O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (18/12) que o governo federal discute uma reestruturação dos Correios diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela estatal.
O chefe do Executivo descartou a possibilidade de privatização e disse que estão em análise alternativas para tornar a empresa “sólida, produtiva e plenamente em funcionamento para o país”.
“Enquanto eu for presidente, não tem privatização”, afirmou Lula, em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto.
Segundo ele, a reestruturação pode envolver parcerias com empresas nacionais e estrangeiras e até a transformação dos Correios em uma empresa de economia mista. “Pode existir parceria, pode transformar a empresa em empresa de economia mista, mas privatização não vai ter”, reforçou.
As declarações foram feitas durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, seguido de entrevista coletiva. Lula esteve acompanhado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima).
Apesar disso, no início deste mês, os trabalhadores dos Correios em São Paulo decidiram entrar em estado de greve, com possibilidade de paralisação no dia 16 de dezembro, após aprovação em assembleia realizada nesta semana.
Problemas nos Correios
Na avaliação do presidente, os problemas da estatal são resultado de uma gestão equivocada ao longo dos últimos anos. “Resolvemos colocar a mão na ferida e resolver. Vamos tomar as medidas que tiver que tomar, mudar todos os cargos que tiver que mudar”, disse.
Em setembro, o governo trocou o comando dos Correios. O atual presidente da estatal, Emmanoel Rondon, atribuiu parte do resultado negativo à crescente concorrência no comércio eletrônico.
Logo após assumir o cargo, Rondon apresentou as primeiras medidas de um plano de reestruturação financeira e operacional voltado à sustentabilidade e à modernização da estatal.
Entre as ações, está a negociação de um empréstimo de até R$ 20 bilhões com instituições financeiras. A empresa também discute com o governo federal a concessão de aval para os empréstimos e eventual apoio do Tesouro Nacional.
De acordo com o Ministério da Fazenda, os recursos públicos que poderão ser destinados aos Correios devem ficar abaixo dos R$ 6 bilhões inicialmente solicitados pela estatal. Qualquer ajuda financeira, segundo a pasta, estará condicionada à execução do plano de reestruturação.
Em meio à crise, o governo federal criou um mecanismo para permitir que estatais federais não dependentes do Tesouro, mas em dificuldade financeira, possam reorganizar suas contas sem serem automaticamente reclassificadas como dependentes.
