A Câmara Municipal de São Paulo decidirá nesta segunda (15/12) quem será o presidente da Casa pelo próximo ano. E está vivendo um racha entre a base governista, uma situação incomum no poder legislativo paulistano.
Neste momento, há uma disputa entre o atual presidente, Ricardo Teixeira, que espera ser reconduzido para mais um ano de mandato com o aval do prefeito Ricardo Nunes (MDB), e o seu próprio partido, o União Brasil, que faz questão de fazer um rodízio no nome para o posto dentro da própria sigla.
Há ainda a possibilidade de haver um nome PSOL, mas é considerada uma candidatura de protesto, sem chance real de ganhar.
Entenda a polêmica
Para apoiar o prefeito Ricardo Nunes nas eleições de 2024, o União Brasil fez um acordo que previa que o partido estaria na presidência da Casa pelos próximos quatro anos. A intenção é que houvesse um rodízio de vereadores.
A combinação foi costurada pelo estão presidente da Câmara, Milton Leite, que também é presidente municipal do União Brasil. Com a vitória, o primeiro nome escolhido para comandar o legislativo paulistano foi de Teixeira, e a expectativa seria que o próximo, agora, fosse o vereador Silvão Leite (União Brasil), próximo a Milton.
Acontece que Teixeira resolveu continuar, com o aval de Nunes e de uma série de partidos de direita, de centro e até de esquerda. Com isso, o União Brasil passou a ameaçar o atual presidente da Câmara de expulsão. Nada que o fizesse mudar de ideia.
Para o cientista político Elias Tavares, porém, a aposta do União foi muito arriscada, e agora acontece o esperado.
“Esse impasse nasce de um erro de origem, na leitura do acordo político feito na eleição passada. O acordo de chapa majoritária [nas eleições de 2024] não se transfere automaticamente para a lógica interna da Câmara Municipal. São campos e poderes distintos. A Câmara é um organismo com regras e dinâmicas próprias”, explicou ele, em entrevista à Gazeta.
“Naquele momento, a base acatou a indicação do União Brasil para presidente da Câmara com o Ricardo Teixeira. Mas isso nunca foi na prática um compromisso automático de rodízio anual”, continuou o especialista.
Em sua análise, a tese de um acordo para que apenas um partido fique no comando da Casa durante os quatro anos não se sustenta politicamente. “A política é igual nuvem: cada vento que bate a situação se transforma”.
Contra-ataque de Milton
Milton resolveu contra-atacar e coordenou o lançamento de Rubinho Nunes para enfraquecer a candidatura de Teixeira, que pretendia que seu aliado Silvão Leite recebesse apoio da base governista.
A manobra teve um quê de vingança, já que Rubinho é desafeto de Nunes desde as eleições de 2024, quando o vereador contrariou o partido e preferiu apoiar o então candidato Pablo Marçal (PRTB).
“Já vai tarde”, disse Nunes, ao chegar ao debate da TV Gazeta/MyNews, ao repórter da Gazeta, ao ser questionado sobre a perda do apoio de Rubinho.
A manobra, porém, não parece que será bem-sucedida. Rubinho está isolado, e há quem defenda que ele abra mão da candidatura “para não passar vergonha”.
A disputa parece ganha para Teixeira, após uma série de partidos anunciarem apoio para que se mantenha na liderança da Casa. Neste momento, oito legendas já declararam que irão com Teixeira: PL, PP, PSD, Podemos, PT, MDB, Republicanos e Rede.
Juntas, essas siglas somam 38 vereadores – número mais do que suficiente para eleger o presidente da Câmara, que conta com 55 parlamentares.
Para Tavares, o cenário já mostrava que dificilmente Teixeira abriria mão de buscar o cargo novamente.
“Todos os presidentes da Câmara Municipal há muitos anos são reeleitos. Inclusive, Milton Leite mudou as regras para conseguir continuar no cargo. Não era real imaginar que um presidente abriria mão do posto por um acordo informal, ainda mais quando ele construiu uma maioria sólida ao seu redor. Teixeira é visto pelos pares como um nome de estabilidade institucional e de alinhamento com o Executivo”, afirmou Tavares.
Candidatura de protesto do PSOL
Correndo por fora, o PSOL ainda pode lançar um nome próprio, mas até o momento não se posicionou oficialmente sobre o tema.
Em 2024, o nome proposto pela sigla foi o do vereador Celso Giannazi. Só que a candidatura psolista é vista historicamente apenas como um protesto, já que não costuma receber votos nem de outros partidos de esquerda, como o PT.
Entenda o que é a Mesa Diretora da Câmara
A Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo é formada por um grupo de vereador formado pelo presidente e outros nomes para direcionar os trabalhos do Legislativo. Os parlamentares que fazem parte do colegiado tratam dos assuntos pertinentes à Câmara e dão publicidade a atos e decisões.
A mesa diretora eleita há um ano conta com Ricardo Teixeira União Brasil, presidente), João Jorge (MDB, 1º vice-presidente), Isac Félix (PL, 2º vice-presidente), Hélio Rodrigues (PT, 1º secretário), Dr. Milton Ferreira (Podemos, 2º secretário), Edir Sales (PSD, 1ª suplente) e Major Palumbo (PP, 2º suplente).




