25 metas de Haddad: dos 25 objetivos traçados, 15 dependem do Congresso

Promessas de ajuste e crescimento esbarram no impasse político; Ministro da Fazenda deve deixar o cargo para disputar Eleições

Alinhamento político: o ministro Fernando Haddad e o presidente Lula reforçam o compromisso com a meta de superávit de 0,25% do PIB, mesmo diante das fortes pressões fiscais e do ceticismo do mercado financeiro.

Alinhamento político: o ministro Fernando Haddad e o presidente Lula reforçam o compromisso com a meta de superávit de 0,25% do PIB, mesmo diante das fortes pressões fiscais e do ceticismo do mercado financeiro. | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em janeiro de 2025, o Ministério da Fazenda lançou um plano ambicioso composto por 25 metas econômicas, desenhadas para reorganizar as contas públicas e fomentar o crescimento do Brasil. Estruturada em três pilares, equilíbrio fiscal, justiça tributária e estímulo ao crédito sustentável, a proposta prometia um novo fôlego para a economia nacional.

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Passado pouco mais de um ano, em março de 2026, o cenário é de um “caminhar lento”. Dos 25 objetivos traçados, 15 dependem integralmente do aval do Congresso Nacional, o que gerou um gargalo político que trava pautas fundamentais.

O impasse no Legislativo

O coração do problema reside na dependência entre a equipe econômica e o Congresso. Reformas tributárias complementares, mecanismos de crédito e incentivos à chamada “indústria verde” seguem em um ritmo de tramitação que preocupa o mercado.

Enquanto o governo busca ampliar a arrecadação, o Legislativo impõe resistência a medidas que impactam benefícios tributários ou exigem cortes de despesas sensíveis.

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Jogo do superávit: matemática vs. política

O governo mantém a meta de atingir um superávit primário de 0,25% do PIB em 2026. Contudo, economistas são céticos: sem a aprovação de novas fontes de receita e um controle mais rigoroso do orçamento, a meta se torna um alvo difícil de atingir.

A estrutura orçamentária brasileira, engessada por gastos obrigatórios (como previdência e benefícios sociais), deixa pouco espaço para manobras fiscais. 

Impacto no seu bolso

Embora o debate pareça distante do cotidiano, a demora no ajuste fiscal traz efeitos práticos e imediatos para a vida dos brasileiros. Quando o mercado financeiro percebe que o governo enfrenta dificuldades para equilibrar as contas, a percepção de risco aumenta, o que acaba pressionando a taxa básica de juros para cima.

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Como consequência direta dessa insegurança, o crédito torna-se mais caro, encarecendo desde financiamentos imobiliários e empréstimos para empresas até o parcelamento do consumo básico, o que, na prática, limita o poder de compra da população e o ritmo de novos investimentos no país.

Futuro das metas

A equipe de Fernando Haddad aposta em um ajuste gradual, alicerçado em mudanças estruturais. Contudo, o “tempo da política” é o fator decisivo. Nos próximos meses, a capacidade de negociação do Planalto com o Congresso determinará se essas 25 metas serão um marco de estabilidade econômica ou apenas um plano que, na prática, não saiu do papel.