Em dia de abertura da Copa do Mundo, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, um dos três países-sede da edição, prometeu realizar uma nova ofensiva contra o Irã.
O comunicado foi feito em sua rede social, a Truth Social, com a promessa de concretizar a ação ainda na noite desta quinta-feira (11/6).
Na publicação, Trump afirmou que pretende fazer com o Irã o mesmo que fez com a Venezuela após a prisão de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro deste ano.
Além disso, os Estados Unidos também confirmaram nesta manhã um bombardeio a um petroleiro no Golfo de Omã que transportava petróleo para o Irã.
Toda essa situação ocorre em meio às tensões que já cercam a Copa do Mundo, com problemas envolvendo delegações, restrições migratórias e crises diplomáticas.
Trump faz nova ameaça ao Irã
O presidente americano elevou o tom contra Teerã poucas horas após uma nova ofensiva militar dos Estados Unidos na região.
Em uma publicação na Truth Social, Trump afirmou que pretende aumentar a pressão sobre o regime iraniano e citou a possibilidade de assumir o controle da Ilha de Kharg, considerada estratégica para a economia do país e responsável por grande parte das exportações de petróleo iranianas.
Pouco depois, em entrevista à Fox News, o republicano voltou a comentar o tema e disse que mantém contatos com autoridades iranianas. Teerã, porém, negou qualquer negociação.
A declaração ocorre em meio à escalada das tensões entre os dois países e um dia após uma nova rodada de bombardeios americanos contra instalações militares iranianas.
Segundo Washington, os ataques tiveram como alvo sistemas de comunicação, vigilância e defesa aérea. Já o governo iraniano classificou a ofensiva como uma violação do cessar-fogo que vinha sendo mantido nos últimos meses.
Como resposta, Teerã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado, uma das principais rotas de transporte de petróleo do planeta.
Petroleiro é alvo de ataque americano
Além dos bombardeios em território iraniano, os Estados Unidos confirmaram uma ação contra uma embarcação que transportava petróleo ligado ao Irã no Golfo de Omã.
Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), o navio teria desrespeitado o bloqueio imposto ao país e ignorado ordens das forças americanas. A embarcação foi atingida após se recusar a interromper a viagem.
Washington afirma ter reforçado a fiscalização marítima na região desde abril e informou que dezenas de navios já foram interceptados ou redirecionados nos últimos meses.
O episódio aumentou a tensão em uma das regiões mais estratégicas para o comércio global de petróleo e provocou protestos de países que possuem tripulantes atuando na área.
Crise já afeta a Copa do Mundo
A tensão diplomática entre Estados Unidos e Irã já vinha provocando reflexos diretos na Copa do Mundo antes mesmo do início da competição.
Nesta semana, a Federação Iraniana de Futebol informou que perdeu a cota de ingressos destinada aos seus torcedores. A medida afeta pessoas que já haviam comprado passagens e reservado hospedagens para acompanhar a seleção durante o torneio.
Os problemas também atingiram profissionais envolvidos na competição. A Fifa confirmou recentemente que o árbitro somali Omar Artan ficou fora do Mundial após ter a entrada negada nos Estados Unidos.
Outro caso que chamou atenção envolveu o atacante iraquiano Aymen Hussein. Um dos principais nomes da seleção do Iraque, ele passou cerca de sete horas sob procedimentos de imigração antes de ser liberado para entrar no país.
Jornalistas de diferentes nacionalidades também relataram dificuldades na obtenção de vistos, ampliando as críticas sobre os obstáculos migratórios enfrentados por participantes da competição.
Seleção do Irã muda logística
As restrições chegaram inclusive à própria delegação iraniana. Inicialmente, a seleção planejava ficar concentrada no Arizona durante a primeira fase da Copa.
Com o agravamento das tensões entre Washington e Teerã, a equipe transferiu sua base para Tijuana, no México. Na prática, os jogadores precisarão cruzar a fronteira sempre que tiverem treinamentos ou partidas em território americano.
A restrição também atingiu dirigentes da federação. O presidente da entidade, Mehdi Taj, teve o visto negado e não poderá acompanhar a equipe nos Estados Unidos.
O cenário amplia as preocupações em torno de uma Copa do Mundo que começou cercada por questões geopolíticas e migratórias, com impactos que já ultrapassam as quatro linhas.
