Com o aval provisório da União Europeia (UE), o Mercosul trabalha para marcar, já na próxima semana, no Paraguai, a reunião entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e os chefes de Estado do bloco sul-americano para a assinatura do acordo comercial negociado há mais de duas décadas.
O encontro deve ocorrer no Paraguai, que exerce atualmente a presidência rotativa do Mercosul.
A estratégia, segundo fontes diplomáticas, é organizar a cúpula no menor prazo possível, caso o tratado seja formalmente aprovado pelas instâncias europeias.
Apesar do avanço, a diplomacia sul-americana adota cautela, principalmente após alguns discursos de outras lideranças mundiais contra a relação entre os dois blocos.
O acordo ainda precisa ser ratificado pelo Conselho Europeu, por meio de procedimento de manifestação por escrito, após um aval provisório dado por uma maioria que representa mais de 55% dos países da UE e mais de 65% da população do bloco.
Aval político em Bruxelas
Reuniões realizadas em Bruxelas nesta semana aproximaram a Itália — considerada fiel da balança dentro da UE — da aprovação do tratado.
Com isso, cresce a expectativa de que Ursula von der Leyen viaje ao Paraguai na próxima semana para formalizar a assinatura com os líderes do Mercosul.
Na quarta-feira (7), ministros da Agricultura da UE anunciaram um pacote de 293 bilhões de euros destinado à política agrícola do bloco, além de recursos para pesquisa, reservas contra crises de mercado e redução de tarifas sobre fertilizantes.
As medidas foram interpretadas como um aceno aos agricultores europeus, tradicionalmente resistentes ao acordo com o Mercosul, que temiam serem prejudicados pelos benefícios comerciais entre EU e o bloco sul-americano, principalmente pelo setor agrícola brasileiro.
Salvaguardas e última resistência
Mesmo com o avanço, a Itália ainda pressiona por ajustes no mecanismo de salvaguarda previsto no tratado.
Esse dispositivo permite que a UE suspenda temporariamente benefícios tarifários para produtos agrícolas considerados sensíveis, como carne bovina e aves, caso as importações do Mercosul sejam vistas como prejudiciais ao mercado europeu.
Pelo texto atual, a UE pode iniciar uma investigação se as importações desses produtos crescerem, em média, 8% ao longo de três anos.
A Itália defende a redução desse percentual para 5%. A votação sobre esse ponto deve acontecer nesta sexta-feira (9), a portas fechadas, em Bruxelas, e deve definir o texto final desse mecanismo no acordo.
