Os brasileiros vão às urnas no próximo domingo (25/10) para definir quem será o Presidente da República nos próximos quatros anos nas eleições 2026. De um lado, Lula (PT) busca mais uma reeleição. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL) tenta ocupar a cadeira mais importante do País pela primeira vez.
Na reportagem a seguir, serão analisados diversos cenários que envolvem os candidatos a partir de um levantamento feito pelo “Crime Brasil“, exclusivo à Gazeta. O objetivo não é induzir o eleitor a votar em um deles. Ela põe lado a lado, com fonte e data, o que a Justiça, o IBGE, o Ministério da Saúde, o Banco Central, o INPE, o TSE e os institutos de pesquisa registraram sobre os dois candidatos.
Doze fatos que resistem a checagem e incomodam os dois lados
- Nenhum dos dois foi julgado no mérito. Lula foi condenado em três instâncias no caso do triplex e passou 580 dias preso; as condenações caíram por incompetência do juízo e parcialidade do juiz, e o caso prescreveu. Flávio foi denunciado como líder de organização criminosa por desvio de cerca de R$ 6 milhões; as provas foram anuladas e a denúncia nunca foi recebida. Um está livre por nulidade e prescrição; o outro, por nulidade e arquivamento, que pode ser reaberto. Em 30/09/2026 houve pedido formal de desarquivamento.
- Os dois devem a candidatura a uma decisão de tribunal. Lula, à anulação das próprias condenações (STF, 2021). Flávio, à inelegibilidade e à prisão do pai (TSE, 2023; STF, 2025).
- 402.220 brasileiros foram assassinados nos oito anos de Lula 1 e 2. O país terminou 2010 com mais homicídios (53.016) do que tinha em 2002 (49.816). A queda nacional só começou em 2018, antes de Bolsonaro, e atravessou os dois governos seguintes.
- Bolsonaro teve a maior queda ponta a ponta da série (−19,9%), e o único ano de alta entre 2018 e 2024 (2020, +9,6%), no mesmo ano em que as compras de armas por civis disparavam. O Brasil mais armado da história (2022) tinha a mesma taxa de homicídio de 2019.
- Lula 3 tem o menor número de homicídios desde 1998 (42.590 em 2024, taxa 20,1), mas o próprio IPEA mostra que as mortes sem causa definida subiram 88,6% no mesmo ano. Somadas, a taxa estimada fica parada em 23,4. A polícia matou 6.602 pessoas em 2025, recorde. Feminicídio, recorde: 1.571.
- Flávio Bolsonaro tem 23 anos de mandato e nenhuma lei federal de autoria própria. No Senado, 66 proposições como autor principal; 31 ainda esperam relator. Preside a Comissão de Segurança Pública desde 2025. Nunca ocupou cargo executivo.
- Patrimônio declarado ao TSE: Flávio foi de R$ 1,74 milhão (2018) para R$ 8,19 milhões (2026). Lula foi de R$ 7,99 milhões (2018) para R$ 4,77 milhões (2026). O de Flávio quase quintuplicou em oito anos; 76% é uma casa comprada em 2021 com financiamento do BRB, hoje investigado pela PF.
- A dívida bruta subiu 11 pontos do PIB em três anos e oito meses de Lula 3 (71,7% → 82,9%), sem pandemia. Bolsonaro teve o maior déficit primário da série (2020, −9,2% do PIB) e entregou a dívida menor do que recebeu. Lula 1 e 2 fizeram superávit todos os anos.
- O governo que mais desmatou a Amazônia neste século foi Lula 1 (média de 21.617 km²/ano; 27.772 km² em 2004). Bolsonaro reverteu a queda iniciada em 2005 (+57% sobre Temer). Lula 3 derrubou para 5.731 km² em 2025, o menor desde 2014.
- O Brasil prendeu mais sob Lula do que sob qualquer presidente: +86% de presos em 2003-2010. Sob Bolsonaro, +14%. Hoje são 961 mil, uma das três maiores populações carcerárias do mundo.
- 693.853 mortos por Covid até o fim do governo Bolsonaro, segundo pior país do mundo em número absoluto. A CPI pediu o indiciamento de Bolsonaro por nove crimes e dos três filhos, Flávio incluído, por incitação ao crime. A PGR não denunciou ninguém.
- Lula chega ao 2º turno com 35% de ótimo/bom e 41% de ruim/péssimo (Datafolha, 13-14/10), saldo pior que o de Bolsonaro no fim do mandato (39% x 37%). Flávio venceu o 1º turno com 47,03% a 45,16% e fez 5 milhões de votos a mais que o pai no 1º turno de 2022. As pesquisas da semana de 13/10 apontam empate técnico. Quase metade do país rejeita cada um dos dois.
Para São Paulo: o estado tem a menor taxa de homicídios do Brasil (6,6 por 100 mil em 2024) e deu 51,9% dos votos a Flávio. Os nove estados do Nordeste, a região mais violenta do País, deram a Lula de 54,7% a 71,0%. O mapa eleitoral é o mapa da violência, invertido.
Processos: dois candidatos, zero julgamento de mérito
Lula foi condenado duas vezes em três instâncias e passou 580 dias preso. Flávio Bolsonaro foi denunciado como líder de organização criminosa por desvio de cerca de R$ 6 milhões. Nenhum dos dois foi julgado no mérito até o fim. Nos dois casos, o processo morreu por nulidade processual, não por inocência provada nem por culpa provada.
| Lula | Flávio Bolsonaro | |
| Acusação principal | Corrupção passiva e lavagem (triplex do Guarujá; sítio de Atibaia) | Organização criminosa, peculato, lavagem, apropriação indébita (“rachadinha” na Alerj) |
| Valor em jogo | Triplex: reparação fixada pelo STJ em R$ 2,42 mi; Atibaia: reformas de ≈ R$ 1 mi pagas por empreiteiras | ≈ R$ 6 mi desviados de salários de assessores, segundo o MP-RJ; ao menos R$ 2,7 mi em dinheiro vivo |
| Condenações | 2 em 1ª instância, 2 confirmadas no TRF-4, 1 confirmada no STJ (pena final 8 anos, 10 meses e 20 dias) | Nenhuma. A denúncia nunca foi recebida |
| Prisão | 07/04/2018 a 08/11/2019: 580 dias | Nenhuma |
| Por que acabou | STF: Curitiba era incompetente (Fachin, 08/03/2021; Plenário 8×3, 15/04/2021) e Moro foi parcial (2ª Turma 3×2, 23/03/2021). Em Brasília, o triplex prescreveu (arquivado em jan/2022, com prazo reduzido pela metade por idade acima de 70 anos) e a denúncia de Atibaia foi rejeitada | STJ: o juiz de 1ª instância era incompetente, pelo “mandato cruzado” (5ª Turma, 4×1, 09/11/2021); provas anuladas. O próprio MP-RJ pediu a extinção e o TJ-RJ rejeitou a denúncia em 16/05/2022. Gilmar Mendes negou os recursos em 26/02/2025 |
| Absolvição no mérito? | Não, nos dois casos principais. Sim, em 3 casos menores (obstrução/Cerveró 2018; “quadrilhão do PT” 2019; Zelotes/MP 471 em 21/06/2021, a pedido do próprio MPF) | Não. Nenhuma absolvição |
| Pode voltar? | Não. Prescrição é definitiva | Sim. O arquivamento permite nova denúncia com provas diferentes. Em 30/09/2026 houve pedido formal de desarquivamento ao MP-RJ |
| Decisão judicial mais recente sobre o caso | TRF-1 negou reabertura de Atibaia (jul/2025) | STF (Gilmar, 29/09/2026) manteve quebra de sigilo de ex-assessora e levantou o sigilo da decisão, que diz que Queiroz “centralizava dinheiro de assessores” |
A Lava Jato abriu quatro ações penais contra Lula em Curitiba e nenhuma produziu condenação válida; o MP-RJ passou quatro anos investigando Flávio e não conseguiu nem que a denúncia fosse recebida. O sistema de Justiça brasileiro não respondeu, em nenhum dos dois casos, à pergunta que o eleitor faz: ele fez ou não fez?
O que pesa contra Lula
- Ele não foi inocentado. O arquivamento do triplex (12ª Vara Federal do DF, jan/2022) reconhece prescrição; a juíza apontou insuficiência de provas quanto ao dolo, mas isso não é absolvição. Atibaia teve a denúncia rejeitada em Brasília; o MPF tentou reabrir e o TRF-1 negou em julho de 2025.
- As outras duas ações da Lava Jato (terreno do Instituto Lula, R$ 12 mi; doações da Odebrecht, R$ 4 mi) foram encerradas por Lewandowski em 17/02/2023 porque as provas da leniência da Odebrecht foram consideradas imprestáveis. Nulidade de prova, não mérito.
- O círculo: Mensalão condenou José Dirceu (10 anos e 10 meses), Delúbio Soares e José Genoino; Antonio Palocci foi condenado a 12 anos por Moro e delatou. Boa parte dessas condenações também foi depois anulada ou reduzida (Dirceu, out/2024; Vaccari, 2025).
- Em 2026, o filho Fábio Luís (Lulinha) é investigado pela PF em inquérito ligado ao INSS, autorizado por Flávio Dino em agosto. É investigação do filho, não do presidente.
O que pesa contra Flávio
- A denúncia do MP-RJ (19/10/2020) o colocava como líder do esquema: 17 denunciados, R$ 6 mi desviados, R$ 2,7 mi em espécie, mais lavagem via loja Kopenhagen (busca em dez/2019, suspeita de R$ 1,6 mi). Nada disso foi examinado por um juiz.
- Mansão de R$ 5,97 mi em Brasília (2021), com R$ 3,1 mi financiados pelo BRB: o TJDFT derrubou em nov/2023 a sentença que o livrava na ação popular, e em 02/10/2026 a PF passou a investigar o financiamento no contexto Vorcaro/BRB.
- Caso Master / “Dark Horse”: em 22-23/07/2026, o ministro André Mendonça autorizou a PF, a pedido da PGR, a investigar Flávio por corrupção, lavagem e evasão de divisas. Suspeita: R$ 61 mi de Daniel Vorcaro no financiamento do filme sobre o pai; a PF apura se emendas e projetos dele beneficiaram o Banco Master. Inquérito sigiloso, sem denúncia. Flávio diz que foi patrocínio privado.
- O círculo: o pai está condenado a 27 anos e 3 meses (STF, 11/09/2025, trânsito em julgado 25/11/2025) e inelegível até 2030 (TSE, 30/06/2023); o irmão Eduardo foi condenado a 4 anos e 2 meses por coação (16/06/2026) e está inelegível; o irmão Carlos foi indiciado pela PF (Abin paralela, jun/2025). Dos 31 réus da trama golpista, 29 foram condenados. Flávio não é réu em nenhum deles.
Simetria que o eleitor precisa ver
- Lula chegou a 2022 elegível porque a anulação de 2021 apagou a condenação colegiada que a Ficha Limpa exige; o TSE deferiu o registro por unanimidade (08/09/2022). Em 2018, o mesmo TSE o barrou por 6 votos a 1.
- Flávio chegou a 2026 candidato porque o pai está inelegível e preso. Foi indicado por carta manuscrita lida na porta do hospital (25/12/2025) e oficializado pela convenção do PL no Pacaembu (25/07/2026).
- Os dois devem a candidatura a uma decisão de tribunal: um, à anulação das próprias condenações; outro, à inelegibilidade do pai.
Mortes violentas: o que o dado diz sobre cada governo

A régua: homicídios por período presidencial
| Governo | Homicídios no período | Média por ano | Média por dia | Ano anterior → último ano |
| FHC 2 (1999-2002) | 186.228 | 46.557 | 128 | 41.974 → 49.816 (+18,7%) |
| Lula 1 (2003-2006) | 198.283 | 49.571 | 136 | 49.816 → 49.704 (−0,2%) |
| Lula 2 (2007-2010) | 203.937 | 50.984 | 140 | 49.704 → 53.016 (+6,7%) |
| Dilma (2011-2016) | 349.319 | 58.220 | 160 | 53.016 → 62.517 (+17,9%) |
| Temer (2017-2018) | 123.558 | 61.779 | 169 | 62.517 → 57.956 (−7,3%) |
| Bolsonaro (2019-2022) | 189.627 | 47.407 | 130 | 57.956 → 46.409 (−19,9%) |
| Lula 3 (2023-2024)* | 88.337 | 44.168 | 121 | 46.409 → 42.590 (−8,2%) |
Fonte primária: Atlas da Violência (IPEA/FBSP), série nacional de homicídios 1989-2024 reconstruída no banco do Crime Brasil a partir das 27 UFs (bate com o IPEA ano a ano); Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (FBSP, 23/07/2026); Sinesp VDE (Ministério da Justiça, dado estadual mensal 2020-ago/2026).
* 2024 é o último ano com SIM consolidado (Atlas 2026). 2025 e 2026 aparecem abaixo com dado policial (FBSP/Sinesp), que não é a mesma régua.

Taxa por 100 mil habitantes, mesma base populacional (IBGE, projeções revisão 2024), calculada pelo Crime Brasil sobre os números do Atlas:
| 2002 | 2003 | 2006 | 2010 | 2014 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2022 | 2024 |
| 27,8 | 28,4 | 26,5 | 27,2 | 30,1 | 32,0 | 28,1 | 21,9 | 23,8 | 22,0 | 20,0 |
(O Atlas 2026 publica 30,2 para 2014, 32,1 para 2017, 28,2 para 2018, 22,0 para 2019, 22,1 para 2022 e 20,1 para 2024, usando população da PNADc; diferença de 0,1.)
Leitura fria:
- Lula 1 e 2 (2003-2010): 402.220 brasileiros assassinados em oito anos. O País fechou 2002 com 49.816 homicídios e fechou 2010 com 53.016. Em número absoluto, Lula entregou um Brasil com mais homicídios do que recebeu (+6,4%). A taxa por 100 mil ficou praticamente parada, porque a população cresceu. Não houve queda nacional. Houve uma troca de lugar: São Paulo despencou e o Nordeste subiu.
- Bolsonaro (2019-2022): 189.627 em quatro anos, 130 por dia. É o período presidencial com a maior queda ponta a ponta da série (−19,9%). Mas a queda não é homogênea nem começa com ele: 2018, último ano de Temer, já tinha caído 11,7%; 2019 caiu 21,5%, a maior queda anual da história; 2020 subiu 9,6% (49.868), único ano de alta entre 2018 e 2024; 2021 e 2022 voltaram a cair (−4,1% e −3,0%).
- Lula 3 (2023-2024): 88.337 em dois anos, 121 por dia, a menor média diária desde FHC 1 (1995-1998: 108 por dia). 2024 fechou com 42.590 homicídios, o menor número desde 1998 (41.974), e taxa de 20,1 por 100 mil.

O que cada lado não conta
Contra a narrativa de Lula (“menor violência da história”):
- Parte da queda de 2024 é estatística, não real. O próprio Atlas 2026 mostra que os “homicídios ocultos” (mortes violentas que a saúde não conseguiu classificar e que o IPEA estima serem assassinatos) saltaram de 3.755 em 2023 para 7.083 em 2024 (+88,6%). Quando o IPEA soma esses casos, a taxa estimada vai de 23,5 para 23,4 por 100 mil: estabilidade, não queda histórica. A qualidade do dado piorou em 2024, e isso surpreendeu os próprios pesquisadores.
- A polícia mata mais, não menos. Mortes por intervenção policial em 2025: 6.602 (+5,4%), o maior número da série do Anuário. Uma em cada seis mortes violentas no Brasil é causada por agente do Estado. No Rio, uma em cada cinco (20,5%).
- Feminicídio bate recorde: 1.571 vítimas em 2025 (+4%). No Sinesp, 1.346 (2020) → 1.558 (2025), +15,8% em cinco anos. Estupro de vulnerável: 41.913 (2020) → 59.366 (2025), +41,6%.
- A queda vem desde 2018. Quem olha só o ponto final atribui a Lula um movimento que atravessa Temer e Bolsonaro.
Contra a narrativa bolsonarista (“com Bolsonaro a violência caiu”):
- A maior queda (2019) aconteceu no primeiro ano, antes de qualquer política federal ter tempo de produzir efeito, e em cima de uma queda que já vinha de 2018. Especialistas atribuem o movimento ao fim da guerra PCC x CV no Norte/Nordeste e ao envelhecimento da população, não a decreto.
- 2020, em plena disparada das compras de armas por civis, foi o único ano entre 2018 e 2024 em que os homicídios subiram (+9,6%). Os números da liberação (Anuário FBSP, PF e Exército): armas registradas no Sinarm (civis, PF) foram de 646.127 em 2018 para 1.558.416 em 2022 (+141%); registros de CAC (caçadores, atiradores e colecionadores) saltaram de 117.467 para 783.385 (6,7 vezes); o acervo de armas de CAC foi de 350.683 para 1.261.000; as compras anuais de armas por CAC foram de 59.417 (2018) para 431.137 (2022), 7,3 vezes mais. Foram mais de 40 decretos e portarias sobre armas em quatro anos (Instituto Sou da Paz).
- A tese “mais armas, menos crime” não aparece no dado: o Brasil mais armado da história (2022) tinha taxa de homicídio praticamente igual à de 2019 (22,0 contra 21,9 por 100 mil, cálculo Crime Brasil; Atlas: 22,1 e 22,0).
- Em quatro anos, 189.627 pessoas foram assassinadas. Em dois anos de Lula 3, 88.337. A média diária caiu de 130 para 121.
- O Brasil de 2022 (46.409) ainda era mais violento que o Brasil de 2000 (45.433).
O que Lula não desarmou: os decretos 11.366 (01/01/2023), que suspendeu novos registros, e 11.615 (21/07/2023), que regulamentou a nova política, cortaram as novas concessões de CAC (329.493 em 2022; 272 em 2023; 67.859 em 2024), mas não tirou arma de circulação. Os registros ativos no Sinarm (estoque, que inclui recadastramentos) continuaram subindo: 2.088.048 (2023), 2.154.944 (2024), 2.171.213 (2025). Em dezembro de 2025, a PF contava 1.022.021 CACs ativos com 1.588.677 armas; o Anuário 2026 fala em 1.064.959 pessoas e 1.644.084 armas. O estoque criado em 2019-2022 está intacto, e cerca de 1,5 milhão de registros vencem entre agosto de 2026 e agosto de 2027 (IN PF 330/2026). Quem assumir em janeiro decide o que acontece com eles.

O dado mais recente (2025-2026), régua policial
- Anuário FBSP 2026: 40.775 mortes violentas intencionais em 2025 (19,1 por 100 mil), −7,8% em número e −8,2% na taxa sobre 2024 (44.220; 20,8, valor revisado pelo próprio Anuário 2026). Coincidência: o Atlas também registra −8,2% entre 2022 e 2024, mas é outra série. Primeira vez abaixo de 20 desde que a série começou, em 2012. Homicídio doloso isolado: 15,4 por 100 mil, meta nacional de 16 (prevista para 2027) batida com dois anos de antecedência.
- Sinesp VDE (base Crime Brasil): homicídio doloso 38.575 (2022) → 31.479 (2025), −18,4%. Janeiro-agosto de 2026: 18.449 contra 21.238 no mesmo período de 2025, −13,1%. Latrocínio: 1.241 (2022) → 797 (2025), −35,8%.
- Mesmo período, na contramão: feminicídio +7,0% (1.456 → 1.558), mortes por intervenção policial 6.454 → 6.588 (+2,1%), estupro de vulnerável 55.521 → 59.366 (+6,9%).
Quem manda na segurança
Polícia Militar e Polícia Civil são estaduais. O presidente controla PF, PRF, Força Nacional, o Fundo Nacional de Segurança Pública, a política de armas e o sistema penitenciário federal. Ou seja: os dois lados reivindicam ou culpam o Planalto por um número que é, em sua maior parte, produzido por 27 governadores.
O instrumento federal que existe é o Fundo Nacional de Segurança Pública. Valores pagos, em R$ nominais (Portal da Transparência, órgão 30911):
| Ano | Dotação autorizada | Pago | % pago |
| 2019 | 1,87 bi | 0,44 bi | 23% |
| 2020 | 2,24 bi | 1,59 bi | 71% |
| 2021 | 1,51 bi | 1,13 bi | 75% |
| 2022 | 2,01 bi | 1,52 bi | 76% |
| 2023 | 2,34 bi | 1,74 bi | 74% |
| 2024 | 2,64 bi | 1,78 bi | 67% |
| 2025 | 2,44 bi | 1,91 bi | 78% |
Em 2019, primeiro ano de Bolsonaro, o fundo pagou menos de um quarto do que tinha autorizado. Em valores corrigidos (Anuário FBSP 2026, R$ de 2025), o empenho de Lula 3 ficou parado: 2,40 bi em 2023, 2,40 bi em 2024 e 2,22 bi em 2025, queda real de 7,5%, no mesmo ano em que o governo apresentou a PEC da Segurança Pública como prioridade.
São Paulo, para a Gazeta
- SP tem a menor taxa de homicídios do País em 2024: 6,6 por 100 mil (Atlas 2026), estável sobre 2023. Santa Catarina 8,1, DF 10,3. No outro extremo: Amapá 45,7, Bahia 40,9, Pernambuco 37,3.
- No 1º turno de 2026, Flávio Bolsonaro venceu em SP com 51,93%. Lula venceu nos 9 estados do Nordeste, a região com a maior taxa de homicídios do País (Bahia 40,9; Pernambuco 37,3; Alagoas 35,9; Ceará 34,3). O mapa eleitoral e o mapa da violência são quase o mesmo mapa, invertido: o eleitor do estado mais seguro votou no candidato da “segurança”; os estados mais violentos votaram em Lula.
Histórico de governo: o que cada um já fez com poder na mão

Aviso de método. Lula tem 12 anos de Presidência para ser medido (2003-2010 e 2023-2026). Flávio Bolsonaro nunca governou nada: 16 anos como deputado estadual e sete como senador. Comparar Lula com Flávio em “resultado de governo” é comparar um currículo executivo com um legislativo.
Mas o próprio Flávio se apresenta como continuidade do governo do pai (2019-2022). Por isso este capítulo mede três coisas: o que Lula fez em 12 anos, o que o governo Bolsonaro fez em quatro, e o que Flávio produziu em 23 anos de parlamento.
Flávio no Congresso: 23 anos de mandato, zero lei federal de autoria própria
| Alerj (2003-2018) | Senado (2019-2026) | |
| Proposições apresentadas | 208 | 445, das quais 66 como autor principal (53 PLs, 4 PECs, 5 PDLs, 3 PLPs e 1 PRS); 91 PECs e 7 PLs como coautor |
| Transformadas em lei | 51 | Nenhuma como autor principal |
Fonte: Folhapress (30/05/2026), Brasil de Fato (02/04/2026), API de Dados Abertos do Senado (senador 5894, consulta em 16/10/2026).
- Dois projetos dele passaram no Senado e estão parados na Câmara: PL 3071/2019 (loterias para a ABBR) e PL 2327/2021 (baterias de veículos elétricos).
- Duas normas levam a assinatura dele como coautor, entre dezenas de signatários: a Lei 15.364/2026 (microcrédito), de autoria de Esperidião Amin, e a Emenda Constitucional 137/2025 (isenção de IPVA para veículos com 20 anos ou mais).
- Das 60 matérias de autoria principal com tramitação consultável na API do Senado, 31 aguardam designação de relator, 8 estão com relator, 7 aguardam despacho, 1 foi rejeitada (PLP 132/2019), 1 prejudicada e 2 retiradas por ele mesmo. A PEC 32/2019, que reduz a maioridade penal e é a bandeira de segurança mais antiga dele, aguarda relator desde 2019 (última movimentação em 13/05/2026). O PL 2175/2019, sobre réplicas de armas, também aguarda relator.
- O pai teve dois projetos aprovados em 171 apresentados em quase 30 anos de Câmara.
- Em 2019, primeiro ano no Senado: nove discursos e nenhum projeto aprovado (Congresso em Foco).
- Cargos: 3º secretário da Mesa (2019-2020); vice-líder do governo no Congresso (2020-2023); líder da Minoria no Congresso (2023-2025); presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado desde 19/02/2025. Relator em plenário do projeto que acabou com as saídas temporárias (2024), que virou lei.

Como votou (painel do Senado):
| Matéria | Data | Voto |
| Reforma da Previdência (PEC 6/2019) | 01 e 22/10/2019 | Sim |
| PEC Emergencial (auxílio + teto) | 03-04/03/2021 | Sim |
| PEC dos Precatórios | 02/12/2021 | Sim |
| Arcabouço fiscal | 21/06/2023 | Não |
| Reforma tributária (PEC 45) | 08/11/2023 | Não |
| Regulamentação da reforma tributária (PLP 68) | 12/12/2024 | Não |
| PL do crime organizado (5582/2025) | 10/12/2025 | Sim |
| PL da Dosimetria (2162/2023, reduz penas do 8/1) | 17/12/2025 | Sim |
| PEC do fim da jornada 6×1 | 14/10/2026 | Sim |
| Marco Temporal (PL 2903/2023) | 27/09/2023 | Não registrou voto |
O voto no fim da 6×1, onze dias antes do 2º turno, contraria a posição anterior do próprio senador e do partido. Não encontramos registro do voto dele na anistia do 8 de janeiro, na isenção do IR até R$ 5 mil nem em presença e uso da cota parlamentar: esses pontos ficam fora da análise por falta de fonte verificada.
Economia: a régua por mandato
Neste capítulo, Dilma é 2011-2015; 2016 (impeachment em agosto) fica fora das médias de economia e desmatamento. Na tabela de homicídios, 2016 está com Dilma.
Fontes: IBGE via Banco Central (SGS 7326, 433, 24369, 10777, 1619, 13762, 5793), Focus de 09/10/2026. Médias e acumulados calculados pelo Crime Brasil sobre as séries anuais.
| Governo | PIB, média anual | PIB acumulado | IPCA, média anual | Dívida bruta, fim do período |
| Lula 1 (2003-2006) | 3,5% | 14,8% | 6,4% | 55,5% do PIB (2006) |
| Lula 2 (2007-2010) | 4,6% | 19,7% | 5,1% | 51,8% |
| Dilma (2011-2015) | 1,2% | 5,8% | 7,1% | 65,5% |
| Temer (2017-2018) | 1,6% | 3,1% | 3,4% | 75,3% |
| Bolsonaro (2019-2022) | 1,4% | 5,7% | 6,2% | 71,7% |
| Lula 3 (2023-2025) | 3,0% | 9,2% | 4,6% | 78,6% (2025); 82,9% em ago/2026 |
- Lula 1 e 2 cresceram mais, com inflação maior e dívida caindo. Superávit primário de 2% a 3,7% do PIB em todos os anos. Vento a favor: o maior ciclo de commodities da história recente.
- Bolsonaro: pior crescimento médio desde Dilma, com pandemia no meio. 2020 caiu 3,3%; 2021 subiu 4,8%; 2022, 3,0%. O IPCA de 2021 (10,06%) foi o maior desde 2015. Primário de 2020: déficit de 9,2% do PIB, o maior da série; em 2022, superávit de 1,25%, o primeiro desde 2013. A dívida caiu de 86,9% (2020) para 71,7% (2022), em parte por inflação alta e crescimento nominal.
- Lula 3: crescimento acima de Bolsonaro, inflação na meta, dívida em disparada. PIB médio de 3,0% em 2023-2025, com 2026 desacelerando (1,9% acumulado em 4 trimestres até o 2º tri; Focus 1,85%). IPCA em 4,26% (2025) e 4,58% em 12 meses até setembro de 2026. Mas a dívida bruta saiu de 71,7% para 82,9% do PIB em três anos e oito meses, 11,2 pontos, a maior alta em um mandato desde Dilma (51,8% em 2010 para 69,8% em 2016). Déficit primário em todos os anos (−2,28%, −0,40%, −0,43%; −0,62% em 12 meses até agosto de 2026).

Desemprego (PNAD Contínua, trimestre outubro-dezembro): 2018 11,7% → 2020 14,2% → 2022 7,9% → 2025 5,1%. Junho-agosto de 2026: 5,3%. É o menor desemprego da série histórica, iniciada em 2012. Cerca de dois terços da queda desde o pico da pandemia aconteceram sob Bolsonaro (14,2 → 7,9) e um terço sob Lula 3 (7,9 → 5,1). Nenhum dos dois lados costuma dizer isso.
Salário mínimo real (deflacionado pelo INPC, R$ de set/2026): Lula 1 +38,3%; Lula 2 +17,4%; Dilma +15,7%; Temer +2,2%; Bolsonaro −1,2% (único governo desde 2003 em que o mínimo perdeu para a inflação); Lula 3 +13,9%.
Pobreza, desigualdade e fome
Pobreza (linha do Banco Mundial de US$ 6,85/dia, PPC 2017):
| Ano | Banco Mundial (PIP) | IBGE (SIS 2025) |
| 2003 | 48,7% | — |
| 2006 | 41,4% | — |
| 2011 | 29,9% | — |
| 2014 | 24,4% | — |
| 2018 | 26,8% | — |
| 2019 | 26,3% | 32,6% |
| 2020 | 18,8% (auxílio emergencial) | 31,1% |
| 2021 | 28,4% | 36,8% |
| 2022 | 23,4% | 31,6% |
| 2023 | 21,6% | 27,3% |
| 2024 | 18,9% | 23,1% (48,9 milhões de pessoas) |

As duas séries usam metodologias diferentes e não se misturam. O movimento é o mesmo nas duas: queda forte em Lula 1 e 2 (de 48,7% para cerca de 30%, quase 20 pontos em oito anos), estagnação de 2014 a 2019, o pior ano da série recente em 2021 (36,8% pelo IBGE, 9,0% em extrema pobreza) quando o auxílio emergencial acabou, queda em 2022 com o Auxílio Brasil de R$ 600 em ano eleitoral, e o menor nível da série em 2024 (23,1%; extrema pobreza 3,5%, 7,4 milhões de pessoas).
Gini (IBGE, renda domiciliar per capita): 2012 0,540 → 2018 0,545 → 2019 0,543 → 2021 0,543 → 2022 0,517 → 2024 0,504 (menor da série) → 2025 0,511 (voltou a subir). Antes de 2012, pela PNAD via Banco Mundial: 2003 0,576 → 2011 0,529. Em quatro anos de Bolsonaro, o Gini caiu 0,028 (0,545 → 0,517), em boa parte por efeito das transferências de 2020-2022. Em 2025, sob Lula 3, piorou pela primeira vez desde 2021.
Fome. Aqui há duas réguas, e a disputa política usa a que convém:
- Rede PENSSAN (pesquisa domiciliar independente): 19,1 milhões em insegurança alimentar grave em dezembro de 2020; 33,1 milhões entre novembro de 2021 e abril de 2022. É o número “33 milhões de brasileiros passando fome” da campanha de 2022.
- IBGE (PNAD Contínua): 8,5 milhões em insegurança grave em 2023; 6,5 milhões em 2024 (3,2% dos domicílios, mesmo patamar de 2013, melhor marca da série). O IBGE não mediu 2021-2022, e o próprio instituto avisa que as pesquisas não são comparáveis entre si.
- FAO: o Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014, voltou durante a pandemia e saiu de novo no relatório SOFI de 28/07/2025 (subalimentação abaixo de 2,5% no triênio 2022-2024). Saiu do mapa no relatório de 2014 (Dilma), voltou no relatório de 2022, durante o governo Bolsonaro (triênio 2019-2021), e saiu de novo em 2025 (Lula 3).
Bolsa Família / Auxílio Brasil: 1,15 milhão de famílias em outubro de 2003 → 12,8 milhões em 2010 → 14,1 milhões em dezembro de 2018 (R$ 186,78 de benefício médio) → 21,6 milhões em dezembro de 2022 (R$ 607,14), após o Auxílio Brasil de R$ 600 aprovado em julho de 2022, três meses antes da eleição → 19,4 milhões em 2025 (R$ 675,52 médio; R$ 691,37 em dezembro). O programa que Bolsonaro chamou de “esmola” em 2017 saiu do governo dele com o maior número de famílias e o maior valor da história até então.
Amazônia: o dado que inverte o rótulo dos dois
Desmatamento na Amazônia Legal (PRODES/INPE, km² por ano, agosto a julho):
| Governo | Série | Média anual |
| Lula 1 (2003-2006) | 25.396 · 27.772 · 19.014 · 14.285 | 21.617 |
| Lula 2 (2007-2010) | 11.651 · 12.911 · 7.464 · 7.000 | 9.757 |
| Dilma (2011-2015) | 6.418 · 4.571 · 5.891 · 5.012 · 6.207 | 5.620 |
| Temer (2017-2018) | 6.947 · 7.536 | 7.242 |
| Bolsonaro (2019-2022) | 10.129 · 10.851 · 13.038 · 11.594 | 11.403 |
| Lula 3 (2023-2025) | 9.064 · 6.518 · 5.731 | 7.104 |

O governo que mais desmatou a Amazônia neste século foi Lula 1. 2004 teve 27.772 km², o segundo pior ano da série do PRODES (atrás só de 1995). A média de Lula 1 é quase o dobro da de Bolsonaro.
- Lula 2 reduziu a média para menos da metade (9.757), e Dilma chegou ao mínimo histórico (4.571 km² em 2012).
- Bolsonaro reverteu a tendência: +57% na média contra Temer, pico de 13.038 km² em 2021, pior ano desde 2006.
- Lula 3 voltou a derrubar: 5.731 km² em 2025 (consolidado em março de 2026), menor valor desde 2014.
Os dois lados usam o recorte que convém: o PT fala de 2023-2025, o bolsonarismo fala do pico de 2004. O dado completo é: Lula desmatou muito e depois aprendeu a frear; Bolsonaro soltou o freio; Lula 3 pisou de novo.
Pandemia
- Mortes por Covid-19 até 01/01/2023, fim do governo Bolsonaro: 693.853 (OMS). Total até 27/09/2026: 704.092. O Brasil é o segundo País do mundo em mortes absolutas, atrás só dos Estados Unidos (1,24 milhão) e à frente da Índia, que tem seis vezes a população brasileira.
- A CPI da Covid aprovou em 26/10/2021 (7 votos a 4) relatório com 80 pedidos de indiciamento. A Bolsonaro, nove crimes (entre eles epidemia com resultado morte, charlatanismo, prevaricação e crimes contra a humanidade). Flávio Bolsonaro, Eduardo e Carlos constam da lista, por incitação ao crime. A PGR não ofereceu denúncia contra o presidente nem contra os filhos com base no relatório.
Prisões
População carcerária (Sisdepen/Senappen, Anuário FBSP 2026, sistema penitenciário, sem custódia policial):
| 2003 | 2010 | 2014 | 2018 | 2022 | 2024 | 2025 |
| 240.203 | 445.705 | 584.758 | 725.332 | 826.740 | 905.843 | 960.976 |
- Lula 1 e 2 quase dobraram a população presa: +86% em oito anos, o maior crescimento de qualquer governo desde 2003. Bolsonaro: +14% em quatro anos. Lula 3: 961 mil em 2025, mas a série quebra em 2024, quando o Sisdepen passou a contar prisão domiciliar (233.081 em 2025; 727.301 em celas), o que impede comparar com 2022.
- O discurso “a esquerda solta bandido” não aparece no número: o Brasil prendeu mais sob Lula do que sob qualquer outro presidente, e tem hoje uma das três maiores populações carcerárias do mundo (World Prison Brief).
Aprovação: o que o eleitor disse a cada um (Datafolha, ótimo/bom x ruim/péssimo)
| Momento (avaliação do governo) | Ótimo/bom | Ruim/péssimo |
| Lula, fim do 1º mandato (dez/2006) | 52% | 14% |
| Lula, fim do 2º mandato (dez/2010) | 83% | 4% |
| Bolsonaro, pior momento (dez/2021) | 22% | 53% |
| Bolsonaro, fim do mandato (dez/2022) | 39% | 37% |
| Lula 3, pior momento (fev/2025) | 24% | 41% |
| Lula 3, 13-14/10/2026 | 35% | 41% |

Lula saiu de 2010 como o presidente mais bem avaliado da série. Lula de 2026 chega ao 2º turno com 41% de ruim/péssimo contra 35% de ótimo/bom, saldo de −6 pontos, pior do que Bolsonaro no fim do mandato (39% ótimo/bom x 37% ruim/péssimo, saldo +2). Nenhum presidente brasileiro foi reeleito com avaliação negativa maior que a positiva.
A eleição: o que as urnas e as pesquisas já disseram

Primeiro turno (04/10/2026, TSE)
| Candidato | Votos | % válidos |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 56.104.503 | 47,03 |
| Lula (PT) | 53.879.538 | 45,16 |
| Augusto Cury (Avante) | 3.448.569 | 2,89 |
| Renan Santos (Missão) | 2.675.887 | 2,24 |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 2.605.148 | 2,18 |
| Romeu Zema (Novo) | 326.488 | 0,27 |
| Outros 6 | 260.655 | 0,22 |
Comparecimento 125.275.835 (78,92%); abstenção 33.469.244 (21,08%); brancos 2.300.798 (1,84%); nulos 3.674.249 (2,93%). Diferença entre os dois: 2.224.965 votos.
O dado que inverte a leitura de 2022:
| 1º turno 2022 | 1º turno 2026 | |
| Lula | 48,43% (57.259.504) | 45,16% (53.879.538) |
| Bolsonaro / Flávio | 43,20% (51.072.345) | 47,03% (56.104.503) |
Flávio fez 5 milhões de votos a mais que o pai e 3,83 pontos a mais. Lula perdeu 3,4 milhões de votos e 3,27 pontos. Um presidente em exercício, com 48% de aprovação (Datafolha), chegou ao 2º turno em segundo lugar pela primeira vez desde 1989, sua primeira candidatura (esta é a sétima).
Mapa: 15 a 12
- Flávio venceu em 15 unidades: RR 71,1%; RO 67,5%; SC 66,7%; MT 65,1%; AC 64,6%; PR 59,9%; MS 58,6%; RS 55,6%; ES 54,8%; GO 53,6%; RJ 53,0%; SP 51,9%; DF 51,3%; TO 50,4%; MG 48,2%.
- Lula venceu em 12: PI 71,0%; BA 66,2%; MA 64,0%; PE 63,5%; CE 63,3%; SE 62,7%; PB 61,3%; RN 59,8%; AL 54,7%; PA 49,9%; AM 48,2%; AP 45,7% (por 0,04 ponto).
- Nordeste inteiro com Lula; Sul, Centro-Oeste e Sudeste inteiros com Flávio. Norte dividido.
- Em São Paulo: Flávio 51,9%, Lula 38,2%. No Rio: 53,0% a 39,4%. No Paraná: 59,9% a 31,2%. Na Bahia: Lula 66,2%, Flávio 28,5%.
- Congresso: PL saltou para 121 deputados (+22) e 29 senadores (+14); PT ficou com 70 deputados (+1) e 9 senadores.
Perfil do voto (Datafolha, 06-08/10): evangélicos Flávio 69% x 25%; católicos Lula 53% x 41%; renda até 2 salários mínimos Lula 52% x 41%; 2 a 5 salários Flávio 56% x 38%; ensino fundamental Lula 55% x 41%. Dos eleitores de Cury, Renan, Caiado e Zema, 46% migram para Flávio, 32% para Lula, 15% anulam.
Pesquisas de 2º turno (campo após 04/10)
| Instituto | Campo | n | Flávio | Lula | Válidos F x L | Registro TSE |
| AtlasIntel/Bloomberg | 03-08/10 | 5.026 | 51,1 | 45,7 | 52,8 x 47,2 | BR-03663/2026 |
| Datafolha | 06-08/10 | 2.520 | 49 | 45 | 52 x 48 | BR-02949/2026 |
| Ipespe | 06-08/10 | 1.500 | 49 | 44 | 52,7 x 47,3 | — |
| Nexus/BTG | 10-12/10 | 2.002 | 48 | 45 | 52 x 48 | BR-07997/2026 |
| Quaest/Genial | 10-13/10 | 2.154 | 46 | 44 | ≈51 x 49 | BR-08729/2026 |
| CNT/MDA | 13-15/10 | 2.014 | 46,8 | 45,9 | 50,5 x 49,5 | BR-00652/2026 |
| Datafolha | 13-15/10 | 2.520 | 47 | 45 | 51 x 49 | BR-00466/2026 |
| PoderData/Aya | 13-15/10 | 3.000 | 50 | 50 | 50 x 50 | BR-04258/2026 |

Leitura: Flávio aparece à frente em todas, mas a vantagem encolheu de 5 a 6 pontos (semana de 06/10) para 1 a 2 pontos (semana de 13/10). Em votos válidos, saiu de 52-53 x 47-48 para 50-51 x 49-50. Empate técnico a nove dias do 2º turno. Agregadores de 14-16/10: UOL 51,6 x 48,4; BBC 48 x 45; PollingData 47,5 x 44,5 (Flávio x Lula).
Rejeição: Datafolha (13-15/10) Lula 46%, Flávio 44%; Quaest Flávio 54%, Lula 53%; CNT/MDA Lula 48,8%, Flávio 46,6%. Cada um dos dois é rejeitado por 44% a 54% do eleitorado, conforme o instituto.
As duas pessoas
| Lula | Flávio Bolsonaro | |
| Idade na posse (05/01/2027) | 81 anos | 45 anos |
| Experiência executiva | 12 anos de Presidência (2003-2010, 2023-) | Nenhuma. Nunca ocupou cargo executivo |
| Mandatos | Deputado federal constituinte (1987-1991); presidente 3 vezes | Deputado estadual RJ 4 vezes (2003-2018); senador desde 2019 |
| Vice | Geraldo Alckmin (PSB) | Alfredo Gaspar |
| Patrimônio declarado ao TSE | 2018: R$ 7,99 mi → 2022: R$ 7,42 mi → 2026: R$ 4,77 mi (−40% desde 2018) | 2018: R$ 1,74 mi → 2026: R$ 8,19 mi (4,7 vezes; +370% nominal, +211% já corrigido pela inflação, Poder360). 76% é a casa do Lago Sul, R$ 6,23 mi, comprada em 2021 com R$ 3,1 mi do BRB |
| Saúde divulgada | Cirurgia para drenar hematoma na cabeça (10/12/2024, após queda em 19/10/2024); carcinoma basocelular retirado do couro cabeludo (24/04/2026); check-up normal (08/03/2026) | Nenhum boletim oficial |
| Candidato por quê | Condenações anuladas em 2021 | Pai inelegível até 2030 e condenado a 27 anos e 3 meses |

O que cada lado não quer que você veja
| O eleitor de Lula prefere não olhar | O eleitor de Flávio prefere não olhar |
| Lula não foi inocentado. O triplex prescreveu; Atibaia teve a denúncia rejeitada. Nenhum juiz disse que ele não fez. | Flávio não foi inocentado. As provas da rachadinha foram anuladas por erro de competência; o conteúdo delas nunca foi examinado. O caso pode voltar. |
| 402.220 homicídios em 2003-2010, e o País saiu mais violento do que entrou. | 2020, o ano da liberação das armas, foi o único de alta forte nos homicídios em dez anos. Mais armas não trouxe menos crime. |
| A “menor violência da história” de 2024 convive com 7.083 mortes sem causa definida (+88,6%), 6.602 mortos pela polícia e 1.571 feminicídios, todos recordes. | A queda dos homicídios começou em 2018, antes de Bolsonaro, e continuou depois dele. O pico de queda (2019) veio antes de qualquer política federal ter efeito. |
| A dívida bruta subiu 11 pontos do PIB desde 2023, sem pandemia, com déficit primário em todos os anos. O Gini voltou a subir em 2025. | O salário mínimo perdeu para a inflação em 2019-2022, único governo desde 2003 em que isso aconteceu. 2021 foi o pior ano de pobreza da série (36,8%), com 33 milhões em insegurança alimentar grave. |
| Lula 1 foi o governo que mais desmatou a Amazônia neste século. | Bolsonaro levou o desmatamento ao maior nível desde 2006 (13.038 km² em 2021) e o País de volta ao Mapa da Fome (relatório da FAO de 2022). |
| Lula prendeu mais que qualquer presidente (+86%) e agora governa com 41% de ruim/péssimo, mais do que Bolsonaro ao sair (37%). | Flávio tem 23 anos de mandato sem uma lei federal própria, patrimônio declarado que quase quintuplicou em oito anos, e uma casa financiada por um banco hoje sob investigação. |
| Lula terá 81 anos na posse, com uma cirurgia na cabeça (dez/2024) e um câncer de pele removido (abr/2026) nos últimos dois anos. | Flávio nunca administrou nada: 23 anos de mandato legislativo e nenhum cargo executivo, nem uma secretaria. |
A frase que resume: os dois candidatos pedem ao eleitor um voto de confiança que os números não autorizam e que a Justiça não resolveu. O que resta é o dado, e o dado diz que o País melhorou em homicídios, desemprego, pobreza e desmatamento ao longo dos últimos oito anos, sob dois governos opostos, por razões que nenhum deles controla sozinho, e piorou em dívida, mortes pela polícia, violência contra a mulher e desigualdade recente, sob o governo que pede mais quatro anos.
Nota de método e o que não confirmamos
Réguas. Homicídios: Atlas da Violência (IPEA/FBSP), que usa o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM), série 1989-2024, reconstruída UF a UF no banco do Crime Brasil e conferida ano a ano com o IPEA. 2025 e 2026 usam dado policial (Anuário FBSP e Sinesp VDE), que não é a mesma régua e fica identificado como tal. Taxas por 100 mil foram recalculadas pelo Crime Brasil com a população do IBGE (Projeções, revisão 2024) e diferem em até 0,1 das taxas publicadas pelo Atlas, que usa PNAD Contínua. Atribuímos cada ano-calendário ao presidente que governou a maior parte dele; 2016 fica com Dilma e o ano PRODES (agosto a julho) não coincide com mandatos.
Economia e social. IBGE via Banco Central (SGS), Banco Mundial (PIP), IBGE Síntese de Indicadores Sociais 2025, Rede PENSSAN, FAO SOFI 2025, INPE PRODES, OMS. Médias por governo são cálculo do Crime Brasil sobre séries anuais oficiais. As séries de pobreza do IBGE e do Banco Mundial não são comparáveis entre si e aparecem separadas. A pesquisa de desemprego muda de metodologia em 2012 (PME para PNAD Contínua).
Processos. Decisões do STF, STJ, TRF-4, TRF-1, TJ-RJ, TJDFT e TSE, com datas conferidas em pelo menos duas fontes (Agência Brasil, Conjur, Migalhas, G1, Folha, Poder360, Metrópoles). Valores de denúncia são os do MP-RJ e do MPF, não achados judiciais.
Eleição. TSE (resultado oficial do 1º turno) e registros das pesquisas no TSE (BR-xxxxx/2026), todos citados na tabela.O que não houve confirmação, não entrou nos dados: o voto de Flávio na anistia do 8 de janeiro, na isenção do IR até R$ 5 mil e no orçamento secreto; seu percentual de presença e uso da cota parlamentar (CEAPS); a série completa do Bolsa Família ano a ano; o efetivo da PF e da PRF por ano; o triênio exato em que o Brasil voltou ao Mapa da Fome (a FAO cita 2021; outra fonte, 2018); extrema pobreza do IBGE em 2019-2020.
Fontes do estudo
- IPEA/FBSP, Atlas da Violência 2026 (26/05/2026)
- FBSP, Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (23/07/2026)
- Ministério da Justiça, Sinesp VDE (dados estaduais mensais, 2020 a ago/2026)
- IBGE, Projeções da População, revisão 2024; PNAD Contínua; Síntese de Indicadores Sociais 2025 (03/12/2025); SIDRA tabelas 7435, 5932, 1737
- Banco Central, SGS séries 7326, 433, 24369, 10777, 1619, 188, 13762, 5793; Focus 09/10/2026
- Banco Mundial, Poverty and Inequality Platform (PIP), PPC 2017
- Rede PENSSAN, I e II VIGISAN (2020, 2022); FAO, SOFI 2025 (28/07/2025)
- INPE, PRODES, notas técnicas 2019-2025 e taxa consolidada 2025 (março/2026)
- OMS, WHO COVID-19 global data (27/09/2026)
- Senado Federal, CPI da Pandemia, relatório final (26/10/2021); API de Dados Abertos do Senado (senador 5894; consulta 16/10/2026)
- Portal da Transparência, órgão 30911 (Fundo Nacional de Segurança Pública), 2019-2025
- Senappen/Sisdepen, via Anuário FBSP 2026, tabela 75
- Anuários FBSP 2024, 2025 e 2026 (armas, CACs, Sinarm); PF (15/12/2025); Instituto Sou da Paz
- Decretos 9.685/2019, 9.785/2019, 9.844-9.847/2019, 10.030/2019, 10.627-10.630/2021; 11.366/2023, 11.615/2023, 12.345/2024; IN PF 330/2026
- STF: HC 193.726 (Fachin, 08/03/2021); Plenário 15/04/2021; 2ª Turma, HC 164.493 (23/03/2021); AP 470; Pet (Flávio) relatoria Gilmar Mendes (26/02/2025; 29/09/2026); Inq. 5026 (Mendonça, 22-23/07/2026); AP 2668 (11/09/2025, trânsito 25/11/2025)
- STJ: HC 674.829 (5ª Turma, 09/11/2021); REsp triplex (23/04/2019)
- TRF-4 (24/01/2018; 27/11/2019); TRF-1 (jul/2025); 12ª Vara Federal do DF (jan/2022); TJ-RJ (16/05/2022); TJDFT (nov/2023)
- TSE: registro de candidatura 2022 (08/09/2022); inelegibilidade de Jair Bolsonaro (30/06/2023); resultado 1º turno 2026 (04-05/10/2026); declarações de bens 2018, 2022 e 2026 (DivulgaCand)
- Pesquisas: Datafolha BR-02949/2026 e BR-00466/2026; Quaest BR-08729/2026; AtlasIntel BR-03663/2026; CNT/MDA BR-00652/2026; Nexus BR-07997/2026; PoderData BR-04258/2026; Ipespe (06-08/10)
- Datafolha, avaliação de governo 2003-2026 (via Folha, Poder360, CNN Brasil, Terra)
- Folhapress (30/05/2026), Brasil de Fato (02/04/2026), Congresso em Foco (19/05/2020), Metrópoles (registro de candidatura Flávio, 2026), Jovem Pan (patrimônio Lula, 08/08/2026), Poder360
- Banco de dados Crime Brasil: app.ipea_atlas_violencia, app.sinesp_vde, app.ibge_pop_municipios (consulta 16/10/2026)













