Os registros de violência contra a mulher feitos pela internet cresceram 11,8% no estado de São Paulo entre janeiro e agosto deste ano.
Foram 44.718 boletins de ocorrência registrados pela Delegacia de Defesa da Mulher Online (DDM Online), contra 39.989 no mesmo período de 2025.
O aumento ocorre enquanto São Paulo amplia a estrutura de atendimento virtual para mulheres vítimas de violência.
As Salas DDM 24h, instaladas dentro de delegacias comuns e conectadas por videoconferência a policiais especializadas, passaram de 62, em 2023, para 235 neste ano.
As salas permitem que mulheres tenham acesso a atendimento especializado durante a noite, aos fins de semana e feriados, mesmo em unidades que não possuem uma Delegacia de Defesa da Mulher presencial.
Entre janeiro e agosto deste ano, as Salas DDM 24h registraram 2.376 atendimentos, 6% a mais que os 2.241 realizados no mesmo período de 2025.
O atendimento ocorre em um espaço reservado dentro da delegacia para preservar a privacidade da vítima. Por videoconferência, a mulher conversa com delegadas e outras profissionais especializadas em casos de violência doméstica.
Segundo a Polícia Civil, a ampliação dos canais de atendimento pode facilitar a denúncia para mulheres que deixam de procurar as autoridades por medo ou insegurança.
“Quanto mais opções disponíveis, maiores são as possibilidades de romper o silêncio”, afirma a delegada Jamila Ferrari, coordenadora da DDM Online.
Registros pela internet
A DDM Online permite que a mulher registre a ocorrência sem precisar se deslocar imediatamente até uma delegacia especializada. Pela Delegacia Digital, também é possível anexar fotos e vídeos e solicitar medida protetiva de urgência.
O pedido é encaminhado ao Judiciário e, posteriormente, policiais civis entram em contato com a vítima para dar andamento ao caso.
O crescimento dos registros online, porém, ocorre em um contexto de ampliação dos canais de atendimento. Por isso, o aumento das ocorrências registradas pela internet não significa, isoladamente, que a violência contra a mulher tenha crescido na mesma proporção.
São Paulo teve recorde de feminicídios em 2025
Em 2025, o estado de São Paulo registrou 270 feminicídios, o maior número para um ano desde o início da série histórica, em 2018, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
O número equivale a, em média, uma mulher assassinada a cada 32 horas.
A SSP mantém uma base específica com dados de violência contra a mulher, incluindo feminicídio, lesão corporal, ameaça, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.
Onde procurar ajuda
Além do atendimento pela internet, as vítimas podem procurar uma das 144 Delegacias de Defesa da Mulher presenciais existentes no estado
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, 20 funcionam de forma ininterrupta. Em situações de emergência, a orientação é ligar para o 190, da Polícia Militar.
Outra opção é o aplicativo SP Mulher Segura. Até agosto, a plataforma tinha 83,1 mil usuárias ativas e registrava 20,8 mil acionamentos do botão de pânico.
O acionamento gera automaticamente uma ocorrência no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). A partir da localização do celular, uma viatura pode ser enviada para atender a ocorrência.
Prisões por violência doméstica
Entre janeiro e julho, 12,7 mil homens foram presos por violência doméstica em São Paulo, número 26,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Outros 306 agressores eram monitorados por tornozeleira eletrônica.
No mesmo período, a Cabine Lilás realizou mais de 36,6 mil atendimentos e registrou 157 prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.
Na Grande São Paulo, os registros de lesão corporal, ameaça e violência psicológica contra mulheres também aumentaram nos cinco primeiros meses deste ano, de acordo com dados de janeiro a maio.
