Flávio Bolsonaro diz topar abrir sigilo bancário e telefônico após desafio de Lula, mas impõe condições que vão além da disputa entre eles

Candidato à presidencia condicionou liberação de seus dados a abertura de dados de Marcola, ex-chefe de gabinete do governo, e empresas de familiares e sócios de Lula

Lula e Flávio Bolsonaro

Lula e Flávio trocam condições para abertura de sigilos / Fabio Pozzebom/Bruno Peres/Agência Brasil

Um dia após o Presidente Lula (PT) protocolar formalmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e também no Supremo Tribunal Federal (STF), um requerimento autorizando a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, Flávio Bolsonaro diz topar abrir seus dados, mas com uma lista de condições.

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Em fala nesta quarta-feira (21/10), durante evento em Guarulhos, na Grande São Paulo, o candidato do PL na eleição presidencial deste ano anunciou que apresentou uma petição no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em resposta ao desafio de quebras de sigilo lançado por Lula.

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Veja a lista de exigências:

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  • Sigilo de assessores diretos: entrega de autorizações formais para a quebra de sigilo bancário e telefônico de auxiliares próximos, a exemplo do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola).
  • Negócios familiares e entidades ligadas a Lula: abertura das contas e sigilos fiscais de empreendimentos associados a parentes do presidente,como as sociedades de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), operações no exterior e negócios de outros filhos, além de dados sobre o Instituto Lula e a L.I.L.S. Palestras desde 2003.
  • Uso do cartão corporativo e rotina da primeira-dama: divulgação completa dos custos com cartão corporativo da Presidência a partir de janeiro de 2023, acompanhada dos registros de compromissos oficiais de Janja desde o início da gestão.
  • Investigação sobre o INSS e aliados: esclarecimentos acerca da influência e do trânsito da lobista Roberta Luchsinger junto ao governo (incluindo acessos a palácios e voos pela FAB), somados ao levantamento do sigilo de Frei Chico, irmão do presidente.
  • Desdobramentos do Caso Master: liberação total da lista de recepção do Palácio do Planalto e prestação de contas sobre o encontro de Lula com o empresário Daniel Vorcaro em dezembro de 2024.

O desafio de Lula a Flávio

Durante debate na Band, no domingo (18/10), Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancários e telefônicos. Em troca, o Presidente também abriria todos os seus dados e de sua família.

Inicialmente, Flávio não respondeu ao pedido de Lula e aliados do senador chegaram a dizer que ele não liberaria seus sigilos.

Na terça-feira (20/10), a defesa de Lula protocolou os dados do Presidente no TSE e abriu não apenas os próprios dados, mas também estendeu a autorização para a primeira-dama, Janja, para os seus cinco filhos (incluindo Fábio Luís, o “Lulinha”, Sandro Luís e Luís Cláudio) e para empresas associadas ao núcleo familiar, abrangendo o período dos últimos oito anos.

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Pablo Marçal reagiu a desafio de Lula sobre Flávio Bolsonaro

O empresário Pablo Marçal realizou nesta terça-feira (20/10) um evento em Alphaville, na Grande São Paulo, para a realização de gravações de uma série de vídeos curtos com influenciadores ligados à direita para apoiar Flávio no segundo turno das eleições.

Em conversa com a imprensa, Marçal rebateu o desafio de Lula para que Flávio abra seu sigilo fiscal e financeiro e afirmou que o Presidente irá ouvir um “6, ladrão” de volta, fazendo referência ao jogo de truco.

“Lula, nós aceitamos o desafio. Eu falo pelo Flávio, abre o sigilo. Você tá jogando truco num bar e a gente, se você insistir com isso lá no debate da Globo, você vai ouvir um ‘seis, ladrão’. É assim que funciona no truco? Ele tá trucando com J, com Q e com K. Você não tem zap e sete de copas aí, não. Sabe por quê? Porque você não usa o celular e você foi condenado por ocultação de patrimônio. Você vai abrir o quê? Vai mostrar o quê na ocultação de patrimônio, se não usa celular e tudo se dá por fora?”, afirmou Marçal.