O Brasil pode ganhar seis novas linhas de trem de passageiros nos próximos anos, em um plano do governo federal que prevê a reativação de 722 quilômetros de ferrovias para transporte regional.
A proposta está em fase de estruturação pelo Ministério dos Transportes e prevê que os primeiros leilões ocorram ainda em 2026, com início pelo trecho entre Brasília (DF) e Luziânia (GO), considerado o projeto mais avançado da carteira.
A iniciativa marca uma tentativa de retomar o transporte ferroviário de passageiros no país, hoje restrito basicamente a duas operações de longa distância administradas pela Vale S.A.: a Estrada de Ferro Vitória-Minas e a Estrada de Ferro Carajás.
O plano federal aposta no reaproveitamento de malhas ferroviárias já existentes, muitas delas abandonadas ou subutilizadas, para reduzir custos de implantação e acelerar o início da operação.
Além da ligação entre Brasília e Luziânia, outros dois projetos já estão em estágio avançado: Salvador a Feira de Santana, na Bahia, e Londrina a Maringá, no Paraná.
Outros três trechos seguem em análise e fazem parte da carteira inicial do governo: Pelotas a Rio Grande, no Rio Grande do Sul; Fortaleza a Sobral, no Ceará; e São Luís a Itapecuru Mirim, no Maranhão.
Trechos previstos
- Brasília (DF) – Luziânia (GO): 62 km
- Salvador (BA) – Feira de Santana (BA): 107 km
- Londrina (PR) – Maringá (PR): 133 km
- São Luís (MA) – Itapecuru Mirim (MA): 116 km
- Fortaleza (CE) – Sobral (CE): 240 km
- Pelotas (RS) – Rio Grande (RS): 64 km
O trecho entre Brasília e Luziânia deve ser o primeiro a sair do papel. A linha aproveitaria a estrutura atualmente operada pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e poderá ser adaptada para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
A conexão é considerada estratégica por atender o entorno do Distrito Federal, onde milhares de passageiros enfrentam deslocamentos diários longos e transporte rodoviário sobrecarregado.
Segundo estimativas do governo de Goiás, o fluxo diário entre Luziânia e Brasília gira entre 20 mil e 25 mil passageiros.
Receita imobiliária pode ajudar a viabilizar projetos
Para reduzir a necessidade de aportes públicos, o Ministério dos Transportes estuda incluir terrenos próximos às linhas férreas nos contratos de concessão.
A proposta permitiria que as empresas vencedoras dos leilões explorassem áreas para empreendimentos logísticos, corporativos e habitacionais, criando uma fonte adicional de receita além da venda de passagens.
A estratégia é inspirada em modelos internacionais de expansão ferroviária e faz parte da tentativa de tornar os projetos economicamente viáveis.
