Justiça determina nova prisão de Oruam por falhas no uso da tornozeleira eletrônica

Segundo o STJ, o cantor descumpriu várias vezes uma das medidas cautelares que substituia a prisão

Defesa alegou ao STJ que as falhas no uso da tornozeleira eletrônica ocorreram por problemas pontuais de carregamento

Defesa alegou ao STJ que as falhas no uso da tornozeleira eletrônica ocorreram por problemas pontuais de carregamento | Reprodução

A Justiça do Rio decretou, nesta terça-feira (3/2), novamente a prisão do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam. A decisão é da juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal.

Na segunda (2/2), o ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), revogou o habeas corpus que beneficiava o cantor.

Segundo o STJ, o cantor descumpriu várias vezes uma das medidas cautelares, deixando a bateria da tornozeleira eletrônica descarregar 28 vezes em um intervalo de 43 dias, algumas delas ficando até 10 horas sem monitoramento, principalmente à noite e em fins de semana.

Para o ministro relator, o comportamento ultrapassa um simples problema técnico e representa desrespeito às decisões judiciais.

O cantor foi preso em julho de 2025, quando se entregou à polícia do Rio de Janeiro, após ser indiciado por associação ao tráfico de drogas e ao Comando Vermelho. O rapper foi preso na segunda operação conduzida em sua casa em seis meses.

A defesa do rapper obteve em setembro, no STJ, uma liminar que revogou a prisão preventiva.

A decisão revogou a liminar que havia substituído a prisão preventiva por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Defesa alega problema no monitoramento

No entanto, o advogado Fernando Henrique Cardoso, que faz a defesa do cantor, afirma que “não houve qualquer desligamento proposital da tornozeleira.”

De acordo com Cardoso, o equipamento de monitoramento usado por Oruam estava apresentando problemas e ele foi chamado na Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) para trocar o dispositivo.

“Fomos atrás dos dados telefônicos e eles mostram que, em dezembro, já havia registro de problema no equipamento. No dia 9 de dezembro, Mauro foi convocado a comparecer à Seap para avaliar a tornozeleira, e os técnicos constataram falha de carregamento. O equipamento foi trocado naquele momento. Temos um documento oficial da Seap que especifica esse defeito e a substituição realizada”, salienta a defesa.

A defesa alegou ao STJ que as falhas no uso da tornozeleira eletrônica ocorreram por problemas pontuais de carregamento, sem intenção de descumprir as medidas impostas pela Justiça.

Também destacou que o cantor é réu primário, tem residência fixa e exerce atividade profissional lícita. De forma alternativa, pediu a substituição da prisão por prisão domiciliar humanitária, alegando problemas de saúde.

Na decisão, porém, o ministro afirmou que o descumprimento repetido das medidas cautelares mostra que alternativas mais leves não são suficientes, o que autoriza a retomada da prisão preventiva, conforme o Código de Processo Penal.

O relator ressaltou ainda que a prisão não representa antecipação de pena, mas é necessária para garantir o andamento do processo e a credibilidade das decisões judiciais.

Segundo a defesa, o objetivo é provar que a tornozeleira apresentava falhas frequentes de carregamento. Segundo o advogado Cardoso, o problema foi reconhecido pela própria Seap, que substituiu o equipamento e enviou o aparelho original para perícia, realizada após os supostos descumprimentos atribuídos ao cantor.

Quem é Oruam

Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, de 23 anos, conhecido como Oruam, virou um dos principais nomes do rap e do trap nacional. O cantor despontou no rap e no trap nacional, consolidando-se como um dos principais nomes do estilo.

Oruam é filho do traficante Marcinho VP, preso desde 1996, um dos chefes do Comando Vermelho e de Márcia Gama, ele tem quatro irmãos.

Sem nenhum disco gravado, suas músicas têm milhões de ouvintes em plataformas como Spotify e YouTube. Nas músicas, o cantor transita por estilos como funk, R&B e rap.

As letras falam sobre ostentação, sexo e o fato de ele ser filho do traficante Marcinho VP, o que motivou uma mobilização da proposta de lei a “Anti-Oruam”.