A Polícia Federal (PF) investiga se o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina após a derrota na eleição presidencial do último domingo (25). O parlamentar não entregou os passaportes no prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a corporação apura se ele viajou para o exterior sem autorização judicial.
A suspeita ganhou repercussão após o jornal argentino Infobae publicar, na madrugada desta terça-feira (27), que Flávio teria cruzado a fronteira e chegado a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. De lá, ele embarcaria em um avião particular com destino aos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pelo blog da jornalista Andréia Sadi, do g1, não há registro de passagem do senador por nenhum ponto regular de controle migratório brasileiro.
Em atualização publicada nesta terça-feira, o jornal O Globo informou que a Polícia Federal pretende comunicar a Alexandre de Moraes o descumprimento da ordem judicial. A corporação também teria cancelado os passaportes do senador, conforme a atualização do veículo.
Argentina nega entrada de Flávio Bolsonaro
Em nota divulgada na manhã desta terça-feira, a Direção Nacional de Imigração da Argentina e a Casa Rosada afirmaram não ter identificado registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, as autoridades argentinas iniciaram procedimentos de fiscalização da aeronave e da tripulação após a repercussão do caso. A nota também informou que a documentação da empresa responsável pelo avião estava regular e que não havia sido apresentado plano de voo que incluísse integrantes da família Bolsonaro.
O secretário de Comunicação e Imprensa do governo argentino, Fabián Fernández, também negou à agência Bloomberg que o senador tenha entrado no país. O Ministério da Segurança argentino informou ao jornal La Nación que não havia registro da entrada de Flávio.
As informações contradizem a hipótese de deslocamento apresentada pelo Infobae, mas ainda não esclarecem o paradeiro do parlamentar.
Avião particular teve voo cancelado
De acordo com o Infobae, a aeronave envolvida na suspeita é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A. O avião estava em Puerto Iguazú e tinha uma partida prevista para os Estados Unidos durante a madrugada desta terça-feira.
Segundo o jornal La Nación, o jato havia saído de Buenos Aires para Puerto Iguazú na noite de segunda-feira (26), com chegada prevista para as 22h20. A aeronave deveria decolar novamente por volta das 2h da manhã, com quatro passageiros, mas a partida acabou cancelada.
Fontes da Polícia de Segurança Aeroportuária argentina ouvidas pelo jornal afirmaram que um dos passageiros não compareceu ao embarque. Já informações publicadas pelo portal regional Misiones Online apontaram que a Administração Nacional de Aviação Civil da Argentina teria negado a autorização técnica para a decolagem internacional.
O avião permanece em Puerto Iguazú, segundo informações da polícia da província de Misiones. Os pilotos são cidadãos argentinos.
Até o momento, não há confirmação oficial de que Flávio Bolsonaro estivesse a bordo da aeronave ou de que tenha cruzado a fronteira. A presença do jato na cidade argentina, por si só, não comprova a participação do senador no voo.
Aliados negam viagem ao exterior
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que o parlamentar tenha deixado o Brasil. Questionado pelo jornal O Globo sobre o paradeiro do colega, Marinho respondeu que ele estava no país e encaminhou uma reportagem da Bloomberg com a declaração de um representante do governo argentino sobre a ausência de registro de entrada.
A assessoria de Flávio Bolsonaro também negou, segundo informações divulgadas pelo blog de Andréia Sadi, que o senador tenha viajado para fora do Brasil.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do senador, ironizou a possibilidade de fuga em declaração ao UOL. Na sexta-feira (23), dois dias antes do segundo turno, Eduardo havia defendido que Flávio deixasse o país caso perdesse a eleição.
Na noite de segunda-feira, um comboio saiu da residência de Flávio, no Lago Sul, em Brasília. Segundo O Globo, não foi possível confirmar se o senador ou familiares estavam em algum dos veículos.
O jornal também procurou o parlamentar em sua residência nesta terça-feira. A portaria do condomínio informou que havia pessoas no imóvel, mas não confirmou se Flávio estava presente.
Moraes determinou entrega dos passaportes
A suspeita de viagem internacional surgiu após Alexandre de Moraes determinar que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal em até 24 horas. O prazo terminou nesta terça-feira, mas, segundo informações publicadas por O Globo, os documentos ainda não haviam sido entregues.
A decisão está relacionada a uma investigação sobre a relação entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, em um suposto esquema envolvendo empresas ligadas ao advogado e apostas esportivas. O caso tramita sob sigilo de Justiça.
Os dois confirmam que são amigos, mas negam que sejam sócios e rejeitam a existência de irregularidades.
Flávio também é investigado no caso conhecido como “Dark Horse”, que envolve o financiamento de uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração examina suspeitas relacionadas a uma possível transferência de aproximadamente R$ 61 milhões pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a pedido do senador, para financiar o projeto.
Nesse caso, a Polícia Federal investiga possíveis crimes, entre eles lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A defesa de Flávio afirma que a operação ocorreu dentro da legalidade, entre entes privados, e nega o uso de recursos públicos.
Até a última atualização das informações consultadas, não havia confirmação oficial de que Flávio Bolsonaro tenha deixado o Brasil. A Polícia Federal continua apurando os deslocamentos do senador e as circunstâncias envolvendo o voo particular que permaneceu em Puerto Iguazú.




















