedir que o local fosse alterado pelo avanço imobiliário.

Com o tempo, a área passou a funcionar como um santuário particular. O local ganhou importância especialmente pela presença do cabeça-seca, espécie conhecida em inglês como wood stork, que utiliza áreas alagadas para alimentação e reprodução.

Centenas de aves

Em 2022, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos registrou 275 cabeças-secas fazendo ninhos no local. A espécie divide o ambiente com outras aves, como garças-azuis, garças-brancas, garças-azuis-pequenas e garças-verdes. Patos, anhingas e outras aves aquáticas também aparecem na região.

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A presença dos animais não se limita às aves. Segundo o órgão americano, o pântano também abriga jacarés, lontras, castores, raposas, guaxinins, coiotes e coelhos-do-pântano.

O ambiente, portanto, deixou de ser apenas uma área alagada próxima de uma zona urbana. Passou a funcionar como um espaço onde diferentes espécies encontram condições para viver e se reproduzir.

Trabalho feito à mão

A preservação exigiu mais do que simplesmente manter o terreno sem construções. Stevenson passou a trabalhar diretamente no manejo do pântano.

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Antes mesmo da compra, ele já entrava no local de canoa para retirar manualmente árvores invasoras que prejudicavam as áreas usadas pelas aves para buscar alimento. Depois, continuou realizando ações para manter o equilíbrio do ambiente.

Em determinados pontos, a vegetação acumulada nas ilhas flutuantes ameaça reduzir os espaços de água aberta. Quando isso acontece, equipamentos são utilizados para remover o excesso de plantas.

O casal também mantém uma área utilizada pelos jacarés. A presença desses animais ajuda a afastar guaxinins, que podem alcançar os ninhos das aves e atacar ovos e filhotes.

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Proteção permanente

A preocupação com o futuro do terreno levou o casal a adotar uma proteção jurídica. Em 2016, a propriedade recebeu uma servidão de conservação permanente por meio da Apalachee Land Conservancy.

O mecanismo restringe alterações no terreno e impede que o espaço seja transformado futuramente para atividades incompatíveis com a conservação. A área continua privada, mas passa a contar com proteção voltada à preservação do habitat.

A experiência também ganhou atenção porque mostra como propriedades particulares podem contribuir para a proteção de espécies e áreas úmidas. O próprio Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA destaca a importância dos proprietários privados na recuperação de habitats usados pelo cabeça-seca.

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No terreno que poderia ter seguido o caminho da urbanização, o cenário acabou sendo outro. Água, árvores e vegetação passaram a dividir espaço com centenas de aves e uma variedade de animais que encontraram ali condições para permanecer.