Veja quais remédios não tomar em caso de suspeita de dengue

Dependendo do remédio ingerido enquanto o paciente estiver contaminado, o quadro da doença pode até piorar; especialista aponta quais medicamentos são contraindicados

Desde o início do ano, o Brasil registrou 1.038.475 casos prováveis de dengue e 258 mortes confirmadas pela doença

Mosquito transmissor da dengue, Aedes Aegypti | Divulgação/Fiocruz

Com o surto e os casos de dengue aumentando em todo o Brasil, com quase 400 mil somente neste ano, a atenção, a prevenção e o tratamento da doença são cada vez mais necessários. Porém, estar com dengue não significa que seja suficiente apenas sair tomando remédios para que a recuperação seja mais rápida. Pelo contrário: dependendo do remédio ingerido enquanto o paciente estiver contaminado, o quadro da doença pode até mesmo piorar.

Baseado nisso, a Gazeta conversou com a infectologista Claudia Mello (@infectologistaclaudiamello), do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, que explicou quais remédios são contraindicados em caso de suspeita de dengue. Saiba mais abaixo.

 

Aspirina não é indicada em caso de dengue

“Durante todo o tempo que um indivíduo está com dengue confirmada ou suspeita de dengue não é recomendado o uso de salicilatos, anti-inflamatórios não esteroides e corticosteroides”, iniciou a médica Claudia Mello.

“O salicilato mais comumente utilizado é o ácido acetilsalicílico (AAS), também conhecido como aspirina”, completou.

 

Ibuprofeno e mais outros medicamentos contraindicados

“Existem mais de 20 tipos de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), sendo alguns exemplos: diclofenaco, ibuprofeno, naproxeno e nimesulida. Os corticosteroides também são vários, sendo os mais frequentemente prescritos a prednisona e a dexametasona”, explicou a infectologista.

 

Por que não se deve usar nenhum destes remédios?

Esses três tipos de remédios são exemplos dos que não só não ajudariam no tratamento como seriam prejudiciais e capazes de piorar o quadro do contaminado.

“Essas três classes de medicamentos não devem ser utilizadas devido aos possíveis efeitos adversos durante o tratamento da dengue, principalmente pois atuam aumentando o risco das manifestações hemorrágicas (sangramentos) na dengue. Em vez disso, é recomendado procurar atendimento médico, onde será avaliada a prescrição de paracetamol e/ou dipirona, para dores ou febre”, disse.

 

O número de casos em janeiro deste ano já é o dobro do registrado no mesmo período de 2023, quando 3.299 infecções foram identificadasCasos de dengue têm aumentado no Brasil em 2024/ Elias Costa/Governo do RS

 

O que devo fazer em caso de estar com dengue?

“A dengue é uma doença febril aguda, cuja fase crítica inicia-se com a defervescência (declínio) da febre, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia do início da doença.  Para monitorar adequadamente a evolução da doença, é necessário agendar o retorno para reavaliação clínica no dia de melhora da febre, levando em consideração o possível início da fase crítica. Caso não haja defervescência, é recomendado retornar no quinto dia da doença para uma nova avaliação”, explicou Claudia.

A doutora afirma que, nesse estágio, é importante estar atento aos sinais de alarme, que são:

  • Dor abdominal intensa e contínua;
  • Vômitos persistentes;
  • Acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico);
  • Pressão baixa;
  • Fígado aumentado;
  • Sangramentos de mucosas (oral, anal);
  • Letargia e/ou irritabilidade.

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