El Niño pode afetar a qualidade do ar em São Paulo? Veja como consultar os índices

Fenômeno tem mais de 95% de probabilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro; Cetesb monitora poluentes em 85 estações no estado

Foto: São Paulo/João Scarpi/Wikimedia Commons

A previsão de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses preocupa especialistas em entidades públicas de diferentes frentes. Além da alteração no clima, o fenômeno também deve alterar a qualidade do ar em São Paulo.

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As alterações nos padrões de temperatura, chuva e circulação atmosférica associadas ao fenômeno podem influenciar a concentração de poluentes e as condições de dispersão na atmosfera. Para acompanhar essas mudanças, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mantém uma rede de 85 estações de monitoramento distribuídas pelo estado.

Segundo o quarto boletim do Painel El Niño 2026–2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e outros órgãos federais em 1º de outubro, a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro supera 95%. As projeções também indicam que o El Niño pode persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

Embora o fenômeno não provoque necessariamente uma piora na qualidade do ar, as mudanças meteorológicas podem interferir no comportamento dos poluentes. Por isso, acompanhar os índices é importante para identificar episódios de maior concentração de substâncias nocivas e orientar a população, especialmente os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição.

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Como o El Niño pode influenciar a qualidade do ar?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.

Na prática, as condições meteorológicas determinam, em parte, se os poluentes emitidos por veículos, indústrias e outras fontes serão dispersos ou permanecerão mais concentrados perto da superfície.

Períodos de pouca chuva podem reduzir a remoção de partículas da atmosfera pela precipitação. Já condições de estabilidade atmosférica e ventos fracos podem dificultar a dispersão de determinados poluentes. Temperaturas elevadas também favorecem a formação de ozônio troposférico, um poluente que se forma por reações químicas envolvendo outros compostos na presença de luz solar.

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Esses efeitos, porém, não são automáticos nem iguais em todas as regiões. A qualidade do ar depende também das emissões locais, da intensidade dos ventos, da umidade e de outros fatores meteorológicos.

O monitoramento permite verificar o que efetivamente acontece em cada região, sem presumir que a previsão de um El Niño intenso resultará necessariamente em níveis mais altos de poluição.

Cetesb monitora poluentes em 85 estações

A rede de monitoramento da Cetesb é composta por 63 estações automáticas e 22 pontos de monitoramento manual, distribuídos por diferentes regiões do estado. A estrutura acompanha poluentes atmosféricos e fornece informações para avaliar as condições ambientais.

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Entre as substâncias monitoradas estão:

  • Material particulado (MP10 e MP2,5): partículas suspensas no ar, como poeira e fuligem, que podem ser inaladas;
  • Ozônio (O3): poluente formado na atmosfera por reações químicas favorecidas pela luz solar;
  • Dióxido de nitrogênio (NO2): gás associado, entre outras fontes, à queima de combustíveis;
  • Dióxido de enxofre (SO2): gás emitido principalmente pela queima de combustíveis que contêm enxofre e por determinados processos industriais;
  • Monóxido de carbono (CO): gás produzido pela combustão incompleta de combustíveis.

Nas estações automáticas, os dados são disponibilizados praticamente em tempo real. A rede permite acompanhar as condições da capital, da Região Metropolitana de São Paulo, do litoral e de municípios do interior.

A estrutura foi ampliada recentemente com a entrada em operação de uma estação automática em Sapopemba, na Zona Leste da capital.

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MP2,5: por que as partículas finas preocupam?

Entre os poluentes acompanhados pela Cetesb, o material particulado fino, conhecido como MP2,5, exige atenção especial por seus efeitos sobre a saúde.

Essas partículas têm diâmetro de até 2,5 micrômetros, dimensão muito pequena que permite sua penetração profunda no sistema respiratório. Parte delas pode alcançar os alvéolos pulmonares, e a exposição à poluição por partículas finas está associada a efeitos cardiovasculares e respiratórios.

Em 2026, a Cetesb ampliou o monitoramento desse poluente com a entrada em operação de novos analisadores nas estações de Santo André-Capuava, Sorocaba e Campinas-Taquaral.

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Segundo a companhia, todas as estações da Região Metropolitana de São Paulo aptas a realizar esse tipo de medição monitoram o MP2,5. O acompanhamento também abrange municípios do interior.

A concentração dessas partículas pode variar conforme as emissões e as condições meteorológicas. Por isso, consultar os dados locais é mais útil para orientar a rotina do que considerar apenas a previsão geral do fenômeno climático.

Como consultar a qualidade do ar em São Paulo?

A população pode verificar os índices de poluição no portal da Cetesb e no aplicativo oficial da companhia, disponível para celulares com sistemas iOS e Android.

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A página de monitoramento apresenta os dados registrados pelas estações automáticas e permite verificar a classificação da qualidade do ar em diferentes localidades.

O Boletim Diário de Qualidade do Ar é publicado às 11h. O documento reúne um resumo das condições registradas nas 24 horas anteriores e uma previsão das condições de dispersão dos poluentes para as horas seguintes, considerando os indicadores meteorológicos.

A classificação da qualidade do ar é dividida em cinco categorias: boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima. A avaliação de cada estação considera o poluente que apresenta a pior situação entre os indicadores monitorados.

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Como se proteger em dias de poluição elevada?

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares merecem atenção especial durante episódios de piora da qualidade do ar.

Quando os índices indicarem condições desfavoráveis, algumas medidas podem ajudar a reduzir a exposição:

  • Reduza atividades físicas intensas ao ar livre, principalmente nos horários e locais com maior concentração de poluentes.
  • Consulte os índices antes de correr, caminhar ou praticar exercícios em ambientes externos.
  • Pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem seguir as orientações de seus profissionais de saúde e ficar atentas ao surgimento ou agravamento de sintomas.
  • Em caso de falta de ar intensa, dor no peito ou outros sintomas importantes, procure atendimento médico.

O acompanhamento dos dados locais é especialmente relevante em períodos de mudanças meteorológicas. Apesar da previsão de um El Niño muito forte, são as condições efetivamente registradas em cada região que devem orientar os cuidados com a exposição à poluição atmosférica.