Deputada pede saída de concessionária de rodovia e espera ação do MPF

Dani Alonso explica por que exige saída de concessionária da BR que ganhou apelido de 'Rodovia da Morte'

Rodovia Transbrasiliana passa por 22 cidades paulistas

Rodovia Transbrasiliana passa por 22 cidades paulistas | Reprodução

Os deputados Dani Alonso e Capitão Augusto (ambos do PL) lançaram um abaixo-assinado na última semana para exigir a estadualização da rodovia Transbrasiliana, trecho paulista da BR-153. O foco principal é retirar a concessionária Triunfo Transbrasiliana por alegada má gestão e descumprimento de contrato.

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A via liga o Pará ao Rio Grande do Sul, e passa por 22 cidades paulistas entre Icém e Ourinhos. Ganhou o apelido de “Rodovia da Morte” pela série de acidentes fatais – o último ocorreu neste mês, em Marília, deixando sete mortos e 45 feridos.

Em entrevista à Gazeta, Dani, que há vários anos busca o fim da concessão atual, explicou que é urgente haver mudanças. “O alto número de acidentes está diretamente relacionado às péssimas condições da via”.

Como a rodovia é federal, ela afirmou que o papel principal dos deputados estaduais neste caso é o de pressionar politicamente, o que, segundo ela, tem dado efeito. Após audiências públicas na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), por exemplo, foram abertas investigações na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e no Ministério Público Federal (MPF).

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Ela também afirmou que a maior expectativa do momento é justamente uma abertura de ação do MPF contra a concessão.

O abaixo-assinado é mais uma frente nesta luta. Temos grande expectativa em uma possível ação do MPF contra a empresa responsável e a União. Nosso papel é denunciar, pressionar politicamente e apresentar propostas, como a estadualização”, disse a parlamentar.

Problemas na rodovia

Um relatório emitido por um perito do MPF fez uma série de apontamentos em relação a problemas na via, como:

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  • – “(…) devido ao estado de conservação da capa de rolamento das pistas e acostamentos, bem como da sinalização horizontal, que estão deficientes em diversos trechos, com tendência de piora, sem evidência de atividades reparadoras mais extensas que tapa-buracos e alguns remendos, salvo interpretação contrária, a situação do equipamento caminha para rápida piora”.
  • – “(…) trechos, em que pese não estejam ruins, principalmente em razão de danos e patologias existentes no pavimento e na sinalização horizontal, a trafegabilidade fica comprometida, já que exige manobras e modificação da velocidade dos veículos, o que aumenta o risco de acidentes e compromete a segurança dos usuários”.
  • – “(…) sinalização horizontal está desgastada e em certos trechos não existe ou foi inadequadamente executada, com limitação da sua funcionalidade de organizar, canalizar e orientar o trânsito”.
  • – “(…) carece de serviços de limpeza e manutenção para operar corretamente e evitar pontos de acúmulo de água que, além de causar acidentes, podem prejudicar o tráfego e o pavimento”.
  • – “(…) [acostamento] parcialmente com o revestimento danificado e desnivelado com a pista e faixa de domínio, comprometendo as condições de segurança da via”.
  • – “(…) condições da via e reparos realizados não estão plenamente de acordo com as condições contratuais que regem a concessão”.
  • – “Durante a vistoria não foram identificados trechos com reparos além da capa asfáltica (revestimento), isto é, a quase totalidade das intervenções são superficiais”.
  • – “(…) entende-se que a situação atual do revestimento da BR-153/SP é resultado do tipo de gerência adotado pela concessionária para o pavimento, que privilegia os reparos superficiais”.
  • – “(…) manutenção é um simples tapa-buraco para manter o pavimento até a execução de reparo tecnicamente apropriado. No entanto, ao longo da rodovia há diversos pontos onde tal serviço provisório, aparentemente, foi incorporado como solução definitiva”.
  • – “(…) há diversos trechos do pavimento com as mais diversas patologias – trincas, fissuras, buracos, ondulações, afundamentos, exsudação e escorregamentos”.

Estadualização

Par Dani, a estadualização do trecho paulista da via seria a melhor atitude. “Basta comparar a situação da BR-153 com a de qualquer outra estrada estadual de São Paulo nas regiões cortadas pela rodovia Transbrasiliana. Trata-se de vontade política e gestão eficiente”, afirmou.

A Gazeta entrou em contato com a concessionária Triunfo Transbrasiliana. A empresa afirmou que prefere não se pronunciar neste momento.