O que está por trás das constantes falhas na Linha 7-Rubi?

Presidente da TIC Trens explica as causas dos problemas no trecho entre Jundiaí e São Paulo, enquanto passageiros relatam caos

Relatos de passageiros apontam atrasos e problemas recorrentes no trajeto operado pela TIC Trens entre Jundiaí e São Paulo

Relatos de passageiros apontam atrasos e problemas recorrentes no trajeto operado pela TIC Trens entre Jundiaí e São Paulo | Reprodução/TIC Trens

Aqueles que utilizam a Linha 7–Rubi, caminho que leva de Jundiaí até São Paulo, têm enfrentado um último mês difícil.

Por conta de chuvas, falhas elétricas e outras questões, o trecho que leva do interior à capital tem passado por momentos de constante instabilidade. Isso é o que os relatos buscados pela reportagem atestam.

Do dia 28 de janeiro ao dia 18 de fevereiro, foram aproximadamente seis momentos em que o serviço operado pela concessionária TIC Trens apresentou algum tipo de problema que aumentou ou dificultou o trajeto dos usuários.

Para entender um pouco melhor a situação, a Gazeta entrevistou Pedro Moro, presidente da empresa que assumiu em novembro do ano passado a Linha 7–Rubi.

Chuvas e escoamento

O estado de São Paulo tem registrado um alto volume de chuva recentemente. Desde o início do mês de fevereiro, por exemplo, o acumulado já soma cerca de 567 mm — o dobro da média histórica do mês, que varia entre 220 mm e 250 mm.

Segundo Pedro Moro, essa alta seria uma das razões que têm dificultado o trecho, em especial o escoamento necessário para que o trem possa passar, além da falta de investimento para a melhora da macrodrenagem.

“Então, a gente tem um problema de drenagem, ele é vindo de falta de investimento ao longo do tempo das prefeituras e do estado para melhorar a macrodrenagem, não a drenagem da via… esse ano, as chuvas que vieram, essa área [Franco da Rocha] teve pouquíssimo impacto, mas em compensação, entre Francisco Morato e Botujuru, o impacto foi maior”, comenta.

Além disso, o presidente explicou que a geografia da via também é fator determinante para as complicações. Mesmo com alternativas construídas ao longo dos anos nas cidades em que se concentram as estações, os percalços ainda persistem.

“A ferrovia, isso de um modo geral, que está sempre no fundo do vale, as ferrovias do estado foram construídas, principalmente na região metropolitana, em fundo de vale, ou seja, toda a água que vem escoada das chuvas, ela acaba desembocando nas ferrovias, isso vale principalmente para a linha 7 e 10”, diz.

Roubo de cabos

Outro fator que contribuiu para a instabilidade da operação, segundo Pedro Moro, foi o aumento dos furtos de cabos ao longo do trecho desde o início do ano.

De acordo com o executivo, houve um crescimento acima do padrão histórico desse tipo de ocorrência, que impacta diretamente o funcionamento do sistema ferroviário e a percepção de irregularidade por parte dos passageiros.

“Fora isso, a gente teve eventos acima do esperado de roubo de cabos. Então dentro do que se tinha como uma média de furto de cabo, roubo de cabo, que impacta diretamente na operação. De janeiro para cá teve um aumento significativo, então a gente fez um incremento no nosso pessoal de segurança para coibir isso… é um fenômeno mundial, os cabos são feitos de cobre, isso é fácil, absorção pelo mercado paralelo, a gente conseguiu monitorar onde é e está atacando esses pontos”, comenta.

Segundo ele, a concessionária reforçou o monitoramento e ampliou o efetivo de segurança nas áreas mais afetadas, com o objetivo de reduzir novas ocorrências.

Descarrilamento

O presidente também esclareceu o episódio registrado em 18 de fevereiro, inicialmente tratado como descarrilamento.

Conforme explicou, tratou-se de um incidente envolvendo um veículo de manutenção durante a madrugada, provocado por instabilidade no solo onde o equipamento estava apoiado.

“Foi um veículo rodo ferroviário… de manutenção, no meio da madrugada… Uma das patolas foi colocada num solo, sem perceber, num solo mais móvel. Ela mexeu e uma roda das duas… vieram para o lado… Só que, como é um veículo extremamente pesado… teve que levar um veículo específico para lá… tanto que não teve nenhum impacto na via, não estragou trilho, não teve nada.”, explica.

Na ocasião, o atendimento aos passageiros foi afetado por quase oito horas, com operação em via única no trecho entre Francisco Morato e Jundiaí e intervalos médios de 20 minutos, o que prejudicou principalmente o horário de pico da manhã.

Relatos de usuários

A reportagem foi atrás de usuários para entender como as falhas têm afetado diretamente o percurso do dia a dia de cada um.

De acordo com Pedro Oliveira, estudante que faz o percurso de Jundiaí — início do trecho — até a Barra Funda, os atrasos são recorrentes.

“Uso a Linha 7–Rubi com frequência e os atrasos são recorrentes, em média duas a três vezes por semana, principalmente no trecho entre Francisco Morato e Jundiaí”, afirma.

Dentre esses seis casos constatados pela Gazeta, um em especial afetou o casal de estudantes Julia Gomes e Gabriel Oliveira.

Segundo ambos, no dia 13 de fevereiro, um atraso fora do comum atrapalhou a volta da dupla para casa.

“Geralmente demoramos uma hora e meia, porém nesse dia demorou em torno de 5 horas. Entrei no trem por volta das 20h e cheguei ao destino somente à 1h30. Foi uma experiência cansativa e desrespeitosa com os passageiros”, lembra.

Gabriel ainda conta que os avisos eram constantes dentro do trem, muitos relacionados a uma chuva que já havia passado. Para ele, essa situação foi uma das piores já vivenciadas.

“Dentro do trem eram dados avisos com aguardamos liberação do trecho a frente ou que estamos parado por conta da chuva, não estava chovendo a pelo menos umas 3 horas, que sistema de drenagem ineficiente é esse. Aportamos no trem às 20 horas, saímos às 1h30”, afirma.