O avanço do narcotráfico e do número de homicídios fez a Costa Rica, na América Central, construir uma megaprisão exclusiva para os seus criminosos mais perigosos. Inaugurado em 14 de outubro, o Centro de Alta Segurança e Combate ao Crime Organizado (Cacco) busca fortalecer as capacidades do sistema penitenciário do país. A transferência dos prisioneiros começou no final deste mês.
O complexo compreende cerca de 31 mil metros quadrados de área construída, distribuídos entre módulos de alojamento, edifícios administrativos, postos de controle e armazéns. Além disso, ocupa um terreno de 91 mil metros quadrados e foi projetado para atender aos padrões de segurança adequados a uma infraestrutura desse tipo.
Veja fotos da mega prisão construída na Costa Rica
Como é a megaprisão e quais criminosos podem ser recebidos
O Cacco tem capacidade para abrigar 5.100 detentos, distribuídos em cinco prédios com capacidade para 1.020 pessoas cada. Uma megaprisão construída neste modelo tem “inspiração” na penitenciária de segurança máxima no sistema adotado em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele, baseado no encarceramento em massa e em medidas rigorosas de controle de presos ligados a gangues e ao crime organizado.
Entre os perfis daqueles que serão transferidos para as celas na Costa Rica estão líderes e membros de organizações criminosas, chefes de quadrilha com capacidade para dirigir operações criminosas de dentro da prisão e indivíduos que representam sérios riscos de violência, intimidação ou ameaças contra outros detentos, funcionários públicos ou terceiros.
“Isso inclui também aqueles que possuem redes de contatos, recursos e meios para continuar cometendo crimes dentro ou fora das prisões”, explica o governo federal.
Ainda, a prisão de segurança máxima também pode abrigar pessoas ligadas a tentativas de fuga, ações para violar os sistemas de segurança da prisão e atividades relacionadas a armas, drogas, dispositivos de comunicação e outros itens proibidos que representam riscos significativos.
A admissão dos detentos estará sujeita a avaliações individualizadas de risco e segurança, baseadas em critérios estabelecidos. “O objetivo é conter a população carcerária de maior risco, impedir a continuidade da atividade criminosa dentro da prisão e garantir a ordem, a disciplina e o controle estatal”, declara o governo.
Quanto custou a construção da megaprisão na Costa Rica e como ela vai diminuir a superlotação nas celas
A construção do projeto representou um investimento de 33,1 milhões de dólares, equivalente a R$ 177,3 milhões na conversão para a moeda brasileira. Desde 2025, o Ministério da Justiça e da Paz tem promovido uma estratégia financeira em coordenação com o Ministério das Finanças para estabelecer o plano de execução do projeto.
Com a ocupação de 100% dos espaços da megaprisão, o país deixará de ter superlotação, atualmente em 59%, e passará para um nível de superpopulação de 15%, ou seja, a saturação dos espaços diminuirá em 44%.
“Durante anos, permitimos que organizações criminosas tentassem transformar nossas prisões em centros operacionais para dar continuidade às suas atividades criminosas. Com o Cacco, estamos enviando uma mensagem forte: acabou o acobertamento. Traficantes de drogas, assassinos de aluguel e líderes de organizações criminosas não mandam aqui. O Estado costarriquenho manda aqui. Este projeto é uma resposta firme para proteger as famílias do nosso país”, afirmou Aguilar.
Avanço do narcotráfico no país
O Ministro Aguilar explicou que a prisão inaugurada chega em um momento crucial na vida dos costarriquenhos, que há muitos anos solicitam e necessitam de um fortalecimento da segurança prisional, devido aos desafios impostos pelo crime organizado.
“Isto não é simplesmente uma prisão. É um monumento à segurança nacional. É o símbolo de um Estado que decidiu recuperar a sua autoridade. De um país que compreendeu que não podemos enfrentar as ameaças do crime organizado com indiferença, fraqueza ou permanecendo inertes”, afirmou o Ministro da Justiça e da Paz, Gabriel Aguilar Vargas.
Tecnologia é uma aliada da megaprisão
Para os gestores da Costa Rica, a tecnologia será um pilar fundamental da segurança no novo Centro de Alta Segurança e Combate ao Crime Organizado. Dado o perfil da população carcerária que abrigará, esta instalação incorpora ferramentas especializadas para reforçar a vigilância, otimizar os controles e apoiar o trabalho operacional da polícia penitenciária.
Os recursos tecnológicos incluem sistemas de digitalização, câmeras de videovigilância, controles biométricos, gestão de acessos e redes de comunicação de última geração.
Os componentes permitirão a integração de diferentes mecanismos de monitoramento e controle para prevenir incidentes, detectar situações de risco, combater a entrada de itens proibidos e reforçar a proteção dos funcionários prisionais e das pessoas privadas de liberdade.
Somado a isso, o equipamento de escaneamento detecta objetos escondidos nas roupas e, dependendo do dispositivo, em outras partes do corpo. Enquanto isso, as câmeras de videovigilância facilitarão o monitoramento de espaços internos e perímetros externos, assim como a identificação de comportamentos incomuns ou situações que exijam a intervenção de um agente.
Quais foram as etapas da construção da prisão
Como resultado de uma colaboração interinstitucional, segundo o governo federal, o projeto foi atribuído em novembro de 2025, dando início a um processo que se desenrolou em várias etapas. A primeira delas foi a terraplenagem para preparar o terreno para a construção, que ocorreu entre janeiro e março de 2026, seguida pelo início das obras estruturais em março deste ano.
O investimento está distribuído entre os seguintes componentes, confira abaixo:
- Cinco módulos de alojamento de alta segurança com 17 celas cada;
- Edifício misto;
- Posto de entrada principal;
- Edifício de registo de visitantes;
- Posto de controle interno externo e quatro internos;
- Centro de recolha;
- Sete fortes;
- Armazém;
- Edifício de scanner;
- Depósito de lixo externo e sistema de combate a incêndios;
- Sistema eletromecânico e de circuito fechado de televisão;
- Iluminação externa, lugares de estacionamento, ruas, passeios, corredores, cercados e grades.










