Túnel na Sena Madureira pode custar R$ 622 milhões em São Paulo

Projeto original prevê dois túneis com cerca de 1,6 quilômetro de extensão

De acordo com a prefeitura, a obra pode beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia

De acordo com a prefeitura, a obra pode beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia | Reprodução

A construção do túnel que pretende ligar a rua Sena Madureira à Avenida Ricardo Jafet, na zona sul de São Paulo, pode custar R$ 622 milhões, segundo proposta apresentada à prefeitura na nova licitação aberta para o projeto.

O empreendimento prevê a ligação entre a Avenida Sena Madureira, na Vila Mariana, e a Avenida Ricardo Jafet. O projeto original prevê dois túneis com cerca de 1,6 quilômetro de extensão.

Um deles partiria da Rua Botucatu até a Rua Mairinque. O segundo seguiria sob a Rua Domingos de Morais até a Rua Embuaçu, nas proximidades da Avenida Ricardo Jafet.

De acordo com a prefeitura, a obra pode beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia. O envelope com a proposta financeira do Consórcio Expresso Sena Madureira-Klabin, único participante da concorrência, foi aberto em reunião realizada na tarde de terça-feira (3/3).

O valor apresentado foi de R$ 622 milhões. A prefeitura agora analisa se a proposta está dentro dos parâmetros de mercado.

O resultado final, que considera as notas técnica e financeira, deve ser publicado no Diário Oficial nos próximos dias. Após a divulgação, será aberto prazo para recursos. Caso não haja contestação, as obras poderão começar.

A empresa responsável pela proposta é a Álya Construtora, que sucedeu a antiga empreiteira Queiroz Galvão. A construtora havia vencido a disputa realizada em 2008, que posteriormente foi questionada pelo Ministério Público por suspeita de fraude.

Nova licitação

A prefeitura decidiu abrir uma nova licitação após tentar retomar o contrato antigo. Na época, houve retirada de árvores no local da obra, além de questionamentos judiciais e recomendação do Ministério Público para a realização de um novo processo.

No início deste ano, apenas um consórcio apresentou proposta para retomar as obras dos túneis da Sena Madureira.

O projeto estava paralisado após denúncias de corrupção envolvendo contratos firmados em gestões anteriores e após questionamentos ambientais relacionados ao corte de árvores na região.

Segundo a prefeitura, o consórcio não estava impedido de participar da concorrência. A administração municipal informou também que realizou audiências públicas com mais de 500 moradores da região e uma consulta pela plataforma municipal Participe+ antes da abertura da licitação.

A fase de habilitação das empresas ocorrerá após a análise das propostas técnicas e comerciais, conforme os procedimentos previstos na legislação. As próximas sessões devem ser publicadas no Diário Oficial.

Enquanto o processo segue em análise, moradores da comunidade Coronel Luís Alves, localizada na área afetada pela obra, relatam impactos após as chuvas registradas em dezembro e no início de janeiro.

Vídeos gravados no dia 8 de dezembro, mostram enxurradas e alagamentos que atingiram casas da região e provocaram prejuízos materiais. Moradores afirmam que os episódios se intensificaram após o início das intervenções.

A comunidade é uma das duas que poderão ter moradores removidos caso o projeto avance.

Desde 2022, a prefeitura reconhece a área como região de risco para inundações. Especialistas apontam que intervenções no terreno, como o corte de árvores, contribuíram para o agravamento do problema.

Em 2024, uma vistoria da prefeitura e de representantes da construtora concluiu que o local não é classificado como Área de Preservação Permanente e que não foi identificada nascente no terreno.

Levantamentos anteriores da própria prefeitura indicaram a presença de um curso d’água no local. Um mapa de 1930 do Arquivo Municipal registra o córrego Embuaçu na área.

Em 2019, após um desmoronamento, uma vistoria da Subprefeitura da Vila Mariana apontou que o terreno era área de proteção ambiental e registrou a presença de um vale e de nascente.

Com a obra paralisada, estruturas de contenção construídas em diferentes etapas permanecem no local, além do córrego que atravessa a área. Em um dos pontos, um muro de contenção segue danificado após chuvas recentes.