De 1989 a 2026: a trajetória das forças políticas na divisão do mapa eleitoral brasileiro

Dados do TSE confirmam vitória sobre Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21%; veja a evolução do mapa eleitoral desde 1989

Comparativo do mapa eleitoral de 1989 a 2026 mostra transformações na preferência regional dos eleitores brasileiros / Ilustração/IA

A consolidação de 64.256.232 votos (51,79% dos válidos) para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou sua reeleição com quase o dobro da margem percentual registrada na última eleição. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes à votação de domingo (25/10) indicam que a diferença de 4.430.191 votos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (48,21%) fixou a distância entre os candidatos em 3,58 pontos percentuais, frente ao saldo de 1,8 ponto registrado na última eleição, em 2022.

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Mapa de 2026: Lula vence em 13 estados e amplia margem no país

O presidente Lula ganhou nos nove estados do Nordeste e em Amazonas, Amapá, Pará e Minas Gerais. O senador Flávio Bolsonaro venceu nos três estados do Sul, nos três do Centro-Oeste, em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins, além do Distrito Federal.

Tocantins foi a única troca em relação a 2022: o estado deu 51,37% a Flávio depois de votar em Lula há quatro anos.

Divisão regional: PT mantém força no Nordeste e oposição lidera no Sul e Centro-Oeste

Entre 2006 e 2026, o PT se consolidou no Nordeste e em parte do Norte, enquanto seus adversários predominaram no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste.

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Nas eleições presidenciais de 2022 e 2026, nem a troca de vencedor nem a reeleição alteraram essa geografia.

Eleição de 2006 marcou o início da consolidação do voto regional

Nas eleições presidenciais de 2006, Lula foi reeleito com 21,66 pontos percentuais de vantagem sobre Geraldo Alckmin. O adversário, porém, passou a vencer em estados do Sul e do Centro-Oeste, e o petista manteve força no Nordeste e em boa parte do Norte.

Em 2014, o desenho se repetiu na disputa mais apertada até então. Dilma Rousseff derrotou Aécio Neves por 3,28 pontos, com 14 unidades da federação para o PT e 13 para o PSDB.

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Guinada de 2018: avanço da direita alterou padrão nacional de votação

Nas eleições presidenciais de 2018, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) venceu em 16 estados, contra 11 de Fernando Haddad, e abriu 10,26 pontos percentuais de vantagem. Foram 57.797.847 votos contra 47.040.906, uma diferença de 10.756.941 eleitores. O bloco anti-PT se consolidou no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste, e o Nordeste permaneceu petista.

Antes de 2006: cenários eleitorais tinham abrangência quase nacional

Cada mapa eleitoral anterior era bem diferente. Nas eleições presidenciais de 2002, Lula derrotou José Serra por 52.793.364 votos a 33.370.739 (22,54 pontos, ou 19.422.625 votos de diferença) e venceu em praticamente todo o país, com Alagoas como única exceção.

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso, impulsionado pelo Plano Real, ganhou no primeiro turno com 27,24 pontos de vantagem sobre Lula e predomínio em quase todo o território. Em 1989, Fernando Collor derrotou Lula, que ainda assim levou o Distrito Federal, o Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro e Pernambuco.

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O que o mapa eleitoral mostra

O país trocou de presidente em 2022 e manteve o escolhido em 2026, mas o mapa eleitoral do Brasil acompanhou o resultado nacional sem refazer sua geografia. O presidente Lula começa o quarto mandato em 1º de janeiro de 2027, com o país dividido nos mesmos blocos de duas décadas atrás.