Um abraço antes do prato: cientistas revelam o segredo dos chimpanzés para evitar brigas na hora da comida

Cientistas observaram chimpanzés e bonobos trocando gestos de afeto antes de momentos de competição por alimento

Estudo revela como o contato físico entre os primatas ajuda a fortalecer vínculos e pode favorecer uma convivência mais tranquila (Foto: Pexels)

Estudo revela como o contato físico entre os primatas ajuda a fortalecer vínculos e pode favorecer uma convivência mais tranquila (Foto: Pexels)

A comida ainda nem tinha chegado, mas a tensão já estava no ar. Entre os chimpanzés e bonobos observados por pesquisadores, era justamente nesse instante que começavam os abraços, os toques, os afagos e até os beijos.

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Antes de dividir algo que todos queriam, eles pareciam reforçar os laços entre si. A cena chamou a atenção dos cientistas porque esses gestos aconteciam antes de momentos em que poderia haver competição.

Tudo acontecia antes da comida

Para entender o que estava acontecendo, pesquisadores observaram 116 chimpanzés e bonobos em cinco grupos, durante 60 sessões realizadas em dois santuários africanos.

Os animais eram colocados diante de um situação simples: precisavam permanecer juntos enquanto aguardavam a chegada de um quantidade limitada de comida.

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Era nesse intervalo que os pesquisadores prestavam atenção. Antes que o alimento fosse liberado, os primatas começavam a interagir. Um abraço aqui, um toque ali, um afago, um tapinha ou outro contato amigável.

Como se a conversa importante acontecesse antes da disputa.

Um abraço antes da competição

Quando a comida finalmente chegava, os cientistas observavam o que acontecia entre os animais. O resultado curioso, é que aqueles que apresentavam mais contatos amigáveis antes da alimentação tendiam a passar mais tempo comendo pacificamente ao lado dos outros.

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A descoberta levou os pesquisadores a considerar que esse gestos poderiam ajudar a diminuir a tensão antes que ela se transformasse em conflito.

Em vez de esperar a brigar começar, os animais pareciam usar o contato físico para fortalecer os vínculos e tornar aqueles momento de competição mais tranquilo.

E eles não ficavam apenas abraçados

O comportamento era mais variado do que parece. Os pesquisadores registraram abraços, beijos, afagos, tapinhas e diferentes formas de contato corporal.

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Entre os chimpanzés, também foram observados interações nas quais um animal colocava a mão ou os dedos na boca de outro. Em alguns momentos, os animais chegavam a formar uma espécie de “trem de abraços”, com um chimpanzé abraçando outro por trás.

Para os cientistas, esses contatos podem funcionar como sinais de tranquilizarão e ajudar a manter os vínculos dentro do grupo.

Bonobos e chimpanzés têm seus próprios jeitos

Embora as duas espécies apresentassem comportamentos semelhantes, havia uma diferença interessante. Entre os bonobos, eram principalmente as fêmeas que apresentavam mais contatos desse tipo antes da alimentação.

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Entre os chimpanzés, por outro lado, eram os machos que mais trocavam comportamentos de tranquilização com outros machos. A diferença acompanha a própria organização social dos dois grupos.

Entre bonobos, as alianças entre fêmeas têm papel importante na vida social. Nos chimpanzés, as relações entre machos também são fundamentais para a dinâmica do grupo.

O carinho não funcionava igual em todos os grupos

A história ficou ainda mais interessante quando os pesquisadores compararam os diferentes grupos observados. A relação entre os contatos físicos e uma convivência mais tranquila depois da chegada da comida não aparecia da mesma maneira em todos eles.

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O efeito era mais evidente nos grupos considerados socialmente mais tolerantes. Nos grupos com estruturas de liderança mais rígidas, esse padrão desaparecia.

Isso indica que o significado do contato físico pode depender também do ambiente social em que os animais vivem.

O estudo que observou os abraços

A pesquisa foi publicada em julho de 2026 na revista Proceedings of the Royal Society B e analisou se o contato físico antes de uma situação competitiva poderia favorecer a tolerância social.

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Os pesquisadores acompanharam os animais em dois santuários africanos, observando o comportamento antes e depois da chegada da comida. Durante as sessões, cada abraço, toque ou interação amigável fazia parte da observação para entender como os primatas lidavam com a competição dentro do próprio grupo.