Eleição presidencial mais acirrada do Brasil teve diferença de 1,8 ponto e entrou para a história; veja quais disputas chegaram mais perto

Resultado de 2022 superou o recorde anterior, registrado em 2014, e mostrou como poucos milhões de votos podem definir o comando do País

Enquanto chefes do Executivo têm limite de duas gestões seguidas, parlamentares podem se candidatar sem restrições / Gabriela Biló/Folhapress

/Gabriela Biló/Folhapress

A diferença entre dois candidatos à Presidência da República pode parecer pequena no resultado final, mas representa milhões de votos em uma disputa nacional.

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Em 2022, o Brasil registrou a eleição presidencial mais acirrada desde a redemocratização, com uma distância de apenas 1,8 ponto percentual entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

O resultado superou o recorde anterior, registrado em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) por uma margem também estreita.

As duas disputas entraram para a história por mostrarem como cada voto pode fazer diferença na definição de quem comandará o Executivo federal.

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Qual foi a eleição presidencial mais acirrada do Brasil?

O segundo turno de 2022 ocupa o primeiro lugar no ranking das disputas presidenciais mais apertadas do País. Na votação realizada em 30 de outubro, Lula recebeu 60.345.999 votos, o equivalente a 50,90% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro obteve 58.206.354 votos, ou 49,10%.

A diferença foi de 2.139.645 votos, em uma eleição que mobilizou milhões de brasileiros e terminou com a menor distância percentual entre os dois candidatos desde a volta das eleições presidenciais diretas.

O resultado oficial foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela totalização dos votos. Confira os números divulgados pelo TSE.

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A disputa também teve um significado histórico: Bolsonaro se tornou o primeiro presidente brasileiro a perder uma tentativa de reeleição desde que essa possibilidade foi introduzida na Constituição.

Eleição de 2014 ficou em segundo lugar no ranking

Antes da disputa entre Lula e Bolsonaro, a eleição presidencial de 2014 detinha o recorde de menor diferença percentual no segundo turno desde a redemocratização.

Naquele ano, Dilma Rousseff foi reeleita com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% de Aécio Neves. A petista recebeu 54.501.118 votos, enquanto o tucano contabilizou 51.041.155.

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A diferença chegou a 3.459.963 votos, aproximadamente 1,7 milhão a mais do que a registrada em 2022.

O resultado foi anunciado em 26 de outubro, após uma campanha marcada pela disputa direta entre os dois candidatos. A votação consolidou a eleição de 2014 como uma das mais equilibradas da história política brasileira.

Os números oficiais podem ser consultados na página de checagem eleitoral do TSE sobre o resultado de 2014.

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Como foram os outros segundos turnos presidenciais?

O Brasil realizou eleições presidenciais em dois turnos em diferentes momentos desde a redemocratização. A disputa de 1989, por exemplo, marcou o retorno da escolha direta do presidente após o período de regime militar.

Naquele ano, Fernando Collor de Mello venceu Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno por 53,03% a 46,97%. A diferença foi consideravelmente maior do que nas disputas de 2014 e 2022.

Em 2002, Lula venceu José Serra com 61,27% dos votos válidos, contra 38,73%. Já em 2006, o petista conquistou a reeleição ao derrotar Geraldo Alckmin por 60,83% a 39,17%.

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Em 2010, Dilma Rousseff venceu José Serra com 56,05% dos votos válidos, enquanto, em 2018, Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad com 55,13% contra 44,87%.

A comparação mostra que as eleições de 2014 e 2022 tiveram resultados muito mais equilibrados do que os observados em outros segundos turnos presidenciais.

Por que o segundo turno pode mudar o resultado de uma eleição?

O segundo turno existe para garantir que o presidente eleito obtenha a maioria absoluta dos votos válidos, quando nenhum candidato alcança esse patamar na primeira votação.

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A regra está prevista no artigo 77 da Constituição Federal. Caso nenhum concorrente consiga a maioria absoluta no primeiro turno, os dois candidatos mais votados disputam uma nova rodada.

Nesse cenário, os eleitores que escolheram candidatos eliminados precisam decidir entre os finalistas ou podem optar por votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas.

Essa mudança na composição do eleitorado torna a segunda etapa decisiva. Os candidatos precisam ampliar o apoio recebido no primeiro turno, conquistar novos eleitores e manter os votos de suas bases.

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Em uma disputa apertada, pequenas diferenças na votação de cada estado podem influenciar o resultado nacional. Ainda assim, a eleição é definida pela soma dos votos válidos em todo o País, e não por uma vitória isolada em determinada região.

Como são contados os votos válidos?

Os votos válidos são aqueles destinados aos candidatos. Na eleição presidencial, os votos brancos e nulos não entram no cálculo usado para definir o vencedor.

Por isso, a maioria absoluta exigida pela Constituição considera os votos válidos, e não o total de eleitores aptos a votar ou o número de pessoas que compareceram às urnas.

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A regra também explica por que a quantidade de votos recebida por um candidato precisa ser analisada em conjunto com o percentual de votos válidos. Uma diferença pequena nesse indicador pode representar milhões de votos em uma eleição nacional.

O TSE é responsável pela totalização oficial dos resultados, que permite identificar quando um candidato alcança a maioria necessária para vencer.

Perguntas frequentes sobre as eleições presidenciais

Qual foi a eleição presidencial mais acirrada do Brasil?

A eleição de 2022 foi a mais apertada desde a redemocratização. Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,90% a 49,10% dos votos válidos, uma diferença de 1,8 ponto percentual.

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Qual foi a diferença de votos entre Lula e Bolsonaro em 2022?

Lula recebeu 60.345.999 votos, enquanto Bolsonaro obteve 58.206.354. A diferença foi de 2.139.645 votos.

Qual eleição presidencial era considerada a mais acirrada antes de 2022?

O recorde pertencia à eleição de 2014, quando Dilma Rousseff venceu Aécio Neves por 51,64% a 48,36% dos votos válidos.

Os votos brancos e nulos podem anular uma eleição presidencial?

Não. Os votos brancos e nulos não são considerados válidos para definir o vencedor. Portanto, mesmo que representem uma parcela expressiva da votação, não anulam automaticamente o resultado.

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O que acontece se dois candidatos terminarem empatados em votos?

O artigo 110 do Código Eleitoral prevê que, em caso de empate na votação, será eleito o candidato mais idoso.

A história das eleições presidenciais brasileiras mostra que a diferença entre os candidatos pode diminuir significativamente na etapa final da disputa.

Em 2014 e 2022, milhões de votos separaram os concorrentes, mas a distância percentual foi menor do que em outras eleições.

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Os resultados também reforçam a importância de compreender as regras do sistema eleitoral, especialmente a contagem dos votos válidos e a exigência de maioria absoluta.

Em uma eleição decidida voto a voto, a apuração oficial é fundamental para determinar o resultado e garantir a legitimidade da escolha popular.