Eleições 2026: 36 milhões de eleitores sem obrigação de votar podem decidir o próximo presidente

Grupo com mais de 60 anos cresce cinco vezes mais rápido que a média nacional e atinge 23,2% dos votantes; engajamento da faixa acima dos 70 anos vira prioridade para comitês.

Justiça Eleitoral reformula a estrutura logística das seções para garantir acessibilidade ao eleitorado de idade avançada no pleito de outubro / Ilustração IA/Gazeta de S.Paulo

O desenho das estratégias de campanha para o pleito de outubro de 2026 passou a orbitar em torno de uma transformação demográfica sem precedentes no país.

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De acordo com um levantamento estatístico detalhado pelo Instituto Nexus, o contingente de eleitores com mais de 60 anos registrou uma expansão expressiva de 74% ao longo dos últimos 16 anos.

O ritmo de crescimento dessa fatia da população supera em cinco vezes o avanço do eleitorado geral, que marcou um incremento de apenas 15% no mesmo intervalo de tempo.

Com o fechamento desses indicadores, a chamada “Geração Prateada” passou a representar 23,2% de todos os cidadãos aptos a votar no território nacional, somando uma força política de 36 milhões de votos potenciais capazes de redefinir o equilíbrio de forças em disputas acirradas.

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O ‘fator desempate’ e a conquista do comparecimento facultativo

O principal foco de monitoramento por parte dos analistas políticos concentra-se na parcela de cidadãos que cruzou a barreira dos 70 anos. Como a legislação brasileira desobriga esse público do comparecimento às urnas ou do envio de justificativas eleitorais, o exercício do voto ganha contornos puramente “voluntários”.

Em cenários marcados por margens estreitas de vantagem entre os concorrentes, conseguir converter a simpatia política em comparecimento efetivo nos locais de votação ganhou o status de prioridade máxima nas salas de situação dos partidos.

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avalia que o comparecimento desse segmento de brasileiros acima de 70 anos ocorre essencialmente por convicção programática ou forte identificação com as propostas apresentadas.

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“Esse público, assim como os jovens entre 16 e 18 anos, são os brasileiros a serem ‘conquistados’ pelos candidatos. Eles não têm obrigação de votar, então só vão às urnas se tiverem um bom motivo para isso”, analisa Tokarski.

“E, no contexto brasileiro, de um cenário político acirrado, essas pessoas têm a possibilidade de mudar os rumos de uma eleição”, concluiu o especialista.

Infraestrutura e garantias de acessibilidade no dia do pleito

Ciente da magnitude desse eleitorado e da necessidade de mitigar as abstenções, a Justia Eleitoral adaptou o planejamento logístico para acolher os votantes de idade avançada. A organização das zonas eleitorais prevê a consolidação de seções prioritárias dotadas de plena acessibilidade para quem apresenta restrições na mobilidade.

Adicionalmente, as garantias jurídicas asseguram que o idoso possa ser auxiliado por um acompanhante de sua estrita confiança diretamente na cabine eleitoral, reduzindo ruídos operacionais e assegurando a validação do voto.