CNI: empresários cobram corte de gastos públicos, combate ao crime e fim de desvios no SUS

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria revela que as preocupações do empresariado vão além do caixa das empresas

A fumaça das queimadas do interior de São Paulo chegaram até Brasília - (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Confederação liderada por Ricardo Alban consolida metas e diretrizes para nortear o relacionamento com os ministérios do governo federal em Brasília / Marcelo Camargo/Agência Brasil

O novo presidente da República precisará enfrentar muito além das dificuldades tradicionais da diminuição de impostos e equilíbrio fiscal. Segundo pesquisa nacional realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta segunda-feira (22/6), o setor corporativo mapeia a eficiência do Estado de forma transversal, na saúde e no enfrentamento ao crime organizado.

Continua após a publicidade

No topo das prioridades apontadas pelos executivos, destacam-se cobranças rígidas por moralidade administrativa no Sistema Único de Saúde (SUS), o enfrentamento ao crime organizado e o freio na expansão das despesas correntes do governo.

Continua após a publicidade

Prioridades do novo presidente, segundo empresários

A pesquisa quantificou os principais anseios da classe produtiva para a formulação das metas do novo mandato presidencial. No campo do bem-estar social e infraestrutura urbana, a área da saúde liderou as preocupações, com 48% dos entrevistados citando de forma direta a necessidade do combate à corrupção e da contenção do desvio de verbas públicas que deveriam abastecer o SUS.

Continua após a publicidade

Na visão do empresariado, o desperdício de recursos na saúde afeta diretamente a produtividade do trabalhador e inflaciona os custos indiretos das companhias com planos de assistência privados.

Continua após a publicidade

As demais prioridades (tirando saúde e segurança) estratégicas para o Governo, segunda pesquisa devem ser:

Continua após a publicidade

Empregos: 71% dos empresários apontaram a redução de impostos sobre a folha de pagamento

Continua após a publicidade

Economia: 42% apontaram o controle dos gastos públicos e a redução de impostos

Continua após a publicidade

Educação: 38% elencaram a melhoria da capacitação dos professores

Continua após a publicidade

De acordo com o relatório da CNI, 45% dos líderes industriais mencionaram que o foco central do Executivo deve ser o combate ao tráfico de drogas e o desmantelamento das facções do crime organizado.

Continua após a publicidade

Já na vertente de condução da política macroeconômica, o controle rígido das contas públicas foi o denominador comum. O levantamento constatou que 42% dos empresários apontaram de forma categórica que o controle dos gastos públicos, associado à redução planejada de impostos, é o único caminho pavimentado para restabelecer a confiança dos mercados e estabilizar os juros.

Continua após a publicidade

“Quando a política fiscal e política monetária não conversam entre si, as medida para estimular o desenvolvimento produtivo se tornam menos efetivas. A indústria está pronta para fazer sua parte, mas precisamos de um Estado que escolha induzir o investimento produtivo”, ressaltou Ricardo, presidente da CNI.

Continua após a publicidade

O posicionamento institucional da CNI

Os resultados consolidam um documento de diretrizes que a entidade pretende usar como bússola nas negociações com os ministérios econômicos e políticos em Brasília. O comando da confederação enfatizou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) está umbilicalmente ligado à capacidade do Estado de entregar eficiência administrativa e paz social:

Continua após a publicidade

“A sociedade brasileira espera respostas para termos um país mais justo, com mais oportunidades e menos desigualdade, mas ao mesmo tempo não pode conviver com riscos de manutenção de juros estratosféricos e de excessos de gastos públicos. Se não houver correção de rumo, cada vez mais vai aumentar a distância do país rumo ao desenvolvimento sustentável, resultando em perdas para o empresariado, para a economia brasileira e para a população”, destaca Ricardo Alban.