Após mais de uma década de atrasos e com um investimento bilionário, o governo de São Paulo anunciou a inauguração parcial do Rodoanel Norte.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta quinta-feira (18/12) que o primeiro trecho será entregue na próxima segunda-feira (22/12), 13 anos depois do início das obras.
O trecho liberado terá 26 quilômetros, ligando as rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra, e faz parte de um projeto que já consumiu quase R$ 3,4 bilhões apenas no trecho Norte. A obra, inicialmente prevista para 2014, enfrentou diversas paralisações, revisões e problemas técnicos.
Investimento bilionário e concessão de longo prazo
O custo total do trecho Norte soma R$ 3,4 bilhões, sendo R$ 1,35 bilhão em recursos públicos estaduais e cerca de R$ 2 bilhões investidos pela concessionária Via Ápia. Em troca, a empresa poderá explorar comercialmente a via por 31 anos.
Quando totalmente concluído, o Rodoanel Norte terá 44 km de extensão, atravessando os municípios de São Paulo, Guarulhos e Arujá. Os 18 km restantes têm previsão de entrega apenas em setembro de 2026. Com isso, o Rodoanel passará a ter 176 km no total.
Atrasos e falhas
O histórico do Rodoanel Norte é marcado por adiamentos. Após o prazo inicial de 2014 ser descumprido, a obra foi retomada em 2020, durante o governo João Doria (ex-PSDB), com promessa de conclusão em 2023, o que não ocorreu. A atual gestão retomou os trabalhos apenas em abril de 2024.
Segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o trecho pendente já custou mais de R$ 6,3 bilhões, valor 50% superior ao orçamento original. Um estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), contratado pelo próprio governo paulista, identificou em 2020 quase 1.300 falhas no projeto e na execução da obra.
Dessas, 59 foram classificadas como graves, incluindo erosões, infiltrações, colunas desalinhadas e problemas estruturais, o que ajudou a explicar o atraso prolongado.
A expectativa do governo é que, após a conclusão total, o Rodoanel Norte cumpra a função original: retirar caminhões das marginais Tietê e Pinheiros e aliviar o trânsito pesado na capital paulista.
