Falar sobre saúde mental, bullying, violência doméstica ou gravidez na adolescência é um desafio que exige sensibilidade e, sobretudo, conexão real com o público jovem. Foi para romper essa barreira que o projeto “EduCan(tan)do – Prevenir ou Remediar?” desembarcou em São Paulo no fim de agosto.
A iniciativa apostou na força da arte como ferramenta de conscientização, substituindo o formato das palestras tradicionais por uma experiência performática, acolhedora e participativa.
Em sessões de até 60 minutos, o espetáculo transformou temas frequentemente cerceados por tabus em um ambiente de troca dinâmica. No palco, três artistas conduziram uma sequência de esquetes cômico-musicais que utilizaram uma linguagem acessível e que promoveu o engajamento com o público.
A montagem combinou música ao vivo, paródias de sucessos consagradas, truques de mágica e performances circenses.
Mais do que espectadores, os estudantes de 13 a 17 anos foram convidados a assumir o protagonismo da sessão, participando ativamente da construção do debate.
A cada apresentação, os próprios jovens ajudavam a definir os temas que foram abordados no palco, garantindo que o conteúdo estivesse em sintonia direta com suas angústias e realidades imediatas.
Entre os eixos temáticos trabalhados estiveram a gravidez na adolescência, a obesidade, o bullying, a violência doméstica, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e os cuidados com a saúde mental, questões que, embora centrais na vida dos adolescentes brasileiros, ainda enfrentam barreiras impostas pelo preconceito e pela desinformação.

Ao adotar o humor e o entretenimento, o projeto não minimizou a seriedade dos assuntos, pelo contrário, utilizou a leveza como um mecanismo estratégico para criar uma conexão genuína, desarmar resistências e fomentar o pensamento crítico.
O espetáculo se propôs a ser muito mais do que uma peça de teatro, mas um espaço de escuta ativa que encorajou o autocuidado, a empatia e a busca por ajuda. Ao integrar educação e arte, o projeto reafirma que conversar sobre saúde e bem-estar pode ser não apenas informativo, mas um exercício transformador de convivência.
“Acreditamos no poder transformador da cultura e na capacidade da arte de aproximar pessoas e inspirar mudanças. Ao apoiar o projeto ‘EduCan(tan)do – Prevenir ou Remediar?’, reforçamos nosso compromisso com iniciativas que promovem conhecimento, bem-estar e o desenvolvimento das novas gerações”, afirma Júlio Luiz Marques, diretor da Viação Santa Brígida.
Realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto “EduCan(tan)do – Prevenir ou Remediar?” tem produção da Luar ao Avesso, apoio da Incentivar e Altia e Komedi Projetos, com patrocínio da Viação Santa Brígida e é realizado pelo Ministério da Cultura.
