A disputa em torno do traçado da futura Linha 20-Rosa do Metrô, que vai ligar o ABC Paulista à zona oeste de São Paulo, ganhou um novo capítulo.
A Associação de Moradores AME Jardins vai apresentar, nesta terça-feira (10/2), um estudo técnico defendendo a ampliação do número de estações no eixo da Avenida Faria Lima, uma das regiões com maior circulação de pessoas da capital paulista, segundo informações do Estadão.
Atualmente, o projeto do Metrô prevê apenas duas entradas na região, nas ruas Tabapuã e Jerônimo da Veiga, deixando de fora acessos mais próximos da Faria Lima, como constava em versões iniciais do traçado.
Estudo aponta maior demanda e retorno financeiro
Segundo a AME Jardins, a mudança no desenho da linha teria sido motivada principalmente por critérios de custo, e não por limitações técnicas.
A partir dessa resposta oficial recebida em 2024, a associação contratou a Urucuia Mobilidade Urbana para elaborar um estudo independente sobre o traçado.
O levantamento indica que um percurso mais próximo da Faria Lima poderia gerar maior demanda de usuários, melhor aproveitamento da infraestrutura existente e retorno financeiro superior, além de permitir a implantação de até seis estações ao longo da avenida.
O estudo é liderado por Sérgio Avelleda, ex-presidente da CPTM e do Metrô de São Paulo, e conta com a participação de Ivan M. Whately, vice-presidente de Relações Externas do Instituto de Engenharia.
Em artigo já publicado, Avelleda comparou o atual desenho da Linha 20-Rosa a um cenário hipotético:
“Implantar a Linha 20-Rosa sem atender ao trecho da Faria Lima seria como construir a Linha 2-Verde passando pela Alameda Itu, em vez da Avenida Paulista. Teccnicamente possível, talvez. Urbanisticamente e funcionalmente, um contrassenso.”
Ambos devem participar de uma audiência pública com moradores, marcada para terça-feira, na Associação Comercial de São Paulo, Distrital de Pinheiros.
Associação diz apoiar o metrô, mas cobra ajustes
O presidente da AME Jardins, Fernando Sampaio, afirma que a entidade é favorável ao projeto da Linha 20-Rosa, mas defende ajustes no traçado.
“Somos totalmente a favor do metrô. É um transporte sustentável, tira carros da rua e atende quem precisa. O que queremos é que haja mais estações no eixo da Faria Lima, como previa o traçado original”, afirmou.
A associação pretende encaminhar o estudo ao Metrô, à ARTESP, às Secretarias Estadual e Municipal de Transportes e à Comissão Paulista de Parcerias, além de cobrar explicações mais detalhadas sobre as decisões adotadas.
Governo recebeu estudo com boa receptividade
Segundo pessoas próximas ao conselho da AME Jardins, o estudo já foi apresentado informalmente a integrantes do governo Tarcísio de Freitas que moram na região.
A recepção teria sido positiva, embora nenhum nome tenha se manifestado publicamente em apoio às mudanças até agora.
Metrô descarta mudanças no projeto
O Metrô de São Paulo afirmou ao Estadão que o traçado da Linha 20-Rosa foi definido na fase inicial do anteprojeto de engenharia, levando em conta critérios técnicos como restrições geológicas, limitações geométricas e a intensa verticalização no entorno da estação Faria Lima, da Linha 4-Amarela.
Segundo a companhia, esses fatores inviabilizam a integração direta entre as duas linhas nesse ponto. O projeto atual prevê a conexão na estação Fradique Coutinho, e imóveis da região já começaram a receber notificações de desapropriação.
O Metrô informou ainda que analisou as contribuições apresentadas pela AME Jardins, mas que as alternativas propostas “não comprovaram viabilidade técnica”, descartando mudanças significativas no projeto.
A Linha 20-Rosa está na fase de elaboração do Projeto Básico, etapa que define túneis, estações e demais estruturas operacionais. A expectativa é que a linha atenda até 1,3 milhão de passageiros por dia.
