Ele começou catando latinhas aos 8 anos e agora disputa uma vaga no Senado, mas Geraldo Rufino enfrenta um desafio que pode definir sua campanha em São Paulo

Em entrevista à Gazeta, candidato do Podemos explica como pretende crescer nas pesquisas e afirma que manterá independência diante do partido

Geraldo Rufino / Yasmin Martildes/Gazeta de S. Paulo

Geraldo Rufino, empresário de 67 anos, é candidato ao Senado por São Paulo pelo Podemos

Geraldo Rufino, empresário de 67 anos e candidato ao Senado por São Paulo pelo Podemos, revelou em entrevista à Gazeta, realizada nesta segunda-feira (31/8), como pretende crescer na disputa e enfrentar nomes de peso como Marina Silva e Simone Tebet.

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Com 2% das intenções de voto no levantamento citado pelo candidato, ele aposta na própria trajetória e na exposição em redes sociais e entrevistas para ampliar seu alcance entre os eleitores.

Para Rufino, o tempo de carreira de seus principais adversários não representa necessariamente uma vantagem, já que, segundo ele, os problemas estruturais do País continuam sem solução.

Eles trocam de cadeira, troca de endereço, troca de indicação e continua andando em círculo. Está passando do tempo de termos pessoas que conhecem o povo naquele lugar.

O candidato também questionou a experiência prática de parte dos parlamentares brasileiros na iniciativa privada.

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Segundo ele, muitos legisladores responsáveis pela criação das leis não tiveram uma experiência direta com a abertura e administração de empresas.

A maioria não tem um CNPJ, nunca abriu uma empresa. Olha a quantidade de empresa fechando.

A entrevista faz parte do programa jornalístico De Olho no Poder, conduzido pelo jornalista Matheus Herbert e pela colunista Micarla Lins.

Como Geraldo Rufino pretende enfrentar Marina Silva e Simone Tebet

Na corrida pelo Senado em São Paulo, Rufino tenta construir uma candidatura baseada justamente naquilo que considera sua principal diferença em relação aos nomes tradicionais da política.

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Marina Silva e Simone Tebet, apontadas no material-base como as candidatas mais fortes na disputa, acumulam longas trajetórias na vida pública.

Rufino, por outro lado, pretende apresentar ao eleitor uma experiência construída fora da política.

Ele começou a trabalhar aos 8 anos, catando latinhas e vendendo limões, e tornou-se CLT aos 13. Posteriormente, construiu uma trajetória empresarial até chegar ao próprio CNPJ.

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É essa história que o candidato quer transformar em argumento eleitoral.

Na entrevista, ele afirmou que pretende usar redes sociais, canais digitais e entrevistas para apresentar sua trajetória a um público maior.

A estratégia também busca compensar a ausência de material físico de campanha nas ruas até o momento da entrevista.

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Rufino minimizou os 2% apontados nas pesquisas e afirmou confiar que o crescimento da exposição poderá aumentar seu desempenho.

A aposta é fazer com que o eleitor conheça sua história e compare sua experiência com a de políticos de carreira.

Para Rufino, essa comparação pode favorecer uma candidatura que se apresenta como alternativa à política tradicional.

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O empresário diz querer levar para o Senado aquilo que chama de “vida real”.

Ele descreve a instituição como um “condomínio de luxo” e defende a presença de pessoas com experiência direta nas dificuldades e oportunidades encontradas pela população.

Rufino diz que não seguirá o Podemos contra suas convicções

Além da estratégia eleitoral, Geraldo Rufino deixou claro como pretende se relacionar com o Podemos caso seja eleito.

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Filiado ao partido há 10 anos, ele afirma respeitar a legenda e destaca especialmente a relação com Renata Abreu, que descreve como uma liderança humilde e que trata o partido como uma família.

Apesar disso, o empresário afirma que sua fidelidade principal será com os eleitores.

Em votações nas quais a orientação do Podemos entrar em conflito com seus valores e com aquilo que prometeu durante a campanha, ele diz que seguirá a própria posição.

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Na hora de votar eu voto pelas pessoas. Se o meu partido entender que aquele voto precisa ser diferente e ele não atender as minhas convicções, os meus valores e o que eu prometi, o que as pessoas estão esperando de mim… Infelizmente eu não vou com o partido, eu vou com o meu voto.

Rufino contou ainda que sua esposa, Marlene Rufino, e seus filhos participaram das conversas antes de ele aceitar a candidatura.

Segundo o empresário, eles questionaram a liderança do Podemos sobre quem efetivamente comandaria seu eventual gabinete: ele próprio ou um cacique político.

O candidato também rejeitou a possibilidade de abrir mão de suas convicções para atender interesses de grupos políticos.

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Para reforçar sua posição, fez uma afirmação direta sobre a própria identidade e sua relação com o partido.

Se em algumas situações eu precisar fritar alguém do povo para atender alguém de um grupo menor, não, não vai acontecer. Eu troco de partido, mas eu não troco a minha personalidade. Eu vou ser essa mesma pessoa em qualquer cenário que tiver”.

A declaração estabelece um limite para a relação de Rufino com o Podemos.

Embora reconheça a importância da legenda e de sua direção, ele afirma que não pretende seguir uma orientação partidária quando ela contrariar seus valores ou compromissos assumidos com o eleitor.