Novo ministro de Lula que ajudou a derrubar Dilma abre crise no governo

Pessoas próximas a Lula pressionam por exoneração do ministro, que passou a comandar a Pasta depois da saída de Márcio França

A escolha também causou desconforto no presidente nacional do PSB

A escolha também causou desconforto no presidente nacional do PSB | Beto Neves/Ascom MEMP

A nomeação do novo ministro do Empreendedorismo, Tadeu Alencar (PSB-PE), na semana passada iniciou uma crise interna no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso porque Alencar foi considerado uma “opção automática” e, mais importante, votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2016.

Pessoas próximas a Lula pressionam pela exoneração do ministro, que passou a comandar a Pasta depois da saída de Márcio França (PSB), que deve disputar uma das vagas ao Senado por São Paulo nas eleições deste ano. A situação causou uma crise entre PSB e PT.

A escolha também causou desconforto no presidente nacional do PSB, João Campos, de Pernambuco. O filho do novo ministro é casada com a irmã de Campos, que preferia o atual secretário nacional do Consumidor, Paulo Pereira, para a função. O partido chegou a parabenizar Tadeu pela posse, mas apagou a postagem depois 30 minutos depois.

Fontes ouvidas pela Gazeta falaram que Tadeu “jogou parado”, e foi chamado para o cargo de forma automática, sem muita negociação do governo com os partidos aliados. “A nomeação ocorreu quase por inércia administrativa”, afirmou uma pessoa próxima à Pasta.

Alas do PT também não perdoaram o ministro pelo voto contra Dilma, e disseram que Tadeu teve um papel ativo no que chamam de golpe contra a democracia.

Na política, Tadeu foi deputado federal por Pernambuco por dois mandatos consecutivos, entre 2015 e 2023. No governo federal, também ocupou o cargo de secretário nacional de Segurança Pública no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ao todo, 16 ministros de Estado foram exonerados de seus cargos na última semana. A saída em massa tem o objetivo de atender à legislação e cumprir o prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, já que os ex-ministros estudam lançar candidaturas no pleito deste ano.