Novo colunista da Gazeta prevê Eleições 2026 ainda com forte polarização

Cientista político Elias Tavares terá coluna semanal tanto no impresso quanto no digital

Elias Tavares analisou o cenário eleitoral em entrevista ao podcast De Olho no Poder

Elias Tavares analisou o cenário eleitoral em entrevista ao podcast De Olho no Poder | Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

O cientista político Elias Tavares é o novo colunista da Gazeta. Em entrevista concedida ao podcast De Olho no Poder, o especialista analisou as eleições 2026, quando estarão em disputa os cargos de presidente da República, governador, dois senadores por estado e deputados federal e estadual.

Para ele, a decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de disputar a reeleição ou buscar o posto presidencial será fundamental para o desenrolar do pleito paulista.

“Se Tarcísio buscar a reeleição, é uma vitória encaminhada. Ele só terá problema de equilibrar a participação dos partidos em seu possível futuro mandato. O Brasil é um país de coalizão, e colocar todos os partidos apoiadores no governo é o maior desafio do gestor público”, explicou Tavares.

Já a chance de a esquerda clássica conquistar o cargo é muito pequena, analisou. “Vejo a esquerda extremamente fragilizada no estado de São Paulo, sem condições de ter uma candidatura para poder ganhar o Palácio dos Bandeirantes, mesmo sem Tarcísio”, explicou.

Para ele, a única chance real da esquerda é se o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) buscar novamente ser o chefe do Executivo estadual – e isso apenas se Tarcísio estiver fora do pleito. “O único nome forte é o Alckmin”.

Questionado se Alckmin é de fato de esquerda, já que historicamente o vice-presidente foi tido como alguém de centro-direita, cravou: “Hoje, sim, está desse lado”.

A coluna de Tavares terá periodicidade semanal, tanto no impresso quanto no portal da Gazeta.

Disputa presidencial

Um fator permanece claro em 2026, segundo Tavares: o pleito ainda ocorrerá sob a polarização política que marcou os últimos anos. “Tudo indica que isso não mudará. Ainda haverá fortemente essa polaridade entre bolsonarismo e o lulismo”, explicou o cientista político;

Se não houver imprevistos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será candidato à reeleição, e é considerado favorito, ainda mais após recuperar a partir do fim do ano passado parte da popularidade perdida desde a posse, em 2023.

No campo da direita, o cenário parece mais confuso, com uma série de nomes podendo aparecer nas urnas. O que fez mais barulho recentemente foi Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador e filho de Bolsonaro, que anunciou a candidatura ao cargo máximo do País sob a bênção do pai.

Ao mesmo tempo, há outras figuras que podem aparecer, como os governadores Tarcísio de Freitas (de São Paulo, Republicanos), Ratinho Jr (Paraná, PSD), Ronaldo Caiado (União Brasil, Goiás) e Romeu Zema (Novo, Minas Gerais).

A escolha por Flávio gera polêmica, principalmente pela rejeição crescente que a família tem, apesar dos defensores ardorosos.

“Para ganhar de Lula eu não apostaria em Flávio. Mas eu vejo que pode ser uma aposta do núcleo bolsonarista para não perder protagonismo mesmo perdendo as eleições. Se alguém mais centrado disputar, o bolsonarismo corre maior risco de perder relevância para as próximas eleições”, explicou Tavares.

Fora do espectro bolsonarista há ainda Renan Santos, do recém-criado Missão, partido nascido a partir do MBL, e Eduardo Leite (PSD), governador gaúcho que se desgrudou de forma clara da batuta de Bolsonaro. Existe ainda a possibilidade de Ciro Gomes (PSDB) colocar o nome nas urnas.

Câmara de São Paulo

O especialista também explicou que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) mantém na prática o controle da Câmara Municipal, por meio de alianças políticas com os vereadores paulistanos.

“A prova maior do controle de Ricardo Nunes sobre a Câmara foi a reeleição de Ricardo Teixeira para a presidência da Casa, apesar do acordo de haver um rodízio”, analisou.

Ele vê os nomes do PSOL e da direita não alinhada a Nunes, como Lucas Pavanato (PL), Rubinho Nunes e Amanda Vettorazzo (ambos do União Brasil), com pouquíssima influência nas grandes decisões da Câmara.

“Eles têm muito poder eleitoral, mas são sufocados quando chegam ao Legislativo. A partir daí vivem de recortes para as redes sociais, para falar com o seu eleitorado, com a sua bolha. Eles não costumam ter aderência para aglutinar forças em volta de suas pautas. Muitos decidem, então, só jogar o jogo do eleitorado”, completou.